Farmácia? Lá no posto Ipiranga...

Grupo Ultra, detentora dos postos Ipiranga e distribuidora de GLP Ultragaz, adquire rede paraense Extrafarma e ingressa no varejo farmacêutico. Movimentação deverá levar esta bandeira de farmácias por todo o Brasil

A caçapa já estava cantada há algum tempo. Conforme a Mais Sucesso antecipou na edição nº 72, a rede de farmácias Extrafarma foi o alvo da vez no varejo farmacêutico brasileiro, que vem apresentando movimentações interessantes nos últimos anos em termos de fusões e aquisições. A rede, com origem no Pará e pertencente à distribuidora Imifarma, foi adquirida pelo Grupo Ultra por R$ 1.006 milhões, valor pago em ações à família Lazera, ex-donos da Extrafarma, que passará a ter 2,9% do capital da Ultrapar. A consumação da transação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE.

O grupo Ultra – que entre os seus diversos negócios é dono das redes de postos Ipiranga e da distribuidora de GLP Ultragaz – enxergou na Extrafarma – que conta com um Centro de Distribuição em Belém (PA) e 186 drogarias em cinco estados das regiões Norte e Nordeste: Pará, Ceará, Amapá, Piauí e Maranhão – uma excelente oportunidade para expandir seus negócios. Para isso, manterá a marca Extrafarma e Paulo Lazera, acionista e diretor Superintendente da rede, permanecerá no comando da empresa e integrará a diretoria da Ultrapar. O que deveremos ver daqui para frente com este varejista é uma expansão contínua da rede de drogarias que deve se dar por meio dos postos de gasolina Ipiranga e das revendas Ultragaz, que atualmente somam cerca de dez mil pontos de venda. 

De acordo com o principal executivo da Extrafarma, já havia um desejo da família acionista em expandir suas operações e alavancar o crescimento da rede, porém, para isso, havia a necessidade de trazer um sócio para dentro do negócio, que possibilitasse o acesso ao capital e à experiência no processo de expansão acelerada. “É uma satisfação nos unirmos ao quarto maio grupo do País. Isto vai possibilitar para nós da Extrafarma e para o povo paraense a expansão de nosso negócio para outros estados do Brasil. Estávamos procurando e analisando as oportunidades de parceiros há dois anos e, coincidentemente, o Grupo Ultra estava pensando em investir neste segmento de farmácia. Eu diria que isso foi uma coincidência, que acabou culminando nesta associação”, explicou Paulo Lazera, durante entrevista coletiva que marcou o anúncio da negociação. 

Mercado agitado? Talvez nem tanto...

A busca por consolidação dentro do varejo farmacêutico brasileiro já vem sendo apontada há alguns anos, desde que as primeiras grandes movimentações de fusões e aquisições começaram a dar as caras neste mercado. E apesar de terem havido negociação envolvendo os principais varejistas como Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, e Droga Raia e Drogasil, por exemplo, o varejo farma em nosso País ainda está longe da consolidação. Pelo menos é o que pensa Nilson Ribeiro, sócio-diretor da DPV Nice, que acredita que este processo de consolidação das redes drogarias no Brasil está acontecendo em um movimento bastante lento, dentro das expectativas que se descortinaram no mercado.

Nilson ainda faz uma leitura de todas as negociações recentes entre fusões e aquisições dentro deste mercado para comprovar tal opinião. Segundo ele, a única movimentação que mostra realmente algum sinal de consolidação é o realizado pela Brasil Pharma. “Drogasil e Raia fizeram uma fusão, no primeiro movimento, porém, as redes cobriam praticamente a mesma região e o crescimento tem sido orgânico. Já a Drogaria São Paulo e a Pacheco também se fundiram, com uma concentração maior em São Paulo e Rio de Janeiro, mantendo praticamente os mesmos programas de crescimento interno. A CVS comprou 44 lojas da Onofre, centradas na capital paulista e a Profarma comprou a Drogasmil e Tamoio, concentradas no Rio de Janeiro e em Niterói. O maior plano de consolidação foi o da BR Pharma, com a inclusão da Big Ben (Pará), Guararapes (Pernambuco), Sant´Ana (Bahia), Rosário Distrital (Brasília e Goiânia) e Mais Econômica no Rio Grande do Sul. Ainda, sob o ponto de vista de uma marca cobrindo todo o território nacional o processo não está concluído”, avalia o consultor, resumindo que é possível afirmar que o País está muito distante do processo de consolidação, como é conhecido em outros países da América Latina, Europa e Estados Unidos.

Apesar de considerar lenta a busca por consolidação por parte das redes de drogarias brasileiras, o sócio-diretor da DPV Nice crê que o mercado deverá passar por processos mais acelerados de fusões e aquisições daqui para frente, porém, pelos movimentos atuais e pelos valores do EBITIDA do mercado, isso não permite que este movimento seja mais rápido. “Ainda acredito que nos próximos cinco anos esta mudança não será substancial, salvo de algum player internacional entrar comprando três ou quatro cadeias de farmácias”, vislumbra Nilson.

