Crise? Que crise, uái

Crise? Que crise, uái
 A mineira Bio Extratus está investindo forte para multiplicar a sua capacidade de produção e gerar energia limpa e renovável para atender à empresa
 


Por necessidade, o casal Lindouro (na foto) e Vera Lúcia Gomes começou a fabricar cosméticos artesanais dentro de casa. 24 anos depois, a Bio Extratrus, empresa fundada por eles, emprega mais de 500 pessoas e está posicionada entre as fabricantes de produtos capilares mais respeitadas do País. Agora, em plena crise, a empresa está na fase final de um dos maiores e mais importantes investimentos da sua história: a construção de uma nova fábrica.

O novo empreendimento está sendo erguido no próprio terreno onde já funcionam a fábrica e a sede da empresa, em Alvinópolis, a cerca de 160 quilometros de Belo Horizonte. A nova unidade terá quase 12 mil m², sendo que a unidade de produção atual tem 2.500 m². Todo o projeto está atrelado à visão de automação e a planta vai contar com o que existe de mais moderno em termos de produção para a indústria cosmética, como novos reatores, os tanques onde os produtos são efetivamente preparados. “Estamos colocando um reator em teste agora em março e assim que aprovarmos o novo equipamento, vamos encomendar a fabricação de mais cinco reatores, para dar início à produção na nova fábrica”, comemora Lindouro Gomes.

Da fábrica atual, apenas os equipamentos alinhados com o plano de automação da produção serão transferidos. Pensada para atender ao crescimento futuro da empresa, a nova unidade comporta até 36 reatores de diversos tamanhos. “Hoje o nosso maior reator é de três toneladas, temos espaço para reatores de até dez toneladas. Isso vai dar um ganho de produção muito grande”, explica. E coloca grande nisso. A expectativa é de que, quando comece a operar, a fábrica produza em um único turno, dez vezes mais itens do que a Bio Extatus produz hoje em um turno e meio.

Consequências internas e externas
Além do aumento substantivo de produtividade, o novo prédio foi pensado para proporcionar um ambiente de trabalho mais agradável para os colaboradores. Com pé direito mais elevado e claraboias no teto, a empresa espera economizar no consumo de energia com ar condicionado e iluminação. Mas, principalmente, a empresa vai ter espaço para colocar mais gente para trabalhar, porque, segundo Lindouro, a fábrica atual já está lotada. O prédio onde funciona a fábrica atual vai funcionar como depósito e, também, receberá a área administrativa da empresa.

A previsão é inaugurar a nova fábrica em setembro, durante a convenção nacional de vendas da empresa. “Pode ser que (a unidade) não esteja operando plenamente, mas a parte estrutural vai estar pronta. Tudo arrumadinho, no ponto de operar”, garante.

Apesar do problema de “casa cheia” na atual unidade produtiva, o fundador da Bio Extratus garante que a empresa não enfrenta nenhuma dificuldade de abastecimento ou ruptura com os seus clientes. Mais do que responder ao aumento da demanda, o investimento que está sendo feito representa um compromisso da Bio Extratus com o futuro. “Acredito no Brasil, e vou continuar acreditando. Eu quero investir aqui dentro e não lá fora”, afirma Lindouro.
Sobre as expectativas para esse ano, ele diz estar com os “pés no chão”. “Não sei se haverá crescimento neste ano. Estamos trabalhando para manter a nossa posição no mercado, e estamos conseguindo.”

Já para 2017, com mais espaço de produção, a Bio Extratus – que também controla a marca de cosméticos profissionais Aneethun – pretende explorar novos caminhos, como produtos de maquiagem, pele e tintura para cabelos. “Essa nova unidade vai dar condições para isso. Hoje estamos basicamente em cabelo com alguma coisinha de pele”, diz o empresário.

Com tamanho sucesso, os donos da empresa mineira já receberam várias consultas e propostas para vender o negócio, ou parte dele. Mas qualquer movimento nesse sentido não faz parte dos planos de Lindouro. Primeiro, porque o empresário se orgulha em dizer que não faz empréstimos e que a empresa gasta apenas o que tem. “Há 25 anos, a gente começou no negócio por necessidade, de nem trabalho ter. Temos muito orgulho da empresa que construímos.” Segundo porque a sociedade familiar vai muito bem, obrigado. Os três filhos de Lindouro e Vera Lúcia: Janaina, Thiago e Thiana, estão na diretoria da empresa, respondendo pelas áreas Técnica, Comercial e de Marketing, respectivamente. “Os filhos vestiram a camisa e, pelo menos enquanto eu tiver forças, não quero ver a Bio Extratus ser vendida e nem ter sócios”, conclui.
 
Mais energia (e limpa)
 Desde a sua fundação, a Bio Extratus investe para ser uma empresa social e ecologicamente correta. Além de uma série de projetos sociais, a empresa despoluiu o lago onde hoje fica sua sede e investiu em um sistema de tratamento de efluentes 100% biológico. Agora, a companhia mineira investiu na sua área energética. Nada mais atual. Com os recentes riscos de falta de abastecimento e o aumento brutal dos custos, a energia elétrica se transformou em uma variável bastante importante na formação de custo das empresas. Por isso, a Bio Extratus investiu R$ 3 milhões para instalar um sistema privado de geração solar fotovoltaica em sua planta industrial, que se conecta à rede da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).

Além de ser um investimento econômico, o novo sistema de energia fotovoltaica tornará a empresa autossustentável em geração de energia elétrica. “Acredito que se as empresas não começarem a cooperar, a tentar resolver o problema do aquecimento global, a tendência é não ter futuro. Não adianta só arrecadar e não investir em sustentabilidade. Esse é o futuro do planeta, e não só do Brasil. Só vai sobreviver quem investir assim”, declara Lindouro Gomes. O co-fundador da Bio Extratus conta que investir em energia limpa era um dos sonhos da empresa, e agora, todos os produtos da empresa serão fabricados com 100% dessa energia sustentável. Uma fábrica de embalagens da Frascomar, que fica dentro do complexo industrial da Bio Extratus para atender exclusivamente à empresa, será o único prédio não abastecido pelo novo sistema energético.

O sistema entra em operação ainda no primeiro semestre e vai atender a todas as unidades da empresa diretamente. O escritório da empresa em Belo Horizonte, também vai se valer dos créditos de energia limpa acumulados pela Bio Extratus na rede da Cemig, tendo a sua conta paga com esses créditos. Esse processo é possível graças a uma lei aprovada recentemente. O crédito de excedente de energia pode ser utilizado por até três anos. Inclusive já foi previsto para atender à fábrica nova. A principal vantagem em se utilizar a energia solar fotovoltaica é que ela é 100% limpa e não gera ruídos durante sua produção. Os sistemas precisam de manutenção mínima e a vida útil é superior a 25 anos.

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