Especial Pele: um mar de oportunidades

A cada ano o mercado de produtos anti-idade cresce mais, impulsionado não somente pelos consumidores que buscam produtos para combater as rugas já existentes, mas também por aqueles que procuram se antecipar ao envelhecimento cutâneo. Nesse contexto, a farmácia tem um papel central para o desenvolvimento da categoria
 

 
Durante anos, o varejo foi incapaz de atender de maneira satisfatória os anseios dos consumidores que demandavam produtos específicos para pele. Quando falamos de anti-idade, o problema ainda era mais grave. Não muito tempo atrás, a consumidora tinha apenas duas possibilidades à sua disposição no mercado: os produtos de massa, que nem sempre faziam uso de ativos sofisticados para retardar o envelhecimento, porém que eram acessíveis em termos de preço; e os chamados produtos premium, vendidos em perfumarias seletivas, que eram proibitivamente caros.

Pensando na união ideal entre os dois mundos, duas gigantes do mercado mundial de cosméticos se apressaram em criar uma marca que oferecesse eficácia a um bom custo-benefício. Chronos, da brasileiriíssima Natura, e Renew, da Avon, foram as duas marcas que desbravaram a categoria no País, sendo que, até hoje,  reinam soberanas como líderes desse segmento entre nós.

Entretanto, com o passar dos tempo, gradativamente, outros players começaram a abrir os olhos para essas possibilidades. Uma série de marcas já estabelecidas em mercados internacionais começaram a chegar ao nosso País e encontraram uma consumidora com mais dinheiro, com mais disponibilidade e vontade de pagar por cosméticos de alta performance para tratar a pele. Por sua vez, o varejo farma – principalmente as grandes redes – tiveram um papel central para fazer essas marcas chegarem aos consumidores em todos os cantos do País. Soma-se a isso o fato de que as brasileiras estão indo cada vez mais aos dermatologistas, e estes, além de ensiná-las o passo-a-passo do cuidado cutâneo, também receitam uma série de produtos com as mais recentes tecnologias disponíveis no mercado,  que só podem ser adquiridos no ambiente farmacêutico.

Os dados apurados pela consultoria britânica Euromonitor expressam a evolução que esse mercado sofreu nos últimos anos. Nos últimos cinco anos, o consumo de produtos anti-envelhecimento no mundo cresceu 63%, no Brasil esse número está acima da média global, alcança os 70%. Esse crescimento garantiu ao País o sexto lugar no ranking mundial (dados de 2011), sendo responsável por $1 bilhão dos $22 bilhões faturados por esses produtos no mundo.

Para a Divisão de Cosmética Ativa da L’Oréal- área que congrega as marcas Vichy, La Roche Posay,. Inneov, SkinCelticals e Roger&Gallet- os resultados revelados pela Euromonitor são facilmente observados no desempenho de suas marcas no Brasil. Segundo Délio de Oliveira, diretor geral da divisão, o mercado de dermocosméticos anti-idade cresce 8% ano, porém, as marcas da Divisão apresentam desenvolvimento quatro vezes maior que a média nacional. Ele ainda afirma que uma série de fatores se combinam para transformar o Brasil em um mercado tão atraente para o conglomerado francês: “Os motivos que explicam nosso bom desempenho aqui são a dermatologia forte que temos aqui no Brasil, a profissionalização do canal farma e a adaptação de produtos de acordo com o clima e a característica de nossa pele, em geral mais oleosa”, explica.

O que há de mais potente para a pele das brasileiras?
Entretanto, para alcançar esses bons resultados, as indústrias tiveram que suar a camisa e investir pesado em tecnologias inovadoras e ativos que proporcionam máxima eficácia. Essa é uma categoria de performance, o que significa que o consumidor não se importa em pagar caro se o tratamento realmente funcionar, isso nos leva a crer também, que se ele se decepcionar, não comprará mais o produto. Para que isso não aconteça, o constante investimento em tecnologia é indispensável para conquistar consumidores e dermatologistas, os mentores de seus pacientes. “O mercado de anti-idade é muito dinâmico em inovação, pois temos essa demanda por parte de nossa consumidora. Assim, temos a cada ano novos ativos e associações de ativos e texturas”, acrescenta Flavianne Baptista- Gerente do Grupo de Marketing SkinCare L’Oréal Paris.

A dermatologista Valéria Campos explica que cada vez mais pessoas vão ao consultório para buscar soluções para os sinais de envelhecimento, sendo que tratamentos cosméticos como laser, peelling e botox são altamente procurados, e que a medicina estética tem desenvolvido cada vez mais procedimentos nesse sentido. Porém, a dermatologista Carla Ganassim lembra que a indústria também tem disponibilizado cada vez mais produtos que utilizam as mais recentes tecnologias em ativos, para consumidores que querem fugir de tratamentos mais invasivos.

