Especial Pele: à procura de água

A desidratação cutânea é um dos problemas dermatológicos que mais atingem os brasileiros, sendo que para alguns, essa é uma preocupação ainda maior. Para essas pessoas, as indústrias cosmética e farmacêutica investem em tecnologias para hidratar profundamente a pele
 
 
Sol, banhos diários, uso excessivo de sabonete, mania de esfregar a pele, mar e piscina no verão, baixas temperaturas combinada com tempo seco no inverno, todas essas são características climáticas e culturais do Brasil que castigam a pele de sua população. “ As pessoas que tomam muito banho, esfregam muito a pele, ficam muito no sol ou tomam muito banho de piscina ou mar acabam perdendo a barreira de proteção da pele”, explica a dermatologista Carla Ganassim.
Nesse contexto, o uso do hidratante é imprescindível  para manter a pele minimamente saudável e bonita. Entretanto, alguns tipos de pele necessitam de uma mãozinha a mais dos produtos de hidratação, para evitar os problemas que decorrem da falta de água na pele, como o embranquecimento de algumas regiões, a coceira, ou até mesmo a descamação. “Quando os hidratantes comuns falham, os médicos são obrigados a receitar um produto que hidrate profundamente. As pessoas que têm pele muito seca, as alérgicas, as que possuem dermatite atópica ou psoríase, necessitam de um produto que hidrate profundamente”, ressalta a dermatologista Valéria Campos.

Como já levantado pelas médicas, nestes casos específicos, os dermatologistas recomendam o uso de produtos que hidratam a pele profundamente, que utilizam tecnologias avançadas que fazem com que a água penetre através da pele. Estes produtos diferem dos hidratantes comuns, aqueles que são facilmente encontrados em diversos canais de venda, que somente criam uma barreira protetora que evita que a água saia da pele.

Os vilões da pele brasileira
Assim como acontece com outros problemas de pele- como a acne e o envelhecimento cutâneo- o Brasil é o ambiente ideal para a desidratação profunda da pele, por conta de características climáticas e culturais.

A Dra. Valéria explica que os brasileiros herdaram dois hábitos culturais, de dois povos diferentes, que são fatais para a manutenção da saúde da pele: A mania de banhar-se diariamente, como os índios, porém utilizando água quente e sabonete, como os europeus. Essa desastrosa combinação retira a ceramida, uma gordura natural presente na pele, que é a principal responsável pela capacidade de impermeabilização da superfície cutânea.

Porém, o banho, o sabonete e a água quente não são os únicos vilões para pele dos brasileiros. O excesso de mar, piscina e sol estimulam a desidratação no verão em lugares mais quentes. Situação semelhante é observada nas  regiões que encaram invernos frios e secos, como o Sul e o Sudeste. Os brasilienses e demais moradores do Centro-Oeste também enfrentam, além de doenças respiratórias, problemas decorrentes da pele ressecada por conta da baixa umidade do ar típica da região.

Esse mapa da desidratação cutânea no Brasil, nos leva a crer que aqui não existem regiões ou estações em que a tendência à desidratação cutânea seja menor. Paulo Simas, gerente de produtos da Stiefel, uma das empresas que lidera o ranking de hidratação dermatológica com a marca Fisiogel, revela que o estado em que a marca é mais forte é São Paulo, seguida por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul, o que comprova que pessoas que moram em vários Estados que possuem condições climáticas diferentes, possuem problemas sérios de ressecamento da pele.

O dermatologista e diretor Técnico da ADA TINA, Maurício Pupo, e a dermatologista Cristiane Braga ainda lembram que existe um público em específico que não pode descuidar da hidratação da pele: os idosos, que por terem uma pele mais sensível, acabam perdendo mais água. “Os casos que indicamos o uso de um produto que hidrate profundamente são aqueles de liquenificação extrema, isto é, as peles muito ressecadas e desvitalizadas. Geralmente, este tipo de pele acomete indivíduos mais velhos e que não se alimentam bem”, detalha Cristiane. Maurício acrescenta que a desidratação em idosos pode até mesmo levá-los à morte em dias de calor intenso. “ Em dias de muito calor, as pessoas idosas perdem muita água pela pele, o que as fazem entrar em um estado de hipovolemia (diminuição do volume de sangue no corpo), consequentemente, a pressão cai e o coração que já é fraco para”, detalha.

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Com essas informações, podemos facilmente perceber que hidratação da pele no Brasil não é uma opção, mas sim, uma necessidade básica, algo que, assim como o banho diário, deve se tornar um hábito na população de todos os cantos do País. “O hidratante, principalmente nas épocas mais frias, não é um opcional”, decreta Valéria.