A estratégia do passo 

Tendo em vista as dificuldades existentes em termos de expansão para qualquer rede varejista – como por exemplo encontrar bons pontos comerciais – o fato de estar se associando como um grupo que está presente em todo Brasil facilitará essa sequência para a Extrafarma. Para a rede, este foi um dos pontos cruciais para definir a negociação junto ao Grupo Ultra. “Sem dúvidas, o fato de eles possuírem uma base considerável de pontos comerciais pesou em nossa decisão. Mas diria que outros fatores também foram importantes”, revela Fábio Lima, diretor Comercial do Grupo Imifarma/ Extrafarma e ex-diretor do Grupo Panpharma. “Nossa capacidade hoje é para abertura em torno de 40 lojas por ano e nós queremos acelerar essa capacidade”, acrescentou Paulo Lazera.

Thilo Mannhardt, presidente do Grupo Ultra, disse ainda na entrevista coletiva que a expansão deve começar primeiro pelo Norte e Nordeste. “Há ainda planos de expandir se pegarmos o leste destas duas regiões, pois há espaços vazios que não são ocupados pela Extrafarma e que até já faziam parte dos próprios planos que a rede tem hoje. Iremos usar isso e partiremos por ali”, adicionou Thilo. O principal dirigente do grupo observa que a possibilidade de as novas lojas Extrafarma poderem ser incorporadas nos espaços físicos da rede Ipiranga e da Ultragaz trata-se de atrativo adicional. “Em breve, as pessoas poderão comprar medicamentos dentro de um posto Ipiranga. Isto gira em torno daquilo que consumidor quer hoje em termos de conveniência dentro do seu bairro, por conta das dificuldades de locomoção em cidades. O consumidor gosta de ter facilidades de conveniência e prestação de serviço em um lugar muito próximo.”

Reflexos no canal

Sempre que acontecem negociações como esse entre o Grupo Ultra e a Extrafarma, o varejo farmacêutico brasileiro se agita. Procurados pela revista Mais Sucesso, alguns dos maiores e prinicipais varejistas deste mercado preferiram não se pronunciar quanto a este fato. A Pague Menos, por exemplo, limitou-se a dizer que a rede vê com bons olhos todo e qualquer movimento de expansão das redes. Opinaram ainda que, de qualquer maneira, isso não muda a aposta da rede cearense no modelo de expansão orgânica e na atuação 100% nacional. 

Para Nilson Ribeiro, os passos que cada rede de farmácias dá certamente farão com que todos os concorrentes pensem na direção que o mercado pode tomar. “O crescimento, contudo, tem sido muito parelho em todas as redes grandes, médias e pequenas. O que definirá, na minha opinião, a grande mudança no mercado será o processo de profissionalização, comunicação e imagem junto ao consumidor brasileiro. Aqueles que melhor entenderem o comportamento do consumidor e atender plenamente suas necessidades angariarão resultados frutíferos para o negócio”, indica o sócio-diretor da DPV Nice.

Sonho como meta

Atualmente, a Extrafarma situa-se na nona colocação no ranking de faturamento de grupos de varejistas farmacêuticos da Abrafarma e está em oitavo lugar em número de lojas. Entretanto, os planos de crescimento da rede para o futuro são audaciosos. “Chegar a ser um dos líderes do segmento do varejo farmacêutico é o sonho de muitos empresas entre as quais nos encaixamos, mas isso não é uma tarefa fácil somente pela associação com o Ultra. Sabemos que enfrentaremos muitos obstáculos, seja na preparação e treinamento de novos colaboradores, seja nas dificuldades que qualquer empresa tem para se expandir num país continental como o nosso. A questão logística é um tema a ser tratado com muita atenção, a adaptação às diferenças de política fiscal entre os estados também é outro tema de destaque, a dificuldade na tramitação das licenças de funcionamento das lojas, enfim, temos que estar preparados para enfrentar muitos desafios, estamos plenamente conscientes da que a chave de sucesso será tratar bem esse temas e traçar um planejamento adequado que permita a execução do nosso plano de forma eficiente”, pondera Fábio Lima.

Como foi dito, o fato de o Grupo Ultra contar com pontos de venda distribuídos por todo o País facilitará o processo de expansão da Extrafarma. “A Ultrapar possui experiência em expansão acelerada de seus diferentes negócios em grande escala. Nós temos nos últimos anos, por exemplo, aberto entre 400 e 500 postos Ipiranga, cerca de 300 a 400 revendas Ultragaz, 200 lojas AM/PM, só para citar alguns exemplos”, endossou André Covre, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Ultrapar. Ainda que este seja o grande trunfo da negociação, a rede só poderá usufruir disso em um médio a longo prazo. Por enquanto, segundo a Extrafarma, o que prevalece em termos de expansão nesse momento é o plano originalmente elaborado pelo grupo de executivos da rede. “Esse plano nos remete à abertura de 45 lojas em 2014 nessas regiões (Norte e Nordeste). No fim de outubro, abrimos nossa primeira loja em Natal (RN), até então não contávamos com lojas nesse estado e esse avanço é parte integrante do planejamento originalmente elaborado por nossa equipe”, ilustra o diretor Comercial do Grupo Imifarma/ Extrafarma.

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