O princípio por trás das "Lovemarks"

A verdade é um princípio básico. Quando aplicado, gera um valor chamado confiança.

Quando não há verdade, o valor não é gerado. O princípio, como o próprio nome diz, é começo, é fundamento, é base, é o início. É uma energia que, aplicada, vai motivar todo o projeto, ou toda uma estratégia.

Antes de ser um princípio, ou seja, antes de ser aplicada, a verdade é uma virtude existente no caráter de pessoas. Essas pessoas, quando entram em ação, usam a verdade como princípio e geram um valor perceptível a todos: a confiança.

O processo de percepção acontece através dos sentidos - ver, ou ouvir, ou tocar, ou cheirar, ou saborear... 

Um lugar que podemos visitar para colhermos vários exemplos de geração de confiança é a relação entre uma mãe e seus filhos. A mãe usa a verdade de seu amor em todo o processo de relacionamento. O filho, se sentindo amado (confiança no amor), absorve os ensinamentos e os ?acessórios complementares? que a mãe utiliza. Por exemplo: os primeiros cuidados com a higiene, os produtos utilizados - é a mistura da voz da mãe, com o cheiro do sabonete, a sensação na pele... Não é preciso dizer que a confiança na marca foi plantada pela mãe. A marca ficou parte daquela verdade: minha mãe me amava e usou aquele produto em mim. Vou usar o mesmo no meu filho.

Muito se foi dito sobre o marketing emocional. E muito se foi feito utilizando isso como estratégia. Mas o segredo das "Lovemarks"* não são os story tellings. São as pessoas que acreditaram na marca, experimentaram a sua verdade e passaram essa verdade adiante. 

A questão é: hoje, num mundo onde as pessoas não sabem estar com qualidade, como gerar percepção? 

Estar com alguém de verdade é estar com os sentidos abertos para esta pessoa. Para sentir é importante ver, olhar, dar atenção, ouvir, perceber as expressões. A conclusão advém dessa percepção. É justamente nesse momento que entra o princípio verdade.

Levando-se em conta que tudo começa conosco, devemos avaliar como é o nosso estar... É virtual ou é real? Como aprender uma virtude sem ter a inspiração de um relacionamento? Como transformar uma virtude em um princípio, sem os sentidos?

Como citado acima, a história de muitas "Lovemarks" começou com experiências em família. Mães com seus filhos. Filhos com avós. Avós com netos. Amigos em viagem... E por aí vai... Histórias reais que, por serem verdadeiras (foram sentidas), foram passadas de geração em geração. 

A verdade é a força motriz ? é o que traz a emoção. É o que conecta - é o plug. É o que cativa.  

As pessoas estão ávidas por verdades. Existe toda uma geração que, por falta de relacionamento - porque a maioria vive num mundo virtual -, está sedenta por encontrar marcas que lhe ofereçam histórias genuínas com as quais possam se conectar. 

Muito se tem falado sobre a importância das marcas contarem uma história. Aliás, já faz alguns anos que os desenvolvimentos de marcas e produtos, são baseados nos (agora) mundialmente famosos story tellings. O problema é que cada vez mais estão criando histórias, pensando numa forma fácil de vender o produto, sem se preocupar com o principal: a verdade - o plug de conexão com as pessoas. 

Nossas melhores histórias são com pessoas. Elas acontecem quando estamos com nossas janelas abertas, ou seja, de corpo presente com alguém. Quando sentimos cada detalhe e vivemos o momento. "O leite batido com Nescau, que só a minha mãe sabia fazer... Hoje eu faço para minha filha". "O batom vermelho que a minha avó usava... Minha tia só usa esse batom!".

Pessoas engajadas com a verdade de outras pessoas criam produtos que vão ao encontro das necessidades do consumidor e geram confiança. São histórias que se encontram e fazem nascer uma marca do coração ? uma "Lovemark".


*Lovemarks: Conceito criado pelo publicitário Kevin Roberts. Ref. LOVEMARKS - O futuro além das marcas (Kevin Roberts ? 2005)

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