Focus Group Packing Cosmética: A voz da melhor idade

Packing Cosmética abre espaço para as consumidoras mais experientes colocarem suas opiniões, dificuldades e sugestões acerca das embalagens de produtos de beleza


A primeira edição da seção Focus Group foi realizada com adolescentes, e a Packing Cosmética conseguiu mostrar o que elas pensam a respeito das embalagens dos produtos da categoria de maquiagem. Foram diversas opiniões, sugestões e elogios. Desta vez, a seção foi produzida com senhoras da terceira idade, ou por que não, da melhor idade. Mulheres maduras, experientes, que sabem o que querem.

Engana-se quem pensa que as senhoras “mais velhas” só se preocupam com saúde. Elas também são muito vaidosas, gostam de se sentir bem – por dentro e por fora – e almejam estar sempre muito bonitas e arrumadas. A seção anterior do Focus Group foi um sucesso, e agora é a vez delas, dessas experientes mulheres falarem o que desejam, suas preferências e reclamações. Ao total, a revista conversou e ouviu a voz de dez entrevistadas, todas residentes do estado de São Paulo (capital e interior).

Dentre os produtos de beleza e higiene pessoal citados, os que elas mais utilizam são: perfume, shampoo, condicionador, desodorante, hidratante para o corpo e para o rosto, óleo corporal, protetor solar, tintura para cabelos e alguns cremes anti-idade. Quanto à maquiagem, muitas afirmaram que não usam com a mesma frequência de quando eram mais jovens. Ou porque têm dificuldade de passar o produto (principalmente os itens para os olhos, pois é preciso firmeza e exatidão para não borrar ao aplicar), ou porque já não acham mais adequado devido à idade. Porém, alguns itens são queridinhos e não podem faltar, como: batom, base, pó compacto e esmalte.

Você já parou pra pensar nos rótulos das embalagens dos produtos de beleza? Será que eles têm uma letra fácil de enxergar? E na hora do banho, isso pode ser um problema? Será que estes produtos estão bem localizados dentro dos supermercados, farmácias e perfumarias? Será que é fácil de alcançá-los nas prateleiras? Esses e muitos outros questionamentos foram debatidos com nossas nobres consumidoras.

Fora de agrado
Todas as entrevistadas tiveram exatamente a mesma opinião quanto aos rótulos dos produtos: eles poderiam ter letras maiores. A maioria das senhoras alegou ter problemas de visão, e o rótulo pode dificultar, e muito, na hora de usar o produto. “Acho que os rótulos poderiam ter letras maiores, pra gente ter a facilidade de enxergar”, comentou Maria de Jesus Gonçalves dos Santos, de 64 anos. Para ela, protetores solares, por exemplo, não possuem um rótulo adequado. E este “detalhe” é essencial, uma vez que é preciso saber especificamente qual é o fator de proteção UVA/UVB que eles proporcionam, por exemplo.

A hora do banho também pode ser um transtorno. Maria Madalena Savi Vieira, 60, adquiriu o hábito de etiquetar seus produtos que ficam dentro do banheiro, mesmo que seja apenas com a letra inicial de cada item. “As letras são muito miúdas, e eu tenho dificuldade de ler. Então eu faço isso pra não ter confusão. Já aconteceu de eu trocar e passar o condicionador no lugar do shampoo, por exemplo”, relembra.

Algumas consumidoras reclamaram de não conseguir identificar a data de validade de diversos itens, pois a informação tem letra muito minúscula. “Você acaba perdendo muito tempo dentro do mercado. A dona de casa tem o quê? Uma hora pra fazer a compra? Ela não consegue, porque não dá pra ver a validade de tudo o que ela precisa. Mesmo usando óculos”, se queixou Maria de Jesus.

O lacre também pode apresentar algumas dificuldades. Segundo Maria Luiza Lauton, 66, alguns itens são difíceis de abrir. “O que eu não gosto muito desses produtos é quando você precisa utilizar uma faca ou uma tesoura para abrir. Ele até pode ter o lacre, mas que seja fácil de tirar.” Ela também desaprovou uma recente mudança de uma marca de esmalte. “Eu não gostei da nova embalagem, achei o pincel muito quadrado, meio escorregadio. Eu gostava mais do outro. Não que ela seja feia, mas não fica tão boa na hora de passar na unha”, comenta.