Óleos Vegetais e Ácido-hialurônico: os salvadores da pele
O que realmente diferencia um produto de hidratação e outro de hidratação intensa são os tipos de ativos utilizados nas fórmulas de cada produto. Maurício da ADA TINA dá a dica para quem não quer levar gato por lebre. O diretor da empresa italiana informa que os produtos prescritos pelos dermatologistas para combater a desidratação profunda, possuem altas concentrações de óleos vegetais- como o Óleo de Semente de Uva e de Canola- assim como manteigas, como a de Karitê. Esses ativos possuem ácidos graxos que se assemelham aos encontrados em nossa pele, e por isso, penetram melhor na superfície cutânea, além de servirem como uma película protetora que evita a perda de água.

Entretanto, Maurício ressalta que existem métodos mais modernos para a hidratação. Segundo ele, nossa pele possui ácido hialurônico em suas camada mais profundas, uma substância que é capaz de absorver mil vezes seu peso em água. A indústria já é capaz de produzir partículas tão leves dessa substância, que ela consegue penetrar através da pele, carregando a água consigo para dentro do corpo.

Os produtos da brasileira Granado, por exemplo, são desenvolvidos com esses óleos vegetais citados pelo Diretor da ADA TINA. Dentro de seu portfólio, a Diretora de Marketing da empresa, Sissi Freeman, ressalta que a linha Granaderma oferece hidratantes indicados para peles muito ressecadas, caso do Hidratante Corporal Latato de Amônia e do Creme de Uréia e Oléo de Semente de Uva. Ela ainda ressalta a importância da utilização dos Óleos Vegetais nos demais itens produzidos pela empresa: “Em nosso portfólio, temos uma grande variedade de produtos que utilizam óleos vegetais como as manteigas de murumuru, karité e cupuaçu, além dos óleos de açaí, arroz e maracujá”, pontua.

Já o gerente da Stiefel revela que marca Fisiogel possui a capacidade de restaurar a barreira cutânea que é danificada quando a pele está ressecada, pois possui uma estrutura lamelar, similar à barreira lipídica da pele e, por isso, atua como um verdadeiro restaurador desta barreira. Além disso, a formulação do produto também contém ceramidas, ácidos graxos e colesterol, além de ser livre de emulsificantes, corantes, conservantes e perfume, ou seja, ideal para pessoas alérgicas.

A Divisão de Cosmética Ativa- núcleo da francesa L’Oréal responsável por marcas de dermocosméticos como Vichy e La Roche Posay- investe também em produtos específicos para áreas que costumam ser mais desidratas, como pés, mãos e pernas. “ A linha Lipikar, de La Roche Posay, que possui versões para os pés, mãos e corpo é muito prescrita por dermatologistas em casos de ressecamentos severos, irritações, dermatite atópica e eczemas”, destaca Délio de Oliveira, Diretor Geral da divisão. O profissional ainda complementa dizendo que mesma linha não só trata o ressecamento, como também evita o aparecimento de outros problemas de pele como estrias. “Os produtos da linha também previnem o aparecimento de estrias na pele e pode ser usado, inclusive, por mulheres grávidas. Com 20% de Manteiga de Karité, além de glicerina e Água Termal da La Roche-Posay, Lipikar Baume é relipidizante corporal, anti-irritante ideal para tratamento de ressecamento crônico”.

Dessa forma, é possível constatar que a indústria está fazendo sua parte para oferecer produtos com  tecnologias cada vez mais potentes, não somente para os consumidores, mas também para os dermatologistas, que contam com formulações cada vez mais eficazes para oferecer aos seus pacientes. Entretanto, para aqueles consumidores que querem sozinhos adquirir um produto desse tipo, além dos funcionários do varejo que desejam oferecer uma consultoria certeira para essas pessoas, aí vão algumas dicas para não levar para casa um produto inadequado. A primeira é ficar atento (principalmente os funcionários) aos produtos que os dermatologistas prescrevem aos pacientes que vão à farmácia com uma receita. Se o médico prescreveu, significa que o produto possui um viés de tratamento médico, não somente estético, logo, sua eficácia é comprovada pelo profissional. Uma outra maneria é ficar atento aos testes de eficácia. Todos os produtos dermocosméticos devem possuir testes que comprovem os resultados do tratamento, então, se o teste está em dia, quer dizer que aquele produto ou linha de fato funciona. Conhecer os ingredientes que devem estar contidos nos produtos -como os óleos vegetais e o ácido hialurônico- e ficar de olho em suas concentrações também é fundamental para quem quer acertar na compra e na orientação ao cliente. Porém, a melhor maneira de ajudar o consumidor é sempre orientá-lo a consultar um especialista antes de adquirir o produto, pois somente um médico poderá fazer uma indicação precisa, levando em consideração o tipo de pele e de problema.

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