Embalagens de vidro: qualidade e transparência

Apesar do momento desafiador do segmento cosmético, O mercado de vidro mostra evolução em seus atributos e em oferta; e destaca ainda a importância da decoração neste processo       


O furor pelo constante desempenho acima dos dois dígitos já não está mais tão vivo dentro do mercado cosmético nos dias de hoje, se comparado aos anos anteriores. Como não poderia deixar de ser, toda a cadeia envolvida neste mercado também gozava de bons resultados. Entretanto, as expectativas negativas acerca do ano de 2014 – alimentadas sobretudo pela Copa do Mundo no País e pelas Eleições – estão se confirmando ao longo desta temporada. No segmento de embalagens, o cenário não está diferente. Nos resultados referentes ao primeiro semestre do ano, apresentados pela Abre – Associação Brasileira de Embalagem, vemos a maior parte dos materiais apresentando saldo negativo quando comparado ao mesmo período no ano anterior. Em Vidro, por exemplo, a taxa em termos de produção ficou em – 1,17%.

Uma das principais companhias fornecedoras de vidro para o mercado cosmético brasileiro, a Wheaton analisa o desempenho do segmento de um ano para cá e avalia o impacto do principal torneio de futebol do mundo para os seus negócios. Renato Massara, diretor Comercial do Grupo Wheaton Brasil, afirma ainda que a atuação da empresa nos segmentos cosmético e farmacêutico estava tendo um desempenho abaixo em relação ao ano passado. “O principal motivo disso foi que o Dia dos Namorados, que é uma data muito importante para o mercado cosmético, caiu justamente no dia da abertura da Copa. Ou seja, esta data comemorativa praticamente não existiu para este mercado. Isso afetou muito, pois o mercado cosmético tem três ou quatro grandes datas além desta, que são o Natal, Dia das Mães e Dia dos Pais. Então, todos deste mercado foram afetados, tanto o pessoal do porta a porta (Avon e Natura) quanto O Boticário, por exemplo”, informa ele, dizendo que a compensação para eles veio do mercado de utilidades doméstica, que ficou cerca de 10% acima do mercado em relação ao ano passado.

Mercado em evolução
Mesmo que os desempenhos apontados anteriormente sejam ruins, é possível dizer que o mercado de vidro – incluindo o de decoração também – está constante evolução. Sustentando esta afirmação está o fato de os fornecedores deste componente estarem investindo cifras altas neste mercado, alimentando seu desenvolvimento. Além disso, nosso mercado continua atraindo empresas internacionais, tanto em termos de indústria cosmética quanto de embalagem. O caso mais emblemático para ilustrar esta constatação no momento é o da companhia mexicana Vitro, uma das maiores fabricantes de embalagens de vidro para cosméticos da América Latina, que recentemente assinou um termo de compromisso para a instalação de uma unidade no estado da Bahia. O intuito da fábrica, que será instalada no município de Camaçari, é atender principalmente aos setores de cosméticos e de bebidas.

A confirmação da implementação da unidade da Vitro vem na mesma época em que o Grupo Boticário inaugurou uma nova fábrica na Bahia – estado que conta ainda com Centros de Distribuição da Avon e da Natura. Na ocasião da assinatura do termo de compromisso, Ricardo Maiz, diretor de projetos especiais da Vitro, disse que o grupo acredita que, além de atender o mercado existente, haverá a criação de mais demanda com a fábrica de frascos de vidro. “Sabemos que a Bahia tem muito potencial de crescimento econômico e alguns dos nossos clientes têm interesse em se instalar aqui, o que pode ser viabilizado com a implantação da Vitro”, frisou ele.

Apesar de a entrada com mais afinco da Vitro no Brasil – a companhia mexicana já exportava para o País – representar a chegada de um concorrente direto, para a Wheaton essa movimentação é interessante para o mercado como um todo. “Hoje o País é o principal mercado em termos de Perfumaria e isso está fazendo com que novas empresas queiram vir para cá. Achamos isso muito bom, pois quanto mais empresas novas vierem para fornecer, mais gente nova virá para produzir, ou seja, o Brasil está virando cada vez mais um polo de cosméticos. Em um local que é um grande produtor mundial, se alguém vai procurar opções, verá que há grandes opções de vidro, de tampa, por exemplo. Isso nos faz evoluir. No caso da Vitro, eles têm um gasto muito menor com mão de obra do que a gente. E eles vindo para o Brasil, vão concorrer de igual para igual conosco e o cliente fica satisfeito, e outras empresas podem vir, afinal quantas companhias temos lá fora e que ainda não estão aqui e que gostaríamos que estivessem. E se tiver vários fornecedores, isso é ótimo”, vislumbra Renato Massara.

Oferta limitada?
Em uma categoria como a de Perfumaria, em que a diferenciação e a busca por trazer frascos chamativos são ingredientes fundamentais, a procura por embalagens exclusivas é alta por parte das empresas. Mas conseguir isso é mérito para poucas. Celia Anrelink, gerente de Produtos do Grupo L’acqua di Fiori, acredita que o mercado de vidros no Brasil ainda é muito pequeno e que há poucas ofertas de embalagens standards e uma grande demanda de frascos exclusivos. “Os preços ainda são muito altos e não conseguimos fazer ainda no Brasil embalagens com alto grau de dificuldade”, completa.

