Varejo virtual: evolução bit a bit

Crescendo constantemente, o varejo virtual segue recebendo novos players e os que já estão neste canal, estão ampliando sua oferta de produtos. Para as marcas de beleza, o e-commerce pode ainda ser uma porta de entrada para a distribuição seletiva


Em ritmo crescente já há algum tempo, o comércio eletrônico segue recebendo mais empresas e também oferecem cada vez mais variedades. Dados para comprovar esse crescimento há aos montes e inclusive já há uma previsão de que para 2013 essas vendas continuarão num patamar de otimismo. Em 2012, por exemplo, somente no primeiro semestre do ano, as vendas online no Brasil somaram  R$ 10,2 bilhões, de acordo com a 26ª edição do relatório WebShoppers, realizado pela e-bit, com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net). Este valor representou um acréscimo nominal de 21% perante o mesmo período do ano anterior, quando foram registrados R$ 8,4 bilhões. Os dados finais sobre o desempenho durante o ano inteiro de 2012 ainda não foram divulgados, mas a e-bit estima que o ano passado tenha arrecadado um total de R$ 22,5 bilhões, o que significaria um crescimento nominal de 20% em relação a 2011.

A empresa especializada em comércio eletrônico fez ainda uma previsão para este ano. Segundo a e-bit, 2013 deve apresentar um crescimento nominal de cerca de 25%, chegando a um faturamento de R$ 28 bilhões. Quando o assunto são os itens de beleza, 3% das vendas totais deste segmento em 2012 foram oriundas do e-commerce. Há também uma estimativa de que, até 2016, o número de interessados em comprar produtos de beleza na internet vai chegar a 8,2 milhões de pessoas, um crescimento de 36% se comparado com 2011. Sem dúvida é um canal de vendas bastante promissor para qualquer mercado. Para as companhias que atuam no segmento de beleza também e alguma delas já aproveitam esta oportunidade. A Mahogany, franquia com mais de 150 unidades pelo Brasil, conta também com loja virtual. Neste canal online, a companhia aumenta sua receita a cada ano, inclusive o faturamento do e-commerce da rede já pode ser comparado ao de uma loja física.

Sensorial oculto
Muitos consideram como principal ponto negativo do comércio eletrônico o fato de não disseminar a experimentação, algo fundamental em itens de beleza. Também há aqueles que julgam que este canal de vendas sirva apenas para recompra. Realmente isso ainda existe, porém os players deste segmento já têm seus meios para diminuir essa tese ainda mais, procurando reforçar o processo de experimentação. A principal solução encontrada por eles é fornecer amostras dos produtos sondados. Para o CEO e fundador da Beleza na Web, Alexandre Serodio (foto), há uma visão equivocada de que os canais de venda competem entre si.

“Eles se complementam. A ideia é estar onde o cliente estiver. Se as pessoas, hoje, se relacionam digitalmente, nada melhor que acompanhar essa movimentação e ter a oportunidade de interagir com o cliente de uma forma mais próxima. É o que fazemos: disponibilizamos conteúdo, conselhos de experts, como cabeleireiros e maquiadores profissionais, opiniões de outras consumidoras e vídeos tutoriais. Tudo para facilitar e enriquecer a experiência de nossas consumidoras. Entregamos amostras de produtos profissionais adequados para cada tipo de cabelo. E essa experimentação com diagnóstico profissional aumenta a venda dos produtos”, considera.

A analista de Marketing Estratégico da perfumaria Sepha, Leiridiane Ramalho, concorda que o fato de não poder sentir ou tocar o produto em um primeiro momento é um ponto negativo junto aos consumidores, porém, segundo ela, não interfere na decisão de compra. “Em sites que tenham mais informações revelantes sobre o produto, como por exemplo as famílias olfativas dos perfumes, o cliente pode comprar um perfume novo com uma fragrância similar a que ele já gosta”, informa. Já o gerente de Marketing da Mahogany, Brian Drummond, adiciona outro fator a favor do varejo virtual. “Temos os mais diversos perfis de compra. Claro que o cosmético depende da experimentação, mas hoje existe um certo número de pessoas que não tem tempo ou paciência de ir a uma loja física, por isso prefere comprar virtualmente. Mas nada impede que este mesmo consumidor vá posteriormente a uma franquia conhecer todo o portfólio”, comenta.