Mais velha desta turma, Nair Maria dos Santos Ribeiro, 83, usa óleo de reparação para os fios capilares, um produto cuja embalagem é uma pequena ampola, e ela tem dificuldade em manuseá-lo, devido a dois obstáculos. “A gente não consegue ler o que está escrito naquelas ampolas, porque elas já são pequenas e as letras são menores ainda. Pra abrir é outro problema. Só cortando com uma serrinha mesmo, e às vezes, é até perigoso quebrar. É uma embalagem que poderia ser mais fácil de usar. Eu mesma uso muito, pois fortifica bem o cabelo”, argumenta.

Além dos rótulos e do lacre, os manuais de uso de alguns cosméticos também foram lembrados. Com muitas e pequenas letras, diversas consumidoras não conseguem enxergar e entender como, de fato, o produto deve ser aplicado e utilizado.

Eva Andreoli Vieira, 58, fica incomodada ao ter de pegar o creme de hidratação capilar (normalmente em potes grandes) com as mãos. Para ela, se eles tivessem outra embalagem, como a do shampoo e do condicionador, por exemplo, seria melhor.

Mais do que aprovados
Muitas senhoras afirmaram gostar bastante dos produtos com válvula pump, até por uma questão de higiene. Maria de Jesus explica: “Essa válvula é a melhor de todas. Você só aperta e ela para onde você quer. Por exemplo, um hidratante. Se você tem de pôr a mão dentro do pote pra poder pegar o creme, você acaba deixando que as suas bactérias fiquem por lá”, observa.

Pensando também em higiene, as entrevistadas confirmaram que gostam quando a embalagem do produto, principalmente para o rosto, vem com uma espátula. Isso facilita na hora de pegar o creme. “É bom ter aquela ‘pazinha’, porque assim não contamina o produto quando você usa”, destaca Clarice Vieira Paris, 64. Ela também prefere cremes para o cabelo que tenham válvula pump. “Na hora do banho, principalmente, eles são mais úteis, pois os de embalagem com tampa de rosquear acabam deixando que entre água no produto se você não tomar cuidado, e isso danifica o creme”, destaca.

Dentro da categoria de sabonetes, a válvula pump também faz diferença. “Eu prefiro sabonete líquido ao convencional. Você coloca na esponja e ele espalha melhor, então fica mais fácil pra você se ensaboar”, afirma Laura de Andrade, 61, que passou a usar o produto recentemente, há dois meses, mas que não pretende trocar mais. Ela também usa hidratantes com este tipo de válvula, e afirma já ter até procurado por cremes faciais com a mesma praticidade, mas que ainda não os encontrou.

Algumas entrevistadas declararam que preferem produtos em spray, como os desodorantes. “Depois que lançaram o spray, ficou bem melhor. É mais fácil, rápido e não desperdiça nada. É um produto econômico”, afirma Maria Luiza. “Diferentemente dos produtos que você precisa rosquear para abrir, os sprays são mais práticos. Se escorregar e cair no chão, por exemplo, você não vai perder o conteúdo. E é menos perigoso também”, completa Madalena.

Maria Aparecida Ribon Viana, 73, explica que algumas embalagens poderiam ser fabricadas em tamanhos menores, pra facilitar na hora de viajar. Clarice, que viaja bastante, tem a mesma opinião. “Eu gosto de embalagem prática, que não vaze na necessaire. Por isso também eu prefiro os vidros menores, que são mais fáceis de guardar”, declara. Ela também observa que as embalagens de óleo corporal poderiam ser produzidas de uma maneira mais inteligente, para que o produto não escorra e suje o frasco.

Ainda vaidosas
As entrevistadas responderam se a embalagem é um fator decisivo na hora da compra, da escolha do produto. As opiniões se dividem. Enquanto algumas acreditam que a qualidade e o preço são pontos mais importantes, outras admitem que sim, a embalagem faz toda a diferença.

