Proteção solar: sua majestade, o astro-rei

Mercado de proteção solar se prepara para a chegada da estação mais quente do ano, com novas tecnologias, de olho nas regulações e, principalmente, visando garantir a saúde da pele dos consumidores   
 

Não é à toa que o verão é o período mais esperado do ano no Brasil. Isso pode ser levado em conta de acordo com o ânimo da população em aproveitar o imenso litoral de norte a sul do País. Mas não são apenas as praias que acentuam as expectativas dos brasileiros com a chegada desta estação. As atividades ao ar livre, as maravilhas do campo e de cidades interioranas são outros atrativos que podem ser melhor aproveitados com o calor. Mas nem tudo são flores neste período tão querido por muitos. A realidade atual de quando estamos falando de dias ensoladoras engloba preocupação e cautela quanto à exposição ao sol. E isso durante todo o ano, nas cinco regiões do País.

A incidência cada vez maior de raios ultra-violetas na Terra aumenta dramaticamente o índice de pessoas que desenvolvem o câncer de pele. Sendo assim, em um mix de preocupação e conscientização, a indústria fabricante de protetores solares está incumbida de fornecer ao mercado produtos que ofereçam tal proteção. A consciência por parte da população também joga a favor, fazendo com que o uso diário de filtro solar também cresça. Mesmo assim, a utilização deste tipo de produto se dá praticamente apenas no verão. Os dados fornecidos pela Euromonitor International comprovam este cenário. Segundo a consultoria britânica, esta estação do ano é a principal responsável pelas vendas na categoria de proteção solar (65%); e mesmo entre aqueles que usam tais produtos neste período, o uso ocorre na maior parte dos casos na praia ou na piscina.

Mas mesmo que a preocupação com a saúde da pele cerque a realidade desta categoria no Brasil, a venda de protetores solares vêm alcançado desempenho crescente. Ainda de acordo com análise da Euromonitor, estes itens obtiverem vendas de US$ 1,4 bilhão em 2012, o que representou um crescimento de 142,4% desde o ano de 2007. O próprio fato de os consumidores estarem se conscientizando dos efeitos nocivos da exposição excessiva ao sol sem uma proteção adequada é apontado pela consultoria como fator que continuará impulsionando o consumo de protetores solares no País. Além disso, o envelhecimento da população também é indicado como responsável pelo aumento de consumo destes produtos e neste cenário, na visão da Euromonitor, os fabricantes devem explorar o fato de que esses produtos ajudam a prevenir sinais de envelhecimento na pele facial, com o uso regular.

Sol verde-amarelo
Os hábitos de consumo no território brasileiro apresentam inúmeras particularidades por conta das características de cada região do País. Essa enorme diversidade também pode ser verificada quanto aos aspectos regionais quando falamos do tratamento para com o sol. Já visando a próxima temporada mais quente do ano, a Johnson & Johnson, que abastece o mercado de Proteção Solar com as marcas Sundown, ROC e Neutrogena, encomendou uma pesquisa em todo o Brasil que revelou que, entre muitas constatações, a radiação é diferente em cada uma das cinco regiões do território nacional. Só para se ter uma ideia das situações distintas que acontecem por aqui, enquanto o auge do calor atinge as regiões Sul e Sudeste entre novembro e fevereiro, no Norte este período acontece em julho e no Nordeste ocorre durante todo o ano.

Outra curiosidade que escancara essa realidade diversa do clima tupiniquim é indicada por Marcelo Corrêa, especialista em meteorologia física e coordenador da Universidade Federal de Itajubá (MG). Segundo ele, os valores máximos de índices ultravioletas (IUV) observados no Brasil ocorrem no Sudeste do País durante  o verão. A explicação é por conta de a posição geográfica (em torno de 23° de latitude) coincidir com o ângulo de inclinação do planeta, sendo assim os fluxos de radiação são mais intensos, chegando a  14. No Nordeste, este índice cai para 11, o que ainda assim é considerado muito alto e inspira cuidado redobrado caso a pessoa se exponha ao sol.

O estudo ainda aproveitou para derrubar alguns mitos existentes quanto à exposição solar. Primeiro, lembrou que temperatura alta não é sinônimo de radiação forte. No País, os níveis de radiação UV são muito elevados na maior parte do ano e em quase todo território brasileiro. Além disso, quanto maior a latitude, maior o efeito da sazonalidade. A pesquisa trouxe alguns insights que exemplificam esta afirmação: no Nordeste, os níveis de radiação UV são altos ou extremos durante praticamente o ano todo, mas por outro lado, os recordes (valores máximos de IUV) observados no Brasil ocorrem no Sudeste. No verão, o sol de São Paulo é mais forte que o do Nordeste. Já em termos de dose acumulada de radiação, as regiões Norte e Nordeste superam o Sul e Sudeste.