Dentro desse conjunto de novidades, a dermatologista destaca algumas tecnologias como, por exemplo, o Adipofil, que é produzido a partir de um aminoácido que aumenta o tamanho das células de gordura na pele, preenchendo o espaço de vincos e rugas, ideal para regiões como o “bigode chinês”. A profissional ainda revela que os ativos mais utilizados pela indústria ultimamente são os anti-oxidantes, alfa-hidroxiácidos, alguns petitídeos, além dos retinóicos, ingrediente fundamental para um bom creme anti-rugas. Os tratamentos encontrados nas farmácias mesclam esses ingredientes e utilizam as melhores propriedades de cada um, para estimular a renovação celular, fazer com que apareçam novas fibras de colágeno, e com isso promover a sustentação da pele. “O mercado de cosméticos anti-rugas trabalha constantemente no desenvolvimento de novas fórmulas, e eles trazem ativos cada vez mais potentes, além de apresentarem resultados visíveis em cada vez menos tempo”, sublinha a médica.

Miscigenação e Sol, uma combinação desastrosa
Apesar das tecnologias que têm inundado o mercado, desenvolvidas em mercados com excelência em skincare, como Europa e Estados Unidos, a pele brasileira é muito diferente da europeia ou da americana, sendo que nossa pele necessita de cuidados específicos e fórmulas adaptadas. Por vivermos em um local de clima quente e úmido, com grande incidência de raios solares, a pele brasileira tende a ser mais oleosa, daí a importância de se desenvolver produtos com toque seco que controlem a oleosidade.

Délio, da L’Oréal, explica que as necessidades das mulheres brasileiras em relação à pele são tão características que o conglomerado francês possui planos especiais para esse mercado no País. “A demanda da consumidora brasileira por produtos eficazes e ao mesmo tempo com texturas adaptadas ao nosso clima quente e úmido é tão latente que a L’Oréal vai inaugurar em 2014 um Centro de Pesquisas e Inovação. Ele terá, entre outros focos, um espaço especialmente dedicado à pesquisa skincare”, ressalta. Flavianne, de L’Oréal Paris corrobora a colocação do colega, e afirma que a marca L’Oréal Paris também se prepara para focar ainda mais em skincare. “Temos ainda um grande potencial a desenvolver no Brasil com a categoria, e nosso principal objetivo é ampliar nossa base de consumidoras e desenvolver o Skincare no País”, revela.

Entretanto, as dermatologistas lembram que não somente as características climáticas devem orientar o desenvolvimento de produtos para retardar os sinais da idade. Elas lembram que além de quente, o Brasil é um País de miscigenação racial, em que boa parte da população possui ascendentes europeus ou negros, isso quando não possuem os dois, com isso, muitas pessoas acabam herdando as características negativas de ambas as etnias.

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A pele branca, no geral, é mais fina e delicada, por isso mesmo, quem tem a pele branquinha necessita usar e abusar do protetor solar, caso contrário, o processo de envelhecimento será potencializado. Já as peles negras, apesar de serem mais firmes e resistentes à rugas, mancham facilmente, sendo que essas manchas são muito mais resistentes a tratamentos do que as que por ventura aparecem em peles claras.

Resumindo, a alta incidência de raios solares intensifica e agiliza o processo de envelhecimento, e nossas heranças genéticas facilitam o aparecimento de problemas como melasma, machas, quelóides e até de câncer de pele. “ Nos países europeus em que a incidência de raios solares é muito menor, se têm menos casos de câncer de pele, de manchas, melasmas, além dos europeus terem muito menos rugas. Isso mostra que as brasileiras têm mais rugas, flacidez, machas, principalmente por conta de exposição solar”, explica a Dra. Carla.

E nessa batalha contra o tempo, em que uma série de fatores fazem com que os brasileiros iniciem essa luta em clara desvantagem, a prevenção é uma arma poderosa para quem quer fugir do envelhecimento. A dermatologista Valéria Campos revela que o número de jovens que procuram o médico para se prevenir contra os sinais da idade, antes mesmo que eles apareçam, vem crescendo. “Eu estou formada há 25 anos, e o que eu tenho observado é que, nos últimos tempos, as pessoas começam a se tratar precocemente”. O Diretor da DCA acrescenta que a procura por tratamentos anti-idade no Brasil tem sido acima da média mundial, e que isso é confirmado pelos números. “Fizemos uma pesquisa recente que revelou que 71% das brasileiras investem tempo e dinheiro em produtos anti-idade, enquanto a média global é de 58%”, detalha.

As oportunidades nesse mercado que está em crescente ascensão em nosso País não se limita somente aos dermatologistas e indústria. O varejo farma deve estar atento para conseguir transformar a loja no ambiente propício para que a consumidora se sinta atraída a migrar dos produtos de venda-direta para os vendidos em farmácia. Além disso, um trabalho em conjunto com a indústria é necessário para mostrar à consumidora que o ambiente farmacêutico é um espaço aberto ao esclarecimento de dúvidas.
 

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