Fios claros e platinados

O momento vivido pelos produtos matizantes – o queridinho das loiras – dentro do mercado de haircare; produtos que prometem iluminar, reavivar a cor e trazer de volta o famoso platinado aos fios quimicamente tingidos  



Segundo pesquisas, cerca de 70% das mulheres brasileiras tingem os cabelos. São diversos tons de loiros, ruivos e morenos. Mas, como se sabe, com o tempo a tinta vai “desbotando”, modificando a cor. Além disso, o excesso de coloração pode danificar os fios capilares. Então, os chamados produtos matizantes, matizadores ou, simplesmente, desamareladores, podem ser uma solução para esse problema. Um serviço de manutenção ideal para cabelos com química, que pode ser feito até mesmo dentro de casa.

Os matizantes começaram a surgir no mercado brasileiro a partir dos anos 2000. É possível encontrar itens bem específicos, para diferentes tonalidades de cabelo, entretanto, eles são os queridinhos das loiras, principalmente para aquelas que gostam de ter o cabelo platinado. São produtos que possuem pigmentos que “mascaram os fios oxidados”, neutralizam o tom amarelado e alaranjado dos cabelos loiros, brancos ou grisalhos. Eles realçam a cor, e podem até hidratar os fios, dependendo de sua composição química. Os matizantes não podem ser considerados um “processo químico”, pois os itens não agem como tintura – uma vez que não penetram no fio – apenas o “encapa”. O processo de matização deixa o cabelo com tons mais frios, ou seja, acinzentados. Matizar o cabelo, portanto, significa neutralizar, acrescentar ou intensificar alguma cor já existente nos fios.

“O matizante reaviva a cor. Principalmente, nas brasileiras, que têm uma pigmentação de cabelo que puxa mais para o avermelhado. Por mais que você descolora o cabelo sempre, ele vai mudando de cor, e isso ajuda até no trabalho do cabeleireiro. Se a cliente usa o matizante com frequência, quando ela vai retocar as luzes, por exemplo, o resultado fica mais bonito, porque a cor já estava sendo tratada antes. Com o matizante, a consumidora pode fazer a manutenção da cor do cabelo em casa, porque o produto neutraliza o tom e tira o amarelado”, explica a cabeleireira Neiva Dias.

Para conferir esse efeito aos produtos, a Cosmotec – distribuidora de especialidades químicas para a indústria de beleza – recomenda o Jarocol Violet 43 (Vivimed/Cosmotec), um corante temporário ácido que apresenta a propriedade de mascarar a cor amarelada frequentemente observada em cabelos grisalhos ou descoloridos. Mariana Olivato, gerente de Tecnologia & Inovação da fornecedora de matérias-primas, esclarece: “Quando aplicado, o Jarocol Violet 43 deposita uma pequena quantidade de corante na fibra capilar, suficiente para neutralizar a coloração amarela dos fios. Além da ação desamareladora, é possível também obter o efeito platinado, dependendo da concentração de uso e do tempo de aplicação dos produtos contendo o corante.”

As marcas nacionais estão investindo bastante nesses itens e quase todo mês uma nova linha é lançada. Além dos chamados matizantes, há diversos desamareladores (shampoo, condicionador e máscara) que também agem com o mesmo efeito. Não há uma definição correta para cada produto, mas eles também prometem reavivar a cor dos cabelos quimicamente tingidos. “O shampoo desamarelador vai devolvendo os pigmentos conforme a cliente vai lavando o cabelo várias vezes. Já o matizador consegue trazer o resultado com uma única aplicação”, comenta o cabeleireiro Newton Alves, sendo que esta, talvez, seja a principal diferença entre os produtos.

Dificuldades de uso
Todavia, nem tudo são flores. O matizante é visto como um produto de manutenção, que pode ser utilizado em casa. Mas, se usado de maneira incorreta, pode danificar os fios capilares. Um erro básico é não seguir à risca as instruções do produto, e deixá-lo agir por mais, ou menos tempo. Nesse caso, poucos minutos podem fazer toda a diferença. O cabelo pode ficar “chumbado”, ou seja, muito cinza, quase branco. Às vezes, pode até mesmo ficar roxo ou esverdeado, gerando um grande transtorno. Esse efeito tem como ser revertido, claro, mas somente após algumas semanas.

