A evolução pede espaço

Permanecendo de pé em meio a diversas crises do Brasil e do mercado de aerossois, Aercamp completa 45 anos de existência, se firma como uma das principais empresas do segmento e se prepara para ampliar sua nova unidade fabril

 
Ter estrutura é fator que qualifica positivamente uma companhia no mercado em que atua. Melhorar essa estrutura ou ampliá-la, além de indicar que investimentos estão sendo feitos em prol desta empresa, também significa que a evolução pede espaço. Essa é a realidade vivida atualmente pela Aercamp, companhia especializada em envase de aerossóis e que está há 45 anos neste mercado. Situada em Campo Limpo Paulista (SP) desde sua fundação, acompanhou de perto a caminhada deste segmento no País, fazendo parte diretamente desta história. Mais do que isso, ajudou o aerossol a se desenvolver por aqui e, assim como este mercado, também cresceu. E o principal sinal desta fase de crescimento da empresa será consumado ainda em 2013, com a ampliação da capacidade fabril.

Motivos para a Aercamp comemorar de fato existem, ainda mais por estar atuando em um mercado que passou por diversos maus momentos e até hoje ainda tem muito o que evoluir. Mas a companhia não perde tempo e sem esperar que o aerossol dê seus passos evolutivos, procura sempre estar à frente de seu tempo, inovando e melhorando sua capacidade com maquinários que atendam todos os seus tamanhos e diâmetros, dando margem de crescimento aos seus clientes. E isso graças a Antal Almásy, um dos fundadores da Aercamp ao lado de sua esposa, Ida Almásy, que desde sua chegada ao Brasil em 1962, ajudou o mercado nacional de aerossol a se desenvolver, após ter criado as primeiras máquinas de aerossol da Europa.

Hoje, Attila Almásy, gerente de Suprimentos da empresa reconhece o momento especial que a companhia está vivendo. “Entendemos que fazemos por merecer nosso sucesso, pois trabalhamos com seriedade em nossas ações e competência técnica dentro dos requisitos internacionais de boas práticas de fabricação, que regem nosso segmento. Para nós, 2013 é ano de muita comemoração e conquista. Completamos 45 anos de existência no mesmo endereço, com a mesma razão social, rumo a certificação da norma ISO 22716”, comenta.

Dedicação que não é de hoje
O surgimento e crescimento da Aercamp se devem principalmente às mãos de Antal Almásy, que em 1958, quando já havia se tornado engenheiro mecânico, desenvolveu as primeiras máquinas de aerossol da Europa ao lado do Doutor Honish, proprietário da Aeratom, empresa suíça localizada na cidade de Rapersvill. Quatro anos depois, desembarcou em terras tupiniquins como diretor Técnico da Tubrazil, atualmente Impacta, fabricante de tubos de aerossol. Nesta companhia, procurou todas as maneiras para padronizar o bocal das latas e foi o responsável pela primeira lata monobloco em alumínio de aerossol no Brasil, para ser usado exclusivamente em itens de higiene pessoal. “Pouco depois, em 1968, decidi começar a fazer máquinas e ensinar todo o mundo a fazer aerossol. Quando a Gillette importou a primeira máquina de aerossol que veio para o Rio de Janeiro, da Atual Pamasol que hoje sou representante, eu estava lá ensinando como funcionava”, revive Antal.

Como os custos já eram elevados naquela época para importar máquinas para laboratório, Antal Almásy também passou a fabricar estas máquinas para muitas empresas que possuíam produtos em aerossol e que se interessavam por este equipamento, o que fez com que a Aercamp obtivesse capital para comprar o terreno em Campo Limpo Paulista. “Muita gente falava que fazíamos aquilo em fundo de quintal e nos diminuíam. Realmente começamos em fundo de quintal, porém crescemos muito”, pontua Ida. Desde sua fundação, a companhia já trabalhava com grandes nomes do setor cosmético. Em 1973, a empresa se destacou no setor por ter envasado o primeiro desodorante jato seco antitranspirante do País para a L’Oréal, com a marca Moderato. Porém, com a proibição do gás freon no final dos anos 1980, a Aercamp não tinha estrutura para realizar o tratamento do gás e com isso, foi perdendo espaço no setor cosmético.