Mais players
Não é mais novidade para ninguém que a compra pela internet já faz parte da realidade dos consumidores brasileiros, inclusive com produtos de beleza. E ao mesmo tempo que este canal de vendas cresce, em todos os setores, aumenta o número de empresas que passam a vender também por este meio. Ainda com base no estudo realizado pela e-bit sobre as perspectivas para o ano de 2013, o diretor geral da consultoria especializada em comércio eletrônico, Pedro Guasti, declara que este canal não deverá apresentar grandes novidades quanto à entrada de novas empresas no mercado. O que deve ocorrer, segundo ele, é a melhora nos serviços eletrônicos prestados pelos grandes players, por conta da consolidação no setor.

“Nos últimos dois anos, a entrada de novas lojas no setor aconteceu no long tail, ou seja, vindo das pequenas empresas, que hoje representam cerca de 20% do faturamento do setor. Os maiores investimentos ocorridos foram em categorias chamadas de verticais como ‘moda e acessórios’, ‘artigos esportivos’ e ‘casa e decoração’. Com o segmento do varejo em consolidação e ainda mais competitivo, os grandes varejistas buscarão melhorar a eficiência de suas operações, aumentar a rentabilidade e melhorar da qualidade dos serviços prestados ao consumidor”, observa Pedro.

O CEO da Beleza na Web concorda que o número de players neste canal aumenta a cada dia, porém ele faz um alerta quanto à complexidade do comércio eletrônico. Segundo Alexandre Serodio, muitos players ainda têm a concepção de que montar um e-commerce é simples, fácil e imediato. “Mas há muito conhecimento, profissionalismo e investimento por trás de um comércio eletrônico bem-sucedido. Com isso, sim, muita gente entra. E como entrou, sai. Sendo assim, procuramos ser uma empresa de beleza voltada para a mulher, que usa a plataforma digital para se relacionar com sua cliente. E há aí um mundo de diferença. Somos uma rede que conecta mulheres, marcas, formadores de opinião e profissionais de beleza do mercado”, considera Alexandre. 

Maior oferta
Outro movimento interessante que é possível ser detectado no comércio eletrônico é a variedade cada vez maior de produtos oferecidos nas ‘gôndolas virtuais’. Muitas vezes, quando o varejista atua com lojas físicas e e-commerce, a oferta de itens neste segundo canal vendas é muito maior do que a variedade comercializada no primeiro. Não é preciso ressaltar a dificuldade que qualquer varejista, principalmente o de drogarias, tem com o espaço. Declarações como ‘nossa gôndola não é elástica’ são comuns de se ouvir e tiram o sono também da indústria, na busca por um ‘lugar ao sol’ nas prateleiras.

O CEO da Beleza na Web vê o e-commerce como uma boa alternativa para a distribuição de produtos no Brasil. “Em um país de dimensões continentais como o nosso, a distribuição é uma pedra no sapato de qualquer varejista. E o comércio eletrônico parece ser uma solução. Como o online não tem a limitação física das lojas, surge a oportunidade de aumentar o estoque. Os riscos são justamente estocar demais e colocar marcas de varejo de massa”, compara Alexandre Serodio.
Essa variedade oferecida pelo comércio eletrônico, de acordo com Ricardo Cabianca, vai ao encontro do desejo do consumidor que está navegando pelas ondas virtuais. “Quando o consumidor procura uma loja online, seja de qual segmento for, está atrás de variedade. Dificilmente um consumidor virtual compra produtos de categorias semelhantes em várias lojas. Ele quer conveniência e tentar atender seus desejos e necessidades em um só lugar. Se o consumidor preparar uma sacola de compras e faltar um produto que a loja não possui, possivelmente ele irá abrir outra aba em seu navegador para buscá-lo, e neste momento a loja perdeu a atenção deste consumidor e a venda também”, exemplifica o dirigente da Sepha.