“Os chamados matizantes/matizadores não são ruins, mas esses mais concentrados são mais difíceis de saber usar em casa. Atualmente, o mercado lança ‘n’ produtos, e muitas vezes as clientes não sabem manuseá-los. Eu indico sempre um profissional para fazer esse procedimento, porque se o cabelo estiver muito poroso, ressecado, pode absorver rapidamente o produto, e acabar manchando os fios. Caso a minha cliente queira fazer a manutenção em casa, eu recomendo o uso do shampoo ou do condicionador com efeito matizante, por serem itens mais simples, que não agridem tanto. Eu já tive clientes que usaram o matizante de forma inadequada, mancharam o cabelo e depois vieram até mim para corrigir o estrago. As brasileiras são muito miscigenadas. Tem muitos tipos diferentes de loiras e morenas, então eu recomendo que um profissional, que saiba lidar com esses processos, faça a matização para o resultado ficar perfeito. A febre hoje em dia por esses produtos é muito grande. As blogueiras falam, recomendam, mas tem de ter cuidado”, alerta Newton.

De acordo com cabeleireiro Eduardo Afonso, há um jeito correto de aplicar o produto. Um erro muito comum entre as mulheres é aplicar o matizante da raiz para baixo. Isso faz com que o produto aja mais rápido na parte de cima do cabelo, e fique com tons destoantes no comprimento dos fios. O correto é dividir o cabelo ao meio, e aplicar em um lado de cada vez. “Estes produtos são excelentes na minha visão de profissional. Mas, não indicaria para uma leiga, alguém que não tem conhecimento técnico, usá-lo. Pela minha experiência, já vi muitas clientes aparecerem com o cabelo chumbado, ou até mesmo esverdeado no salão, porque usou o produto de forma incorreta em casa. Ele pode ser perigoso, e a consumidora vai acabar gastando muito mais depois para corrigir o erro. Agora, se ela tem experiência com o produto, daí tudo bem.”

Um incômodo comum para quem tem cabelos mais claros é o cloro utilizado na higienização da água nas piscinas. Quase toda loira já deve ter vivido essa tão temida experiência: a pessoa fica horas dentro da piscina, e depois de algum tempo, percebe que o cabelo ficou verde! Isso mesmo, às vezes, a concentração de cloro é tão grande, que os cabelos tingidos podem ser danificados, adquirindo um tom esverdeado. Vale ressaltar que os matizantes não são indicados para resolver esse tipo de problema.

“A coisa mais importante é prevenir. Quando for para piscina, tem de passar um creme antes, que tenha filtro solar. Principalmente quando for ficar muito tempo, e quem tem o cabelo mais claro, tem de passar bastante nas pontas, que é onde mais resseca. Tem de ser uma quantidade generosa de creme”, observa Neiva. Para Newton, não é recomendado que a consumidora tente resolver o problema em casa, sozinha. A melhor forma de corrigir o tom esverdeado é com a ajuda de um profissional. “O cabeleireiro pode resolver o problema no mesmo dia, porque ele é capacitado, sabe de técnicas específicas, que foram estudadas e testadas. Acho muito mais fácil. Gosto de usar os shampoos de limpeza profunda, ou anti resíduo, mas tomando muito cuidado, porque aquela cutícula fica dilatada e o produto pode ressecar ainda mais um cabelo que já está danificado”, diz.

Olhar das consumidoras
Atualidade Cosmética conversou com algumas consumidoras, todas loiras. Elas usam shampoos, condicionadores, máscaras desamareladoras, matizantes, e até ampolas de tratamento. Foram diversas marcas citadas, com diferentes características. Algumas reclamaram que os shampoos, principalmente, dão um bom resultado, mas podem ressecar os fios. Ainda assim, todas afirmaram que indicariam o produto a suas amigas.