Seriedade no negócio
Sendo assim, acabaram focando no mercado que estavam atuando e assim, mais uma vez, ganhou força e se especializou em produtos técnicos e veterinários, produzindo com exclusividade por 25 anos um produto veterinário, líder de mercado, chamado Lepecid, da multinacional Dow Química. E em meio à concorrência desleal de algumas empresas que atuavam no segmento de silicones e o fracasso do Plano Collor, que prejudicou os investimentos da empresa por causa do confisco, no início dos anos 1990, surgiu a multinacional alemã Henkel, que comprou os direitos da marca Tenaz. E depois de uma rígida avaliação, a Aercamp foi escolhida entre seis concorrentes para o trabalho de envasamento da cola Tenaz.

“Esse período do envase da cola Tenaz foi uma alavanca para nós. Chegamos a trabalhar 24 horas para os períodos escolares durante seis anos nos últimos três meses de cada ano. Mas tudo o que é bom dura exatamente o suficiente para ser eterno em nossa memória e gratidão, paramos de envasar este produto pois passamos pelo início da globalização dos anos 1990, ocorrendo a fusão entre a Henkel e a empresa americana Loctite. Assim perdemos o trabalho definitivamente para esta empresa especialista em adesivos. No entanto, em 1996, decidimos investir de vez na desodorização de nosso gás para aplicação em produtos de higiene pessoal e desde então muito clientes foram desenvolvendo seus aerossóis com a gente”, ressalta Attila.

Entre as empresas que atuam em franquia, porta a porta e varejo no Brasil, é possível dizer que grande parte delas iniciaram suas atividades em aerossol com a Aercamp, com lotes de 10 mil unidades a cada três meses. Hoje, beiram na casa dos milhões pelo grande investimento em mídia televisiva e revistas. “No início, a Natura apenas queria uma máquina para recrave dos perfumes em vidro, e pelo conhecimento do Sr. Antal, produzimos uma máquina que fechava os vidrinhos desta empresa sem quebrá-los e isso fez com que entrássemos em contato com eles. Logo em seguida começaram a gostar mais do sistema Aerossol e difundi-lo dentro de suas companhias. E essa empresa serviu como um cartão de visitas para nós, pois como há um rodízio muito grande de funcionários entre empresas desta categoria, isso fez com que nossa expertise fosse levada para outras companhias do setor, como O Boticário, por exemplo”, analisa o gerente de Suprimentos.

A experiência de Antal também falou mais alto para a captação de novos clientes no mercado cosmético. “Isso aconteceu com aquele spray pequeno da Reckitt Benckiser. Esta companhia rodou todos os nossos concorrentes para produzir esse produto e ninguém conseguiu. Fomos os últimos a ser visitado por eles e meu pai, como sempre, aceitou o desafio. Começamos com cinco mil unidades/mês e hoje nós estamos na casa das milhões de unidades, depois de 15 anos de árduo trabalho”, lembra Attila.

Realidade do aerossol no País
Ao passo que o mercado de produtos de higiene pessoal e cosméticos avança, o segmento de aerossol nacional também teve sua evolução. Entretanto ainda há muito o que evoluir, principalmente se comparado ao desenvolvimento que nossa vizinha Argentina possui. Na visão da Aercamp, o aerossol no Brasil de fato conseguiu crescer, mas isso poderia ter sido melhor, sobretudo por ainda continuar com um lead time muito longo para alguns insumos. As dificuldades residem com maior peso atualmente no fornecimento de tubos de lata, principalmente após o fechamento da Tubocap, no começo de 2012.

Hoje em dia, os fornecedores deste componente para a Aercamp são a Impacta e a Tubex. Quanto à possibilidade de buscar esses componentes fora do Brasil, Attila diz que essa escolha fica a cargo do cliente. “Quem define a lata é ele, que faz a homologação. A gente só obedece. Se eles homologarem empresas de fora do Brasil, aí temos que começar a importar para realizar o full service, mas isso não é o caso. Hoje quem está fornecendo lata é a Impacta e eles estão atendendo dentro do cronograma”, contorna. Quando o assunto é válvulas, para a Aercamp este componente não é um gargalo. “Dependendo do produto, temos quatro boas companhias fornecedoras hoje em dia: Precision, Lindal, Fadeva, Summit e Aptar”, aponta Attila.

