Gerentes de loja no varejo farma: acima de tudo, um líder

Diante de inúmeras funções e exercendo um importante papel num mercado cada vez mais competitivo, a função de gerente de farmácia ganha em expressividade, reforçando seu atributo principal: a liderança


Nos últimos tempos o varejo farmacêutico vem crescendo e ganhando uma nova cara. Com recentes movimentações de fusões e aquisições, grandes grupos de farmácias surgiram, o que fez com que esse se profissionalizasse ainda mais, e de forma acelerada. Tais circunstâncias também fizeram com que as redes passassem a olhar com maior atenção para a qualificação de seus colaboradores. Sendo assim, planos e programas de carreira surgiram ou, eventualmente, os que já existiam, foram melhorados, o que, naturalmente, configurou-se como um fator adicional de atração para aqueles que desejam trabalhar no setor.

Porém, assim como vem ocorrendo em todo o varejo, no canal farma, a falta de mão de obra continua a ser um problema recorrente em diversas regiões do Brasil. E, dada a constatação irrefutável de que a operação do varejo farmacêutico exige que os pontos de venda do canal se especialize e busque valorização, o papel do gerente de loja cresce de forma exponencial.

E esse papel é marcado pela multiplicidade. Responsabilidades como gestão do estoque, pelo mix de produtos, pela prevenção de perdas, pelo controle das despesas, pela gestão de pessoas, pelo contato com clientes e fornecedores são, “apenas”, algumas de suas funções. A verdade é que suas decisões influenciam diretamente no desempenho das drogarias, seja nas grandes redes seja nas pequenas ou nas farmácias independentes. Mesmo assim, pode-se evidenciar diferenças quando se compara um player de maior porte com um de pequeno comerciante. Em empresas maiores, o cargo de gerente de loja existe e pode fazer parte de um plano de carreira. Já quando falamos de pequenas drogarias ou das independentes, essa função é exercida geralmente pelo dono, que muitas vezes também é o farmacêutico. Tal contingência, entretanto, pode funcionar como uma usina de problemas, uma vez que, na maciça maioria dos casos, esses proprietários não têm noções avançadas de gestão e de administração de negócios. Neste último caso, o futuro tende a ser tenebroso para os varejistas, já que eles estão fadados a desaparecer ou senão, como um movimento natural no setor, perder espaço para as grandes redes.

Função complexa
Em função da sua característica de “faz-tudo”, a autonomia dos gerentes é total. E, em algumas farmácias ele pode até tomar decisões em áreas como de layout e merchandising, além de suas habituais obrigações administrativas. No caso da Farmácia Indiana, rede com mais de 60 lojas em Minas Gerais e na Bahia, o dedo do gerente é fundamental na área de Vendas. “O resultado depende muito da atuação dele, ter foco, ser sistemático no acompanhamento das metas, ser um bom incentivador e motivador da equipe, fazer a prevenção de perdas, ter a boa atuação para assegurar melhor o controle  de vencidos, inventários e pequenos furtos”, afirma Thatiane de Souza Almeida, gerente de Recursos Humanos da rede mineira, que cita ainda que a companhia tem muitos exemplos de ações de sucesso na empresa que foram dados por gerentes.

Na Drogarias Pacheco São Paulo, o gerente de loja também tem função estratégica e, entre as suas atribuições, também está a responsabilidade pela formação da equipe e por assegurar que todos os processos estão sendo rigorosamente seguidos. Além de tudo isso, ele também precisa agir na identificação das necessidades dos clientes. “Os gerentes estão diretamente envolvidos em tudo o que acontece na loja. Isso inclui, além de tarefas básicas como o acompanhamento de estoque, outras mais complexas, como a manutenção de um olho sempre aberto na movimentação dos concorrentes, como também a formação e motivação de sua equipe, para identificar os talentos do seu grupo e, ainda, indicar colaboradores para treinamentos e promoções”, reforça Luzia Raleigh, diretora de RH da DPSP.

“O gerente precisa agir como líder, auxiliar no desenvolvimento dos seus colaboradores, aplicar gestão baseada em resultados e indicadores. O profissional precisa ser detalhista e como atitude, precisa ser visto como exemplo de conduta, pois o gerente é a referência da sua equipe que, por sua vez, é a cara do seu gestor. Na Brazil Pharma, costumamos dizer que o gerente é o ‘dono’ da loja. Como tal, deve-se sentir responsável pelo bom andamento e crescimento do ponto de venda”, opina, por sua vez, Rafaella Andrade, gerente de RH da Brazil Pharma.

Como bem avalia Vinícius Martins Pedroso, gerente comercial do Instituto de Desenvolvimento do Varejo Farmacêutico (IDVF), o fato de o gerente ter conquistado uma maior autonomia da loja está intimamnete ligado ao fato de que ninguém como ele tem uma vivência diária tão completa da atmosfera de cada unidade. E é exatamente por conta disso que toma essas decisões tão importantes para o desempenho das drogarias. “Isso faz com que ele seja cobrado mensalmente, semanalmente e até diariamente pelo desempenho da lojs”, explica.

