Clássicos da perfumaria: Seiva de Alfazema - Além do misticismo

Há 71 anos no mercado brasileiro, Seiva de Alfazema não precisa inovar-se segundo a lógica do mercado. Com forte vínculo cultural com o Brasil, a fragrância é mais do que tradição familiar, é sincretismo religioso, e vende-se por si só
 
Imagine a seguinte cena: uma camponesa com um cesto na cabeça cheio de pequenas flores lilás no meio de um campo repleto delas. Ao fundo, montanhas cobertas de neve, alguns pinheiros e um céu azul límpido. Provavelmente a memória tenha lhe trazido certa nostalgia que remete à penteadeira de sua avó ou de sua mãe. A ilustração da embalagem de Seiva de Alfazema é clássica e histórica assim como sua fragrância.

Lançada em 1943 – e lá se vão 71 anos –, Seiva de Alfazema foi inspirada nos Alpes Suíços, que representam a parte fresca da fragrância, e na Lavanda, planta tradicional da região. A combinação natural de montanhas congeladas e alfazema gera uma paisagem belíssima e, traduzida em fragrância, se tornou um clássico de criação da casa de fragrâncias Givaudan. A fragrância é predominante de lavanda fresca, amadeirada e almiscarada.

Inicialmente, a colônia era produzida na fábrica de Belém (PA) da Phebo e comercializada em garrafas de meio litro. Em 1960, sua produção foi transferida para a fábrica de São Paulo e sua embalagem adaptada para competir em um mercado de massa.

Em 1988, a companhia americana Procter&Gamble comprou a companhia Phebo – da qual Seiva de Alfazema fazia parte – e entrou no mercado brasileiro. Dez anos depois, ao definir novas estratégias de mercado, a multinacional vendeu a marca, mas manteve o tradicional perfume em seu portfólio. Escolha que, segundo Michele Colombo, gerente de Comunicação da P&G, foi acertada, uma vez que “mesmo com investimento publicitário baixo as vendas de Seiva de Alfazema continuam crescendo ano após ano.”
    
Cara do Brasil
Ao longo de seus 71 anos de história, Seiva de Alfazema faz parte da tradição e da cultura brasileira e, de acordo com a Givaudan, está entre os 20 cheiros mais facilmente reconhecidos no País. Isso porque a lavanda, ingrediente principal da composição da fragrância, apesar de ser de origem europeia, tornou-se uma das plantas aromáticas mais populares por aqui, por conta da crença em suas propriedades místicas e, logo, da sua utilização em rituais religiosos.

Por esse motivo, a fragrância de Seiva de Alfazema, bem como sua embalagem nunca sofreram alterações. “Por se tratar de um produto muito tradicional entre os consumidores da marca, a decisão da companhia é sempre manter a embalagem para preservar a tradição e ser facilmente identificada pelas consumidoras”, complementa Michele Colombo.

Regionalmente é o Nordeste que mais consome o clássico, 65% das vendas de Seiva Alfazema são feitas por lá. Há aí dois pontos importantes: a tradição, já que a utilização do perfume é um costume passado de mãe para filha – de acordo com a P&G, mulheres com mais de 30 anos -; e o vínculo da fragrância com as religiões, já que a tradicional lavagem das escadarias, por exemplo, da igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador, com a mistura de Seiva de Alfazema com Água de Flores, é a maior representação do sincretismo religioso – elementos católicos e do candomblé se misturam nessa tradição. Por essas e outras, pode-se dizer que Seiva de Alfazema é a cara do Brasil.  

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