Dentro da legalidade
As exigências dos órgãos regulatórios para com este mercado são intensas pelo fato de envolver questões de saúde. Há pouco mais de um ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma resolução com novas regras para o protetor solar. Ações como aumentar o valor mínimo do FPS de dois para seis; garantir proteção contra os raios UVA de forma que seja no mínimo 1/3 do valor do FPS declarado; comprovar características como por exemplo “resistente à água”, para poder especificar nos rótulos; entre outras indicações, já estão sendo realizadas pelas marcas. Logicamente, isto também implica nas formulações que são buscadas pelas empresas.

Para Jadir Nunes, vice-presidente Administrativo da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), esta série de imposições regulatórias, num primeiro momento, pode parecer “limitação” para que as empresas apresentem mais produtos e tecnologias inovadoras. “Mas na realidade o que se busca é uma maior proteção ao consumidor nessa tão importante categoria de produtos para um país de clima tropical como o Brasil. Não creio que a legislação é quem afeta diretamente a inovação dos produtos, mas sim o poder e estrutura que as empresas têm para investir ou estabelecer parcerias estratégicas na área de P&D/Inovação. A forma como as empresas se relacionam com fornecedores de matérias-primas e materiais de embalagem, universidades, centros de pesquisa, empresas que prestam serviços em estudos de segurança e eficácia, entre outros. Tudo isso é o que vai definir e impactar diretamente no maior ou menor nível de inovação dos produtos”, destaca.

Ainda de acordo com o dirigente da ABC, em linhas gerais, o Brasil e o Mercosul estão mais alinhados com a legislação europeia, principalmente quanto à listagem de filtros solares permitidos nestas regiões e que ainda são proibidos nos Estados Unidos. “Outra diferença é quanto à preferência do sensorial dos produtos pelos brasileiros que, devido à predominância de pele mais oleosa, é por produtos com toque seco, que não sejam muito pesados principalmente nas versões de uso diário. Hoje é importante considerar também a busca da mulher brasileira pela praticidade, um exemplo típico é o sucesso de produtos 2 ou 3 em 1 como bases de maquiagem que têm proteção solar, BB Creams, etc”, avalia. 

Nova ameaça?
O mercado de Proteção Solar sempre se ateve à contenção dos raios ultravioletas UVA e UVB. E além de os índices ultravioletas incidirem em altos níveis em todas as regiões brasileiras, há mais um “inimigo” da pele que está começando a atormentar os dermatologistas e pode ser um fator que começará a influenciar neste mercado. Trata-se dos raios infravermelhos, que foram descobertos recentemente por cientistas e que são enviados pelo sol em uma quantidade que é prejudicial à pele, já que a penetram com mais profundidade, levando à geração de radicais livres em excesso, interferindo na síntese do colágeno e contribuindo para o envelhecimento. O agravante destes raios infravermelhos IR-A é o fato de não existir muitos meios se proteger deles. Porém, pesquisas realizadas pela indústria cosmética indicam que dois ativos neutralizam a ação dos raios depois de já terem entrado no corpo: o GP4G (extrato de um plâncton) e a orsitina (extrato de arroz).
De olho na oportunidade criada por esta descoberta, a Episol, marca da Mantecorp que compõe o enorme portfólio da Hypermarcas, apresentou no início deste ano o primeiro protetor solar contra os raios infravermelhos. Dispostos nas versões FPS 30 e FPS 50, o Episol MIT uniu os dois ativos citados anteriormente (GP4G e orsitina) em sua formulação para ter um produto que, além de proteger contra os raios UV, visa preservar estruturas e funções da pele, evitar danos ao DNA mitocondrial, prevenindo o fotoenvelhecimento e tornando-se um aliado como potencializador no tratamento com rejuvenescedores.

