Foco no povo

RaiaDrogasil apresenta a Farmasil, uma bandeira de farmácias com caráter popular, criada para que a rede alcance regiões onde não conseguia se estabelecer. Meta do projeto é abrir até 15 lojas em 2013

 
O processo de expansão das grandes redes brasileiras continua movimentando o varejo farmacêutico do País. Depois de um agitado período de fusões e aquisições nos últimos anos, os principais players deste segmento se concentraram em sua expansão orgânica pelo território nacional. Entretanto, desta forma, a questão do real estate entrou em cena, já que cada vez menos, bons pontos comercias estão disponíveis e as drogarias passaram a encontrar dificuldades para seguir com seus planos de expansão. E diante da influência que as classes D e E estão exercendo no consumo atual, as regiões que concentram essa grande fatia da população passaram a receber atenção do varejo como um todo. Com as farmácias não foi diferente e também por conta disso, o Grupo RaiaDrogasil decidiu apostar na Farmasil.

A maior rede do Brasil em faturamento e em número de lojas (Abrafarma – 2012) lançou este projeto, até então piloto, para tentar se fazer presente em regiões mais populares de diversas cidades. Locais estes que, segundo a companhia, estava difícil estabelecer suas bandeiras. Para inserir a Farmasil no mercado, a rede está abrindo novas unidades e também convertendo algumas lojas Droga Raia ou Drogasil. Até então, são cinco lojas já inauguradas, nas cidades de Santo André, Caieiras, Sorocaba, Ribeirão Preto e no bairro do Brás, em São Paulo.

A intenção é que até o final deste ano sejam até 15 unidades no total. “Farmasil é um piloto e não uma estratégia. Devemos encerrar o ano com dez ou no máximo 15 lojas, para que possamos realmente fazer um teste e entender o que acontece. Se validarmos e a coisa for bem, aí sim pode virar uma estratégia. Se não validarmos as premissas, aí esquece e seguimos com as lojas com as outras bandeiras”, resume Eugênio De Zagottis, vice-presidente de Planejamento de Relação com Investidores.

Aposta objetiva
Para definir se o projeto seguirá em frente ou não, a rede avaliará individualmente o desempenho das lojas Farmasil comparando-as com as outras lojas Droga Raia e Drogasil. “É uma loja que estamos investindo menos e estamos preparados para termos um Ebitda menor em Real, mas a Tir (taxa interna de retorno) tem que ser no mínimo igual ao das lojas atuais. Se isso não se confirmar, não adianta nada ter um formato popular. Adiantará para poder crescer com retornos similares aos que a gente tem hoje. Para isso dar certo depende de que venda e de que margem bruta a gente atingirá, além de uma série de coisas que ainda não foram testadas. Então, estamos tentando criar uma massa razoável de 10 a 15 lojas para testar”, explica Eugênio, resumindo que o Grupo RaiaDrogasil tem como a ideia com a Farmasil ter menos investimento, menos venda, mas uma margem parecida.

Ainda de acordo com o dirigente, esta é uma tentativa da rede em preencher um espaço do mercado onde não conseguia ser competitivo de outra forma. “É exatamente isso, o objetivo é ter um formato de loja que a gente possa levar para regiões mais populares, onde a gente não consegue entrar ou não se dá bem quando entra. Hoje, não aconselho ninguém a colocar Farmasil no modelo, pois nem eu sei qual o crescimento que isso vai ter, quando ou se isso vai acontecer. Agora, acho que é obrigação da companhia ter estratégia não só a curto prazo, mas também a longo prazo. Se pensar bem, nos próximos três a cinco anos, não é urgente que a gente tenha este formato testado e consolidado. Mas para os próximos dez anos faz muita diferença”, cita Eugênio.
 
Características particulares
O formato das lojas Farmasil conta com características completamente diferentes das bandeiras Droga Raia e Drogasil, ou de qualquer outra rede brasileira. O mix é composto apenas por medicamentos, em que a luta por preço frente à concorrência se torna nítido. Não há gôndolas, tampouco autosserviço, já que todos os itens, inclusive OTCs, ficam dispostos atrás do balcão. O consumidor, no caso o paciente, chega à loja, retira uma senha e aguarda o atendimento sentado em cadeiras colocadas na parte central do espaço. Depois, o número de sua senha aparece em painel e ele se encaminha ao balcão, que é dividido em espécies de guichês. Neles, o consumidor é atendido, recebe o medicamento e realiza o pagamento no mesmo local.

No caso da unidade de Santo André (foto), a loja Farmasil foi alocada no lugar de uma antiga farmácia Droga Raia, em uma rua de comércio bastante popular da cidade. Para se ter uma ideia, também na mesma rua, onde há mais duas redes de drogarias menores atualmente, foi inaugurada uma Drogaria Pacheco, pouco depois da chegada da rede carioca a São Paulo e pouco antes da fusão com a Drogaria São Paulo. Em pouco tempo no endereço, a loja da Pacheco foi fechada. “Vamos esperar. Loja que a gente muda a bandeira é uma situação, as que a gente abre organicamente, é outra. Então, precisamos ter um grau de conforto que a gente ainda não tem”, situa Eugênio, sobre a Farmasil.

A chegada desta loja a esta rua de Santo André não preocupou as redes concorrentes. De acordo com a uma farmacêutica gerente da Classe Farma, a rede não sentiu que houve quedas ou pontos negativos por conta da atuação deste novo projeto do Grupo RaiaDrogasil. “Para nós não mudou absolutamente nada, já que temos uma grande quantidade de clientes fiéis. Além disso, apostamos no trabalho que realizamos com não-medicamentos”, garante a profissional, que preferiu não se identificar. A outra rede presente à rua é a Extra Fórmula.

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