Formulações cosméticas: Quando menos é mais

Com 30% dos brasileiros sofrendo com algum tipo de alergia, cresce a procura por produtos cosméticos de formulações minimalistas. Qual é a fórmula para o sucesso nesse campo? Produtos eficazes com poucos ingredientes

 
De acordo com os mais recentes dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunapatologia, cerca de 30% dos brasileiros sofrem de algum tipo de alergia. As que acometem a pele são umas das mais frequentes, podendo ser causadas por qualquer tipo de substância que irrite o maior órgão do corpo humano.
Celina Issa, gerente de Marketing para América Latina da Lubrizol, explica que o consumidor tem demandado produtos com formulações que contenham ingredientes cada vez menos agressivos, e que essa é uma tendência que veio para ficar. “Os consumidores estão cada vez mais entendendo os rótulos e com certeza ter fórmulas com foco minimalista, clean label ajuda muito no processo de decisão de compra. Vale ressaltar que busca-se o minimalismo nas formulações, mas a performance e qualidade dos produtos devem ser preservadas”, destaca.

De fato, desenvolver uma formulação dermatológica que não cause reação alérgica, porém que não apresente os resultados desejados pelos consumidores, médicos e esteticistas, ou que, esteja aquém do desempenho de produtos que apresentam formulações com maior concentração de ingredientes, não faz o menor sentido.
O grande desafio que as indústrias desenvolvedoras de soluções químicas encontram nesta área é justamente fazer a combinação certa de poucos ingredientes, porém que seja eficaz, possua uma textura agradável e um custo de produção competitivo. “Os principais desafios em se desenvolver um produto no formato minimalista é manter a mesma performance que um convencional possa apresentar em quesitos, como por exemplo: eficácia, sensorial, textura, estabilidade física-química e microbiológica, custo e entre outros”, reforça a profissional de Marketing Técnico e Laboratório da quantiQ, Mônica Antunes.

Um nicho para poucos
Soraya Oliveira, gerente de P&D da ADCOS – empresa que desenvolve produtos de alta performance, principalmente focado no público profissional – conta que, por reduzir o potencial irritativo e alergênico dos produtos, a empresa, sempre que possível, busca desenvolver formulações com a menor quantidade de ingredientes possível.

Entretanto, a gerente da empresa exalta a importância do uso de uma embalagem com uma tecnologia adequada para proteger os produtos. “Para viabilizar este caminho é importante o uso de embalagens air less, que minimizam o contato do produto com o meio externo e, com isso, ajudam a evitar contaminação microbiana”, detalha.

Já Julinha Lazaretti, gerente de Marketing e Produtos da Alergoshop, revela que alguns ingredientes conseguem ser retirados das formulações, porém, outros somente são substituídos por similares que possuam menos chances de causar algum tipo de reação alérgica. Porém, assim como a profissional da quantiQ, ela afirma que desenvolver fórmulas que conciliem eficácia, sensorial e custo, sem utilizar as substâncias mais comuns do mercado é um grande desafio.

Todavia, ela acredita que tanto esforço tem lá suas vantagens. “Atendemos a um nicho que se distancia das grandes indústrias, no entanto, a divulgação torna-se mais trabalhosa. É um trabalho de formiguinha, explicando para cada cliente quais as substâncias que ele pode estar sendo exposto sem saber.”

A executiva da ADCOS completa dizendo que esse tipo de produto não atrai somente o consumidor comum, mas também os médicos. “A principal vantagem desse tipo de produto é a boa aceitação tanto dos nossos clientes quanto dos dermatologistas”, afirma.

Vantagens para o cliente e para as indústrias
Apesar da dificuldade de solucionar a equação que envolve eficácia, sensorial e os custo benefício de uma formulação, as indústrias de desenvolvimento de ingredientes também se beneficiam dessa onda de formulações minimalista que toma conta do mercado.

Segundo Mônica, da quantiQ, com a maior demanda por formulações que necessitam de menos ingredientes, a indústria consegue vantagens na otimização do processo fabril, tempo de pesagem, fabricação e setup reduzido, redução do estoque físico devido à redução de ingredientes, geração de menos resíduos e redução da perda de processo.

A executiva também ressalta as vantagens ecológicas que o desenvolvimento deste tipo de fórmula trará, tendo em vista que sua geração de resíduos e seu impacto ambiental é menor do que a de uma formulação desenvolvida com mais ingredientes. Ela acredita que este tipo de produto está em perfeita sintonia com os novos desejos de um consumidor cada vez mais consciente, que não somente quer o que há de menos agressivo para o seu corpo – sem esquecer da eficácia –, porém, que se preocupa também com questões ambientais, e busca produtos de menor impacto.

“Existe a tendência de as empresas buscarem alternativas mais naturais, mais sustentáveis no desenvolvimento de seus produtos, pensamento ecologicamente correto e buscando maiores cuidados com a pele. Hoje é possível encontrar ingredientes mais puros ou mais naturais, como pigmentos, conservantes ‘booster’, extratos aromatizados, óleos e manteigas vegetais, bases sem etoxilação, gomas naturais entre outras tecnologias de apelo verde”, finaliza Mônica Antunes.

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