Outra companhia que procurou oferecer ao mercado brasileiro um produto que possa combater a esse “novo mal” foi a Belcorp. A empresa peruana, que está presente no País por meio de suas revendedoras, trouxe recentemente ao Brasil o L’Bel UV Defénce 365 Total, um protetor solar facial de uso diário que tem como grande diferencial o antioxidante OTZ-10, formulado pela Exymol, uma fabricante de especialidades cosméticas baseada no principado de Mônaco, na França. O ativo ajuda a prevenir a pele dos efeitos prejudiciais do sol causados por estes raios infravermelhos. Além disso, sua formulação conta com modernos filtros UVB e UVA, ingredientes naturais e é enriquecido com ácido fítico, extraído do farelo de arroz. O produto conta com o selo da Skin Cancer Foundation, que comprova a eficácia da proteção solar oferecida. Ainda são poucos os produtos no mercado que oferecem a proteção contra os raios IR-A. De acordo com John Jimenez, cientista-chefe da Belcorp, filtros específicos de proteção contra estes raios, só devem chegar ao mercado em um período de 15 a 20 anos.

Tecnologias do momento
Na visão de Jadir Nunes, da ABC, as tecnologias existentes na categoria de protetores solares geralmente estão mais focadas no desenvolvimento e/ou aperfeiçoamento dos filtros solares. “Amplo espectro de proteção UVB/UVA e multifuncionalidade são atributos que se buscam sempre. Outros ativos que possam colaborar com outros mecanismos relacionados à  exposição solar, como antioxidantes, antirradicais livres ou potencializadores de FPS, também vêm sendo muito cogitados. Outra parte importante seriam os promotores de sensorial – de tornar o produto agradável ao uso, principalmente naqueles destinados ao ‘uso diário’ nas áreas expostas, quando o consumidor se desloca de caso ao trabalho ou para a escola”, sintetiza o vice-presidente Administrativo da Associação Brasileira de Cosmetologia.

Já para Christine Botto, analista de Marketing Sênior de Personal Care da Basf, que fornece matérias-primas para esta categoria, o fato de a nova legislação do Mercosul permitir protetores solares com FPS até 99 representa um grande desafio. “Isto ocorre pois quanto maior o FPS, é mais difícil manter a razão de 1/3 de proteção UVA em relação à proteção UVB, com um sensorial agradável para o mercado sulamericano”, informa. Ainda segundo a analista, o Tinosorb A2B é uma solução para FPS altos, que oferece sensorial seco e não desbalanceia a relação 1/3 com sua adição porque também protege do UVA II. “A inspiração para o desenvolvimento de Tinosorb A2B foi a de criar um filtro UV o mais eficiente possível. Esta é a última solução inovadora de filtro UV para protetores solares que a BASF lançou no mercado. Trata-se de um novo filtro UV que abrange a gama UVB e UVAII (de 290 a 340 nm), suprindo a deficiência de proteção UVAII dos filtros UV até então disponíveis no mercado”, discorre.

Marcia Eichstadt Nogueira de Paula, diretora da Business Unit de Life Essentials da Symrise, unidade que desenvolve ingredientes cosméticos e filtros solares desta casa de fragrância, endossa o coro de que os protetores solares não conseguem proteger a pele 100% e que, por conta disso, muitos ativos têm sido lançados no mercado com o objetivo de completar a proteção solar e a reparação dos danos causados  pelo sol. “Um exemplo é o SymHelios,  ativo que complementa a proteção UV,  além de promover a proteção das células contra o fotoenvelhecimento precoce e neutralizar a toxinas formadas na pele exposição solar e por poluentes ambientais”, informa. Segunda ela, a grande questão é que o consumidor entende que o sol pode causar problemas desde envelhecimento precoce até câncer de pele, por outro lado as pessoas gostam de se bronzear. “Como tratar esta questão? Pensando nesta necessidade do consumidor, a Symrise lançou este ano o ativo SymBronze, que foi premiado pela BSB como ativo inovador. Ele é um estimulante da pigmentação natural da pele, não é um autobronzeador que dá pele um tom laranja não é natural. Estimula a produção de melanina mesmo sem que a pessoa se exponha ao sol, estimulando a cor natural da pele. SymBronze  é fruto de 10 anos pesquisa e obtido pela inovadora tecnologia Blue Technology.”