“Na verdade é um comportamento do mercado tendo em vista a demanda dos consumidores, e também a vantagem de não ter todos os produtos expostos em um único lugar, o que seria mais difícil em uma loja física. A abrangência do e-commerce também é um fator importante, pois podemos vender produtos que alguns clientes não conseguem encontrar em sua região”, complementa Leiridiane Ramalho, analista de Marketing Estratégico da perfumaria paranaense.

Oportunidade na distribuição seletiva
Além da vantagem de ganhar com uma exposição mais ampla, entre todas as outras disponibilidades úteis que o varejo virtual possui, a indústria brasileira de beleza começa a enxergar neste canal uma oportunidade de fazer parte da distribuição seletiva. Este visado mercado tem uma grande participação de marcas importadas, mas na opinião do diretor geral da Sepha o varejo virtual é de fato uma excelente porta de entrada para marcas locais, justamente pela capilaridade deste canal de vendas.

“A possibilidade de abrir e descobrir mercados é enorme, mas sem dúvida nenhuma, não basta apenas publicar na web, esta ação deve estar acompanhada de uma boa estratégia de marketing e comunicação”, alerta Ricardo Cabianca. Leiridiane Ramalho, também da Sepha, reforça lembrando de casos de fornecedores locais que trabalharam bem sua marca e produto no site e, desta maneira, conseguiram ampliar seu alcance por estarem presente no e-commerce, sem necessariamente ter vários distribuidores.

Para a Mahogany, o mercado de cosméticos está muito aquecido e por mais intenso que seja o processo de expansão, não é possível atender todas as oportunidades. “Sendo assim, a loja virtual torna-se fundamental. Ganhamos com isso mercado e paralelamente conseguimos medir o potencial de algumas cidades, servindo também como parâmetro para medir oportunidades de crescimento”, avalia Brian Drummond, gerente de Marketing da Mahogany. Já Alexandre Serodio finaliza dizendo que a distribuição seletiva depende de três fatores: conteúdo, informação e serviço. “Se um player consegue entregar esses três pré-requisitos, dá oportunidade de qualquer marca de se tornar bem-sucedida. E isso independe de o canal ser físico ou digital”, conclui o CEO e fundador da Beleza na Web.
 


Franquia Di Vetro reforça seu e-commerce

Com 12 lojas próprias em Curitiba, Ponta Grossa e Rio de Janeiro, e depois de começar a franquear em 2012, a perfumaria Di Vetro investe mais no varejo online. Com um portfólio que vai desde perfumes importados, passando por maquiagem, produtos para o corpo, banho, tratamento e chegando até kits e presentes, a rede paranaense visa levar a uma grande quantidade de pessoas as mesmas facilidades que oferece aos seus clientes das lojas físicas. “Até o ano passado, atuávamos timidamente com as vendas online em nosso site, que ocupava o mesmo endereço do portal atual: www.divetro.com.br. Mas, agora, levaremos a todo o Brasil a possibilidade de comprar como em nossas lojas: somente produtos originais, de origem garantida, aos melhores preços praticados no mercado”, explica Celi Lobo, franqueadora da Di Vetro.

Outra novidade da companhia é que os produtos também poderão ser adquiridos pela rede social Facebook, por meio do endereço: www.facebook.com/divetroperfumes. “É uma facilidade, pois assim o cliente não precisa ficar abrindo outras janelas no computador. É mais rápido e acessível”, pontua Celi. A Di Vetro também aproveitará a rede social para dar dicas de uso dos produtos e oferecer brindes, sorteios e descontos especiais para quem curtir a página da empresa. “É um conteúdo mais específico, onde o cliente poderá tirar dúvidas e ter benefícios especiais. Estaremos mais próximos do consumidor, com ofertas promocionais de acordo com a região onde ele está. É uma experiência de compra mais próxima da que se tem nas lojas físicas da Di Vetro”, complementa.

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