Quanto ao gás, assunto que tirava o sossego da Aercamp e de empresas do segmento há alguns anos, o gerente garante que este componente não causa mais problemas. E uma das razões é porque a empresa conta com sistema de desodorização de ponta e também nos dias de hoje, a questão da qualidade do gás fornecido pela Petroquímica chega a ser de nível internacional, não como há 30 anos atrás. “Tivemos o problema da falta de gás em 2010 que causou muitas complicações, já que era momento de campanhas para o final de ano. Ficamos com nossa fábrica parada, sofrendo pressão de clientes que tinham lançamentos para aquela época. Hoje vemos que o desabastecimento foi um problema pontual e o fornecimento de gás está mais do que resolvido. Nossos fornecedores o Grupo Ultragaz e a Liquigás demonstram parceria e acreditam no crescimento de nosso mercado. Ambos fornecedores são super preparados e qualificados esclarece Attila. São nos problemas que nós nos superamos e sempre enfrentamos as dificuldades de frente, revertendo as situações e tirando proveito das lições para crescer e se estabelecer como empresa séria e competente no quesito envase de aerossol, pois este é o nosso negócio”, emenda Attila.

Novo espaço, para seguir crescendo
O negócio foi evoluindo juntamente com os mercados em que atua e a Aercamp sentiu a necessidade de se expandir. Com sua fábrica atuando no limite de sua capacidade, decidiram abrir uma nova planta de fabricação, na mesma cidade, prevista para ser inaugurada entre setembro e outubro de 2013. A área de 15 mil metros quadrados abrigará o novo prédio do setor comercial da companhia e terá capacidade de produzir 400 mil unidades por turno, além de contar com amplo espaço para manipulação de líquidos no segmento de higiene pessoal, perfumaria e domissanitário. Na fábrica atual, chamada de planta um, a Aercamp manterá as máquinas para pequenas produções, como de até 35 mil unidades/dia. “São produtos que não podemos rodar a volumes muito grandes, pois as unidades são revisadas uma por uma. Este trabalho é minucioso, pois atende às mais elevadas exigências. Nossos colaboradores são altamente treinados. Muitas vezes encontramos dificuldades na seleção de uma mão de obra especializada em aerossol. Csilla Almásy, gerente de Recursos Humanos, está à frente deste desafio. Desta forma, o quarteto da família Almásy, unidos, dirigem esta empresa”, considera Attila.

A nova fábrica contará apenas com máquinas automáticas, que poderão rodar até nove milhões de unidades/mês. “Há clientes que têm sete produtos e faz no máximo 10 mil unidades de cada. Não posso colocar isso em uma máquina grande, pois só com a higienização perderei muito tempo”, sinaliza Attila, expondo ainda que a companhia direcionará este novo local à produção de aerossois jato seco. “Isso nos interessa muito, pois o volume é grande. Depois que inaugurarmos esta fábrica este ano, iremos ampliar nossas linhas. Desafogaremos a primeira planta, destinada a pequenas e médias linhas. Conseguiremos atender mais gente e visitar mais clientes. Mas é preciso ressaltar que não adiantava ter uma baita fábrica antes se não tínhamos clientes para isso. Os grandes volumes estão acontecendo hoje”, fala Attila. Entre os principais clientes da Aercamp estão Unilever, Reckitt Benckiser, O Boticário, Bombril, L’acqua di Fiori, Natura e Cosinter.

Sustentabilidade fora da fábrica
Ao longo de seus 45 anos de existência, a Aercamp tem muita história para contar. Durante todo este tempo, a companhia não se dedicou somente ao envase de aerossol; demonstrou também seu comprometimento com  a importância da sustentabilidade para o bem-estar do planeta e da sociedade. A empresa é comprometida com seus resíduos e sendo assim, faz toda separação e descarte de seus produtos de forma correta e sustentável, minimizando os impactos de seus rejeitos no meio ambiente. Investe ainda no esporte, apoiando as categorias de base do futebol de salão, e assim fomenta o interesse da juventude na prática do esporte amador de Campo Limpo Paulista.

“Somos uma empresa comprometida com nossas cidades e colaboramos com nosso município. É de suma importância o investimento em responsabilidade social, pois entendemos que ao ajudar nossos colaboradores dando a oportunidade de profissionalização técnica e universitária, valorizamos o indivíduo como ser humano capaz de se desenvolver. Isso é retribuir não apenas para a empresa, mas para toda sociedade”, conta Ida Almásy. A Aercamp também foi a segunda empresa na cidade que criou o Coral Encanto dentro de seu corpo de colaboradores. “Assim, disponibilizamos recursos para a cultura e lançamos em 2012 nosso pimeiro cd com a participação da Ong Caminho Verde”, finaliza a diretora e fundadora da companhia de aerossol.

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