Para Carina Gonçalves, de 29 anos, o matizante é o único produto que deixa seu cabelo realmente platinado. “Uso uma vez a cada 15 dias mais ou menos, e adoro o resultado. Fica no tom que eu gosto.” Segundo ela, algumas marcas de shampoos desamareladores não foram tão eficazes para tirar o amarelado dos fios, além de terem ressecado seu cabelo. “Acredito que haja poucas opções de shampoos matizantes que realmente funcionem bem, sem ressecar tanto o cabelo”, observa.
Roberta Maria Carlos, de 25 anos, também sentia esse efeito de ressecamento, mas aprendeu a solucionar esse problema. “Antes eu só usava o shampoo, mas depois comecei a usar a máscara também e percebi que o cabelo fica bem mais hidratado. Dá pra sentir na hora a diferença e o bacana é que ele hidrata ao mesmo tempo em que mantém a cor.”

Em contrapartida, há quem prefira usar apenas os shampoos desamareladores aos cremes matizantes. “Não gosto de usar matizante porque se eu usar errado, meu cabelo pode ficar muito cinza, ou até azulado, o que eu acho feio. Uso shampoo desamarelador que dá um efeito mais claro também e atende minha necessidade”, comenta Thais Barbieri, de 27 anos.

Gicélia Alves, 28, e Daiane Crivillari, 25, consideram os matizantes produtos de qualidade, com bom custo benefício e preço acessível. “Eu paguei caro no meu matizante, uns R$ 80, mas achei que valeu muito a pena, porque o resultado realmente é ótimo, além de durar bastante. Eu detesto quando meu loiro vai amarelando, e com uma aplicação já dá pra ver ele platinado de novo”, complementa Cláudia Souza, de 33 anos.

Relações com o atual cenário econômico
O cenário econômico atual não é dos melhores. A crise financeira brasileira já atinge diversos setores, e o de beleza não está escapando. Os profissionais dos salões já vivenciam isso na pele. “Como todo mundo, nós também estamos sentindo esse efeito da crise dentro do salão de beleza. Os impostos subiram em tudo, e os produtos, as químicas não ficaram de fora. E quando o produto aumenta de valor, nosso trabalho também aumenta. Não tem como manter o valor antigo, com todos os preços subindo”, declara Newton. “Com a crise, já dá pra perceber que as pessoas estão fazendo em casa alguns procedimentos que antes faziam conosco. A crise afetou de primeira na venda de produtos dentro do salão, principalmente os importados. Então, o que eu percebo é que a venda dos nacionais está crescendo cada vez mais. As mulheres buscam bons produtos, que sejam similares aos de fora, mas que tenham boa qualidade também”, acrescenta Neiva.

Por outro lado, a vaidade é uma característica muito forte e marcante da mulher brasileira, por isso nem tudo está perdido. “Tenho clientes que faziam escova três vezes por semana no salão. Hoje, elas fazem uma vez. Porém, com coloração, reflexos, químicas e maquiagens, eu ainda não senti diferença. Uma cliente que tem cabelo branco, não deixa de retocar. Uma negra que faz relaxamento também não. Elas abrem mão de comprar uma bolsa, por exemplo, para poder retocar o cabelo. A vaidade conta muito, e elas procuram sempre estar bem. O cabelo é o cartão de visita, né?”, argumenta o Newton.

Na tentativa de amenizar os efeitos negativos, os profissionais de beleza começam a buscar soluções. “A gente tem de ser criativa, sempre fazer ações que motivem as clientes a irem ao salão de beleza. É importante também sempre estar se especializando, para fazer a cliente criar uma fidelidade”, afirma Neiva. “Com o uso do matizante, por exemplo, a pessoa pode passar um tempo maior sem fazer as luzes, sem o processo do salão, mas vai estar com a cor sempre reavivada. Com a própria moda agora do ‘ombré’ – técnica na qual os fios do cabelo ganham um tom degradê bem suave, prevalecendo tons claros nas pontas – em que a raiz do cabelo fica mais escura, só com o uso do matizante a cor do cabelo fica como se a pessoa estivesse saído do salão. Daí, ela faz as luzes normais e depois fica com o efeito ombré por um bom tempo. É uma forma de ficar bonita, sem gastar tanto”, finaliza a profissional.

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