Para Maria de Jesus, devido à atual crise econômica, se o produto tiver uma embalagem muito bonita, mas for muito caro, ela escolhe um mais em conta. “Neste caso, a qualidade sim influencia mais na hora da compra”, comenta. “A embalagem tem de ser bonita, não pode ser feia não. Eu acho que uma embalagem bonita chama atenção. Hoje em dia, a gente usa até pra decorar o banheiro. Não precisa ser escandalosa, aquela coisa muito fantasiada. Ela pode ser bonita, mas clean”, comenta Maria Luiza.

De acordo com Laura, a embalagem pode ser importante ou não na hora de escolher o item. Isso varia de acordo com cada produto. Shampoo, condicionador, por exemplo, não precisam ter um frasco bonito. Já os pequenos potes de cremes faciais ficam mais atrativos se forem sofisticados, bem desenhados. “Até passam a impressão que sua durabilidade é maior”, afirma. A mesma situação acontece com o batom. “Porque aparência conta. Quando a embalagem é mais bonita, a gente pensa que ele é melhor”, acrescenta.

“Pra mim, a embalagem não conta muito na hora de comprar. O que vale mesmo é o conteúdo, a qualidade do produto. O preço também é importante, mas quando é algo que eu gosto muito, eu acabo comprando”, rechaça Rutinei Matias de Oliveira, 63. “O que conta mesmo é o produto, mas é óbvio que se for uma embalagem bonita, isso enche os olhos. Chama atenção, dá vontade de comprar. As duas coisas são importantes”, reforça Clarice.

Observações quanto ao tamanho
As entrevistadas se dividem também quando a questão tratada é o tamanho das embalagens. Cada uma tem sua preferência. Eva acredita que há no mercado bastante variedade de tamanhos nas embalagens. “Eu acho que há muitas opções pra gente escolher. Shampoo, por exemplo, tem maior, menor. Eu acho que dá pra escolher bem”, afirma.

Para Maria de Jesus, embalagens menores são melhores. Segundo ela, se o produto estiver numa embalagem muito grande – mesmo vendido por um preço em promoção –, não compensa comprar, pois ele pode estragar. A embalagem também pode ficar envelhecida. Em contrapartida, Vera Lúcia Esferra, 59, afirma: “Eu gosto de embalagens grandes, tipo de um litro. É uma quantidade boa, dá pra economizar”, diz ao se referir a cremes hidratantes. Ela também acha importante que, se o produto tiver algum componente especial, algo que o torne diferente dos outros, essa informação deva estar bem representada no rótulo.

Pontos de compra
As consumidoras gostam de comprar seus itens de beleza nas perfumarias, supermercados, farmácias e também com revendedoras (canal de venda direta). Elas declararam que os produtos têm fácil localização nestes pontos, mas que eles poderiam ficar em prateleiras um pouco mais baixas, principalmente nos supermercados. Maria de Jesus reclama que, às vezes, não consegue alcançá-los. “Como eu sou muito baixa, muitas vezes eu tenho de pedir ajuda de alguém que esteja por perto pra poder pegar o que quero. Além disso, se o produto ficar muito no alto, eu mal consigo enxergar o preço. Já aconteceu de eu tentar pegar um shampoo, e caírem três em cima de mim”, relembra.

Muitas preferem ir a pontos de venda específicos, como as perfumarias e farmácias. “Eu gosto de comprar os meus produtos de beleza na farmácia. É fácil de achar o que quero, e no supermercado costuma ser bem mais caro”, destaca Rutinei.

Depois de realizar as entrevistas, foi possível perceber que o canal de venda direta tem forte poder para as consumidoras, especificamente para as que vivem no Interior, em cidades pequenas. Eva, que mora em Americana, é cliente fiel das marcas de venda direta. Comprar por meio das revendedoras é facilitador. “Eu acho mais prático, porque não gosto muito de ter de ir até o centro pra poder comprar um cosmético. Eu gosto de olhar o catálogo, se precisar eu ligo (pra minha revendedora) pra pedir o que quero, o que está faltando”, finaliza.

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