Por sua vez, Tiago Martinello, gerente de desenvolvimento de Perfumaria e Desodorantes no Grupo Boticário, pontua que quando avalia-se o mercado de embalagens de vidro para cosméticos e perfumaria sob o aspecto de tecnologias e qualidade, nota-se claramente uma segmentação em dois grandes polos: a indústria vidreira brasileira e a europeia. “A história do vidro, associada à Revolução Industrial, dá aos europeus vantagens competitivas sobre o conhecimento e a transformação da cadeia. Esta diferenciação entre as duas indústrias vidreiras ainda se mantém, apesar da globalização, massificação da informação e crescimento da demanda dos outros mercados. Outro fator que favorece a indústria europeia é o investimento em pesquisa e inovação, que engloba desde materiais até processos produtivos. Neste contexto, hoje, os fornecedores brasileiros atendem com qualidade de modo geral, mas ainda há um gap em relação ao mercado Premium e Upper Premium”, considera.

O dirigente da Wheaton rebate dizendo que há tecnologias específicas tanto em vidro quanto em tampas que foram descobertas ou que são inovações de cada empresa. “Por exemplo, há coisas que só nós no Brasil temos que são moldes em números, como também há empresas europeias que têm 500 anos. Por isso, há coisas que eles criaram que não temos aqui no Brasil. Mas, por exemplo, o padrão de qualidade do vidro, sua cor, seu brilho e transparência é equivalente a qualquer lugar do mundo. Então, cada vez mais a gente está trabalhando com inovação para tentar trazer coisas novas”, rechaça. Renato Massara ainda observa que este mercado vem evoluindo muito nos últimos cinco anos e trazendo tecnologias novas, principalmente em decoração em vidro. “Investimos neste mercado de decoração nos últimos cinco anos algo em torno de R$ 50 milhões. Então, ele vem num processo de evolução muito grande, novas tintas, processo de silk-screen, etc. E nos últimos anos, também vem evoluindo no mercado de vidro, com vidros mais pesados, design, etc. Isto é uma onda que está vindo agora e que lá fora já é possível se ver. Sabemos que neste mercado cosmético existem três grandes players: Avon, Natura e O Boticário, e também Jequiti. E há as empresas menores, que têm mais dificuldades em ter um molde exclusivo. No ano passado, lançamos 15 novos modelos de vidro standard, justamente para atender a essas empresas menores”, complementa.

Dificuldades que podem gerar retorno
A opinião de Renato, da Wheaton, de que, mesmo representando um aumento no número de concorrentes, a chegada de novos players para o segmento de vidro é boa, se dá pelo fato de que haverá um nivelamento em termos de concorrência. Isso porque, todos enfrentarão as mesmas dificuldades existentes no País. “O que acontece é que o Brasil tem o gás mais caro do mundo e neste momento está tendo a energia elétrica mais cara também. Então, temos uma energia que subiu dez vezes, um gás que aumentou acima dos 50%, tendo em vista que é energia que produz vidro. Tem ainda a mão de obra subindo ano a ano e os impostos que pagamos, mas que não temos retorno. Tudo isso faz com que a indústria esteja cada vez mais esmagada e espremida. E o meu medo é que não sobre dinheiro para inovar, e este é um grande risco, pois este mercado vive de inovação. O mercado precisa tomar cuidado para não se esmagar demais, pois não é fácil viver no Brasil com a concorrência externa. Temos custos muito acima do padrão internacional. É por conta disso, inclusive, que torço para meu concorrente vir produzir aqui”, explica o dirigente.

Celia Anrelink, da L’acqua di Fiori, diz que a demanda da companhia mineira é grande e que, por conta disso, trabalha com fornecedores do Brasil, da Itália e da França. “Ainda não temos como nacionalizar toda nossa linha de produtos, alguns projetos por falta de tecnologia e outros por preço”, lamenta ela. Mesmo dizendo que a evolução em termos de ofertas em vidro ainda é maior na Europa, o gerente de desenvolvimento de Perfumaria e Desodorantes no Grupo Boticário ressalta a importância deste material para seus negócios e elogia o desempenho dos fornecedores nacionais.

“A embalagem de vidro é essencial para o mercado cosmético e consequentemente para nossa empresa. Buscamos constantemente a excelência, especialmente para a categoria de perfumaria, em que a qualidade da matéria-prima utilizada, as tecnologias aplicadas e os processos produtivos influenciam diretamente na percepção de valor sobre a embalagem. Nossa liderança em perfumaria reflete alta demanda no mercado de vidros, o que exige constante atualização por parte de nossos players. Dessa forma, trabalhamos com fornecedores nacionais e europeus que passam por um processo de avaliação e homologação visando atender os requisitos de qualidade, eficácia e segurança do Grupo Boticário, além de garantir o atendimento da expectativa dos consumidores, independentemente da complexidade técnica do produto. Cerca de 80% de nossa demanda é atendida pelo mercado nacional satisfatoriamente”, considera Tiago Martinello.

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