Rio de Janeiro: O lado feio do Rio

Rio de Janeiro: O lado feio do Rio
Não existe beleza no Rio de Janeiro capaz de esconder as mazelas vividas pelo estado e sua população nos últimos tempos. E olha que a natureza realmente caprichou ali. Mas, se lembrarmos de que os três últimos governadores, o presidente da Assembleia estadual e o deputado mais poderoso do estado estiveram, num dado momento, presos ao mesmo tempo é porque algo de errado existe na governança do estado.

Mas antes de falarmos de problemas como segurança e das finanças locais em frangalhos, pontos que impactam diretamente a vida e a operação das empresas no Rio, é preciso abordar um problema que aflige os consumidores do Rio: o atendimento.

"O atendimento no Rio é muito ruim mesmo", lamenta Luís Carlos Marins, presidente da Ascoferj. Isso num contexto em que é preciso reconhecer que, via de regra, o atendimento no varejo brasileiro já não é dos melhores. Para o dirigente, o erro já começa na gestão da empresa, no processo de recrutamento e seleção. "Não existem pessoas erradas. Existem pessoas no lugar errado. Se o cidadão não gosta ou não tem habilidade para lidar com pessoas, ele não pode estar na linha de frente do atendimento", diz. E depois de contratar certo é preciso treinar o funcionário de forma adequada. De forma geral, o acesso à informação faz com que você tenha que se movimentar. Não tem mais como ficar parado esperando as coisas acontecendo.

Para Philippe de Carvalho, da Pierre Fabre, é um desafio obter um serviço de melhor qualidade no Rio. "Como cliente, eu vejo que é pior. Não sei se tem a ver com uma cultura de informalidade." Para o executivo da Pierre Fabre, o problema tem mais a ver com a qualificação, o nível de treinamento das pessoas e o que o empregador oferece para isso. "Também não adianta reclamar do funcionário se você pagar uma miséria e não treiná-lo de forma adequada. Não vejo isso no mercado de dermocosméticos, justamente porque as empresas e as redes trabalham muito fortemente essa questão do treinamento", pontua. 

Lidar com a cultura de atendimento de baixo padrão no Brasil, e mais ainda no Rio, demanda uma luta constante para melhorar. A Pello Menos investiu em um centro de treinamento para as depiladoras e os franqueados da marca. 

A crise do funcionalismo
Ainda resquício de sua história como capital da Colônia, do Império e, depois da República até a década de 1960, o peso do funcionalismo público no Rio é muito grande, em todas as esferas. Quando o estado deixa de pagar seus servidores por falta de recursos, o impacto sobre o varejo e a indústria local, especialmente as empresas menores, que não têm a escala e a capilaridade de uma grande multinacional, se faz sentir na pele. 

Para driblar a crise e ajudar as clientes a não deixarem de se depilar todos os meses, a Pello Menos criou um plano de assinaturas, nas quais a cliente se compromete com um contrato anual para 12 sessões e, por essa fidelidade, paga um valor mensal significativamente menos do que o valor do serviço no balcão. "Baseados em estatísticas, entendemos a diminuição na frequência das nossas clientes e criamos o plano de assinatura que diminui em quase 40% o custo da depilação. Fidelizamos essas clientes e elas estão felizes", conta a presidente da Pello Menos.




Logística do medo
"Recentemente, conversei com um diretor de uma transportadora. Ele costumava ter dois veículos roubados por ano. Hoje ele tem dois por mês", conta Marins. Esse é só um exemplo do drama que se converteu a movimentação de cargas, de qualquer natureza, no Rio de Janeiro. Obviamente isso encarece a operação e impacto no preço do produto final.

Algumas situações chegam a ser trágicas. Nádia Armelin, da Yenzah, diz que já recebeu ligações da fábrica dizendo que naquele dia o caminhão não pode sair da fábrica. "E a gente não consegue descobrir o porquê. Só que naquele dia não vai sair", conta.

Embora existam regiões extremamente críticas, como a Pavuna, um centro logístico tradicional na cidade, a movimentação de carga por toda a cidade ficou mais sensível. As seguradoras não estão fazendo a apólice para certas regiões da cidade. Algumas transportadoras também não estão fazendo entregas em qualquer lugar. Em alguns casos, a carga vai até um entreposto e o destinatário precisar ir ele mesmo até lá. Isso tem acontecido muito com as entregas de venda direta. "Cosméticos é carga de alto valor e, mais do que isso, de alta liquidez", lembra Felipe Soares, da Lola. O executivo conta que não tem mais a disponibilidade de transportadoras e de veículos que tinha quatro anos atrás. "Isso está dificultando? Está. Mas não a ponto de sair do estado. A gente acredita no Rio, somos parte da cidade e não é porque a coisa piorou que nós vamos sair. Temos que ficar e ajudar a reverter essa situação", garante o diretor da Lola. "Eu não posso me coibir de crescer e de pensar grande por conta do problema de carga do Rio", corrobora Regina, da Pello Menos. "Temos de acompanhar esse novo modo de viver, com mais cuidado e encontrar soluções", continua.

No varejo, a situação também é crítica. As farmácias são pontos visados para roubos e o varejista tem que ter sistema de segurança no seu estabelecimento e estabelecer procedimentos e processos para mitigar esses riscos, fazer regularmente a sangria e depositar o dinheiro com frequência. "É lógico que isso tem custo, que é repassado para o consumidor. E a gente anda o tempo todo com  um sensor e um alerta", lamenta Marins.

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