A vez do aço

Em busca de espaço no crescente mercado de aerossol, o aço quer difundir suas qualidades entre a indústria cosmética e o consumidor. Deste último, já tem o aval para se propagar... Pelo menos foi o que mostrou pesquisa da Cerviflan
 
 
A indústria, assim como todo o mercado, tem estado atento diante da ameaça de uma crise energética. E os possíveis impactos dela para a produção industrial seriam um pesadelo para qualquer companhia e para alguns segmentos, entre eles o de alumínio-primário, como foi reportado há algumas edições na revista Packing Cosmética. Dentro do mercado de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, este material é de suma importância, principalmente no segmento de aerossol, que ostenta números crescentes há anos. Mas, em paralelo com o crescimento desta demanda – sustentado pelo desenvolvimento da categoria Desodorantes, a procura por alumínio aumentou demasiadamente e o mercado sentiu isso. Sendo assim, o tempo de entrega de latas de alumínio por parte dos fornecedores saltou vertiginosamente.

Este cenário se agravou nos últimos cinco anos e teve um capítulo bastante influente no início de 2012, com o fechamento da Tubocap. Ainda naquele ano, o mercado começou a sofrer e precisou ter mais atenção com seus planejamentos, necessitando se programar para receber as latas com este tipo de material, em média, em 180 dias.

Diante desta agitada realidade, outro mercado que se mexeu ainda mais foi o de fornecedores de latas de aço. Este material também tem boa participação dentro do segmento de aerossol, mas ainda está longe de alcançar os números conquistados pelo alumínio. Para obter mais espaço, os fornecedores de aço sabem que a parte mais árdua deste trabalho deve ser feito junto à indústria cosmética e de higiene pessoal – falando especificamente acerca de desodorantes. Sustentando essa afirmação, está o fato de que para o consumidor final não há diferença entre um desodorante aerossol com lata de alumínio ou de aço. Pelo menos este foi o feedback obtido pela Cerviflan – que atua no segmento de embalagens para aerossol em aço – por meio de uma pesquisa que realizou recentemente.

O estudo foi encomendado junto ao Ibope e realizado entre os dias 9 e 20 de setembro de 2013. Ele foi conduzido como pesquisa domiciliar, com aplicação de questionário estruturado. A amostra é representativa da população de São Paulo capital: 150 homens e 150 mulheres, entre 18 e 50 anos, das classes ABC. Na pesquisa, os consumidores foram confrontados com embalagens dos dois materiais: alumínio e aço. A intenção da Cerviflan foi saber se estes consumidores conseguem notar a diferença entre os materiais; se a percepção de qualidade muda; e discorrer sobre quais são os aspectos objetivos e subjetivos nesse contexto.

Apoio nos números
O duelo entre a percepção da indústria e dos consumidores, na busca para conseguir espaço para o aço, é fundamentada pela Cerviflan pelos resultados obtidos na pesquisa. Segundo o estudo, nove em dez consumidores de desodorante em aerossol não têm preferência quanto à embalagem e dois terços desconhecem o material de que ela é feita. Na visão da companhia, mesmo o aço e o alumínio sendo os principais materiais utilizados mundialmente nas embalagens de produtos como desodorantes, spray para cabelo e espuma de barbear, no Brasil a maior parte dos fabricantes mantém resistência ao aço, inclusive aqueles que no exterior fazem uso dele. De acordo com a empresa, esses players argumentam que o consumidor perceberia mais valor no tubo de alumínio, que supostamente permitiria melhor acabamento e evitaria o enferrujamento, que estaria presente no aço.

Os números que foram alcançados na pesquisa chamada de “Projeto Aerossol” mostram que há baixo conhecimento do público consumidor quanto ao material da embalagem. Dos participantes, 64% alegam não saber de que material é feita a embalagem de seu desodorante. E a grande maioria, 87%, declara não ter preferência nesse sentido. Já quando apresentados às embalagens com os materiais, alumínio e aço, 60% notam diferença entre as peças. Mas, quando informados dos materiais utilizados na fabricação dos tubos, a maior parte (70%) continua afirmando não ter preferência.

