Mercado de sabonetes: vegetalizar ou não vegetalizar?

Pioneira nesse movimento pró-ecologia, a Natura, desde 2005, adotou a solução da vegetalização para todos os seus sabonetes em barra, com o intuito de substituir as matérias-primas de origem animal, mineral ou sintética, por insumos vegetais, cultivados de maneira sustentável. A guinada proposta pela Natura no mercado de sabonetes se deu de forma radical, a partir da constatação e da busca por alternativas à massa de origem animal – como sebo ou gordura animal e óleo de babaçu –, encontrada até hoje nas formulações da grande maioria dos sabonetes à disposição do consumidor. Por meio de pesquisas, a empresa chegou à composição dos Sabonetes Puro Vegetal, que têm como base uma massa constituída por três componentes vegetais, responsáveis pelas características de um sabonete: óleo de palma, que confere emoliência à massa do sabonete; a estearina de palma, que dá consistência à massa; e o óleo de palmiste, que proporciona a espuma.
Assim, ao ampliar a gama de sabonetes em barra desenvolvidos a partir do óleo extraído do fruto da palma, a Natura, de uma só tacada, buscou oferecer aos seus consumidores produtos com ótima performance de limpeza, espumação, suavidade e perfumação – bastante valorizados por eles –, ao mesmo tempo em que reforçou sua postura e valores, ao oferecer produtos inseridos num contexto social, ambiental e econômico que envolve o compromisso de utilização de ativos obtidos de forma sustentável.

Entretanto, a vegetalização dos sabonetes ainda é um assunto controverso no mercado. Ela surgiu como solução eco-friendly definitiva, mas logo esbarrou com problemas derivados do fato de sua matéria-prima ser mais cara e, também, em função de uma dúvida atroz: será que o consumidor é capaz de entender e, efetivamente, considerar o apelo de “produto vegetalizado” como fator decisivo na hora da compra? Ou será, que para ele, este é, meramente, mais um apelo de marketing?


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“A Razzo tem uma massa para cada tipo de cliente. Acreditando na sustentabilidade, temos também a massa base 100% vegetal em nosso portfólio. Trata-se de um produto certificado com origem vegetal, que atende a um mercado que no Brasil é uma fatia pequena, quando comparada a outros países, devido ao preço ser maior. Mas é uma tendência de mercado que vem crescendo a cada dia”, afirma Gustavo Razzo, presidente da Razzo, companhia que atua no mercado de sabonetes, tanto no B2B, fornecendo matéria-prima para a indústria, quanto no B2C, com produtos acabados para o consumidor final.

“É verdade que o custo das matérias-primas com apelo vegetal é substancialmente mais caro, e que isso impacta o consumidor na hora da compra. Porém, nota-se que a exigência de itens 100% vegetais vem ganhando espaço no mercado e muitos consumidores já buscam produtos naturais”, argumenta Andreson Rezende, diretor da empresa de terceirização Guati. “Acreditamos que, gradativamente, os sabonetes vegetalizados passarão a ser um produto de massa, na medida em que o consumo aumentar, gerando um consequente aumento da produtividade aumente. Esse é um ciclo natural para conseguirmos atingir o equilíbrio da natureza. O responsável por esta transformação é o próprio mercado. Acreditamos que não teremos volta nesse processo, visto que é uma exigência do consumidor final”, convalida Norberto Kalmus, também diretor da Guati.

Tal entendimento, porém, está longe de ser uma unanimidade.“Obviamente, existem consumidores exigentes e dispostos a pagar mais caro por um produto eco-friendly e alguns outros produtos que conseguem suportar essa diferença de preço da massa base por ter alto valor agregado e se posicionar no mercado de luxo. Temos clientes que só trabalham com massa vegetal e conseguem fazer com que o apelo 100% vegetal seja válido aos clientes deles. Mas essa fatia de mercado é pequena”, contra-argumenta  Rodrigo Papov, gerente de Marketing & Produtos da Leclair, empresa que também atua na terceirização de sabonetes.
Segundo o executivo da Leclair, a única forma para que os sabonetes com base vegetal se mantenham no mercado de forma competitiva seria a equalização de preços dos fornecedores dessa matéria-prima, o que ele, entretanto, ele considera algo quase improvável. “A origem do óleo de palma e babaçu é o sudoeste asiático, embora alguns países da América do Sul também estejam se destacando como produtores. Para processar a massa base no Brasil, os fabricantes precisam enfrentar um processo demorado e incerto de importação. E com o dólar sempre acima de R$ 2,00 o produto final acaba ficando aproximadamente 45% acima da massa de origem animal. Sem contar que o Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo e produz provavelmente a melhor massa base animal para sabonetes do mundo por utilizar sebo de boa qualidade e procedência”, justifica.

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