Vinícius ainda contextualiza quando falamos de redes, sobre o momento em que o gerente precisa replicar o modelo da matriz para a realidade de sua loja; “Isso é feito de maneira padronizada, e vem de cima para baixo. O gerente pode trabalhar em loja de acordo com as características de sua região. Pode até alterar uma ponta de gôndola, por exemplo, mas sempre seguindo o padrão da companhia. As redes também fazem reuniões entre gerentes com frequência, para compartilhar ideias e experiências de sucesso que tiveram em determinadas lojas. E dependendo como for, essa experiência pode até ser utilizadas em outras lojas”, exemplifica. 

O algo a mais
Mesmo com as redes de farmácias enfrentando dificuldades para encontrar mão de obra espacilizada, verdade é que bons profissionais existem nessa área. E, para identificá-los com segurança, os varejistas farmacêuticos precisam conhecer exatamente quais são as características que definem um bom gerente. Para Vinícius Martins Pedroso, um fator é primordial é a aptidão que ele precisa ter para aliar a visão comercial com a visão da saúde. “O gerente também necessita trabalhar em parceria com o farmacêutico, para que fique ciente de coisas que ocorrem e que são do âmbito específico da área da saúde, como o conhecimento sobre leis sanitárias, por exemplo. Além disso,  precisa buscar qualificação e atualização constante, procurar realizar cursos nas áreas administrativas e financeiras, e por que não, na área sanitária”, sintetiza o executivo do IVDF.

Tatiana Ferrara Barros, farmacêutica e vice-coordenadora da Comissão Assessora de Farmácia do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), compartilha a opinião de Vinícius e, ainda, alinha alguns outros atributos importantes para definição do perfil de um bom gerente: “Visão estratégica e alinhada com a empresa, liderança da equipe, ética, entender que é fundamental que a venda seja boa para os dois lados, tanto o da empresa e quanto o do consumidor, para criar relacionamentos com os clientes a longo prazo”, registra.

As redes de farmácias também dão sua receita para que um gerente se destaque na função: “Inteligência emocional, pró-atividade, se relacionar bem e gostar do varejo. Tem que ter energia”, diz Thatiane de Souza Almeida, da Farmácia Indiana. Conhecimento do setor é algo imprescindível para a Brazil Pharma, de acordo com Rafaella Andrade.”Um bom gerente é um profissional dinâmico, proativo, que conheça muito bem o setor e que compartilhe os valores da companhia. Deve entender a importância do respeito e cuidado conferido tanto aos clientes quanto a sua equipe, saber multiplicar conhecimentos, formar e incentivar pessoas”.

Para não perder sua identidade, o cargo gerencial dentro da Drogaria São Paulo é ocupado apenas por pessoas que já trabalham na rede, pois está dentro do planejamento de carreira da companhia. “Dessa maneira garantimos que ele tenha conhecimento profundo da empresa e da sua área de trabalho; tenha habilidade e iniciativa para solucionar os problemas diários internos e externos focando sempre o resultado da loja e a satisfação do cliente. Precisa ter integridade e tem de saber trabalhar em equipe; adicione a isso ser comprometido e disciplinado”, acrescenta Luzia Raleigh, da DPSP.

Dois coelhos numa cajadada só
Ainda abordando a falta de mão de obra no varejo farmacêutico e também acerca de plano de carreiras dentro das farmácias, um movimento natural pode acontecer diante deste cenário: o farmacêutico virar gerente. Para o gerente Comercial do IVDF, algumas redes chegam a estimular esse movimento, pois também é uma boa oportunidade para o farmacêutico. Porém, faz ressalvas. “Neste cargo de gerente, ele tem que saber dosar as duas funções: a de farmacêutico e a de gerente. Esse movimento não deixa de ser um corte de custos por parte das redes, mas também é um reconheciento do trabalho deste profissional e não deixa de ser um estímulo para o farmacêutico. Porém, há muitos deles que são donos de farmácias e que não têm o menor conhecimento administrativo e financeiro. E desta forma sofrem com isso”, alerta Vinícius Martins Pedroso.

Apesar de reconhecer que muitos farmacêuticos não possuem perfil para assumir o cargo de gerente, a vice-coordenadora da Comissão Assessora de Farmácia do CRF-SP afirma que na administração de empresas não existe certo ou errado e sim o que traz os melhores resultados para a empresa. “Há farmacêuticos com excelente perfil gestor. A visão do farmacêutico permite que sejam construídos relacionamentos a longo prazo com o cliente. Por outro lado, pode haver comprometimento da assistência farmacêutica, principalmente da atenção ao paciente/cliente e das outras atividades técnicas a serem desenvolvidas pelo farmacêutico. Por esse motivo, orientamos os farmacêuticos que optarem em assumir o cargo de Farmacêutico Gerente para que desempenhem seu papel de acordo com os preceitos éticos e zelando pela profissão farmacêutica”, considera a Dra. Tatiana Ferrara Barros, que lista ainda como os farmacêuticos devem proceder no cargo de gerente.

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