Atenção com os raios mercadológicos
Por conta das alterações climáticas dos últimos tempos e as consequentes regulações, o mercado de Proteção Solar sofreu diversas mudanças. Sendo assim, a indústria fabricante que atua nesta categoria precisou se moldar a estas realidades impostas, a fim de nunca deixar de oferecer proteção aos seus consumidores. A ADCOS assegura que está sempre acompanhando as tendências do mercado mundial e seguindo as legislações exigidas pela Anvisa, porém procurando trazer algo a mais. “Temos uma linha completa de fotoprotetores para atender aos mais variados fototipos. Além disso, temos a preocupação de inovar nas texturas e tonalidades, de forma que elas se adaptem aos diferentes tipos e tons de pele brasileira”, garante Karoline Pellacani, farmacêutica especialista em Cosmetologia da ADCOS.

A profissional explica ainda que, para realizar este acompanhamento das tendências do mercado mundial, a empresa participa de feiras nacionais e internacionais, onde são apresentados os novos ativos. “E a partir daí, desenvolvemos produtos cada vez mais inovadores. Foi percebendo um movimento do mercado, de oferecer uma proteção cada vez mais completa, que fomos os pioneiros em comprovar que nossos filtros protegem também contra a luz visível, como a do computador, de lâmpadas, etc. Um exemplo de produto inovador que faz parte do portfólio da ADCOS é o Filtro Solar Tonalizante Duo Cake FPS 50, um produto 3 em 1, que conta com a tecnologia do ativo ácido hialurônico. Além de proteger contra os efeitos solares, ele promove cobertura natural à pele e preenche as rugas e linhas de expressão”, emenda Karoline.

Com o intuito de conquistar um espaço de respeito no mercado brasileiro, a francesa Pierre Fabre passou a desenvolver produtos específicos para as necessidades da pele brasileira. Sendo assim, as marcas Darrow e Avène ganharam fórmulas com toque seco, que combatem à oleosidade, uma característica marcante na pele dos brasileiros, por conta do clima quente e úmido. O último lançamento da marca aqui, a linha Avène Solar Toque Seco, foi pensada especialmente para as necessidades dos consumidores do País; sendo que os quatro produtos da linha: Avène Solar Toque Seco FPS 30, Avène Solar Toque Seco FPS 30 Color, Avène Solar Toque Seco FPS 50+ e Avène Solar Toque Seco FPS 50+ Color, trazem ativos exclusivos e possuem ação seborreguladora, matificante e antioxidante, além de serem indicados para peles mistas, oleosas e acneicas, e podem ser utilizados por peles sensíveis.

Portfólio quente
Baseado nas características regionais obtidas por meio de pesquisa, a Johnson & Johnson já está com seu portfólio preparado para o verão 2013/14. A marca ROC Minesol apresenta o Actif Unify FPS 80, que representa o FPS mais alto já desenvolvido por ROC e chega para complementar a linha Minesol Actif Unify, que já conta com FPS 30 e FPS 60. O novo produto leva a tecnologia Total Soya, uma descoberta da Johnson & Johnson há mais de 10 anos, que ajuda a uniformizar a tonalidade da pele. Para a temporada deste ano, Sundown reforça a nova fórmula SunBalance, com textura mais leve e fácil de espalhar e a mesma fragrância com efeito refrescante, que oferece duas horas de resistência à água e suor. Além disso, a variante Sundown Kids traz uma edição comemorativa com Fuleco, mascote da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014. Já Neutrogena consolida o lançamento da linha Sun Fresh, que oferece proteção com textura ultraleve e de rápida absorção. É o primeiro protetor corporal em bisnaga, com design inovador, moderno e feminino e fragrância agradável.

Para a próxima estação mais quente do ano, a L’Oréal Paris, que pertence à Divisão de Grande Público da companhia de origem francesa, também está preparada com novas versões de sua marca Solar Expertise. A primeira novidade é a Invisilight, desenvolvida especialmente para o Brasil e com tecnologia baseada em filtros patenteados Mexoryl, que oferecem ampla proteção contra os raios UVA e UVB. Além disso, o item possui acabamento invisível, sem traços brancos na pele, e com textura leve, fluida, fácil de espalhar e imediatamente absorvida pela pele. Esta nova gama Solar Expertise Invisilight é composta por loção FPS 30 para corpo e rosto; e protetor solar facial com textura sérum e FPS 30. A outra gama de L’Oréal Paris é o Sublime Protection, com alta proteção que proporciona um bronzeado iluminado e máxima hidratação. Também conta com o ativo Mexoryl, além de óleo de Argan, rico em Ômega 3 e 6 e Vitamina E, visando nutrir a pele intensamente e fornecer os mesmos benefícios que um produto para tratamento da pele. Sublime Protection está disponível nas versões FPS 15, 30 e 50, para corpo e rosto.

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