Vicente Lozargo Filho, diretor-presidente da Cerviflan, observa que os resultados abrem um mar de possibilidades de negócio para a indústria do aço. “Sempre enfatizamos as vantagens que a embalagem metálica de aço oferece. Em primeiro lugar, a segurança, já que a embalagem de aço é, de fato, um verdadeiro cofre. A litografia é outro trunfo. Aliados à quadricromia, podemos reproduzir imagens, cores e tudo mais que os criadores desejarem. Aliás, essa revolução iniciou-se com a Cerviflan, primeira fabricante de embalagens a utilizar a cromia em suas peças. Além disso, o lead time do aço é muito menor quando comparado ao do alumínio: 45 dias contra seis meses. E agora, com os dados da pesquisa Ibope, ganhamos outros argumentos bem fortes”, destaca.

Trabalho a ser feito
Como foi frisado anteriormente, o empenho da indústria do aço para difundir o material deve se voltar aos fabricantes de cosméticos. “Nosso principal desafio é convencer a indústria cosmética dessa opção. Devemos mostrar que o crescimento de seu negócio não pode ficar refém de um único tipo de embalagem (alumínio)”, sintetiza Vicente. O dirigente ainda reitera que, ao ouvir a parte mais importante da cadeia cosmética – os consumidores – e terem a confirmação de que não há rejeição nem diferenciação entre os materiais, prova que para eles o produto e seus atributos são muito mais importantes do que a embalagem propriamente dita. “Não há uma preferência do consumidor. O que há é uma disponibilidade maior da embalagem em alumínio nas prateleiras. Somos uma alternativa a este material, não um substituto”, contextualiza.

Mesmo sabendo que é com a indústria que é preciso alinhar-se para que o aço passe a figurar mais no mercado, a Cerviflan sabe que também é preciso realizar uma propagação dos benefícios deste material junto aos consumidores. Isso também passa pela questão do entendimento acerca de como o aço se relaciona com a natureza. Nesta pesquisa, a maioria daqueles que mudaram de opinião com relação à preferência por uma embalagem ao tomar conhecimento de que os tubos testados eram feitos de materiais distintos citou “mais fácil de reciclar” como motivo. Outros dois fatores de preferência que surgiram somente após a revelação de que as peças em análise eram feitas de materiais diferentes foram: “ser menos prejudicial ao meio ambiente” e “ser reciclável”. “Isso prova que é preciso iniciar um intenso trabalho de divulgação sobre os benefícios do aço. É um material extremamente amigável ao meio ambiente; uma vez descartado, ele volta ao estado natural. O aço pode ser reciclado infinitas vezes, e sem perda de qualidade”, reforça Vicente.

Para Antonio Carlos Teixeira Álvares, CEO da Brasilata, este trabalho deve ser realizado gradualmente. “No mundo inteiro existe a preferência para os tubos de alumínio, especialmente para desodorante. Porém, mesmo nos outros mercados, existem espaços para os tubos de aço, o que não ocorria no Brasil por falta de oferta dos diâmetros adequados”, acredita ele, se referindo aos tubos de aço nos diâmetros 45 mm e 52 mm, que são fabricados tanto pela Brasilata quanto pela Cerviflan e que, segundo ele, foram os grandes investimentos feitos recentemente neste segmento.

Benefícios a propagar
A questão da reciclagem, que tem peso cada vez maior em todos os mercados, também apresenta bons pontos que jogam a favor do aço. Vicente lembra que trata-se de uma embalagem 100% reciclável, incluindo o atuador e a válvula, que são feitos de aço. “Além disso, é facilmente separado de outros materiais através de eletroímã. Depois de reciclado, pode voltar a ser um eletrodoméstico, um carro ou até outra embalagem. Se uma lata de aço for acidentalmente jogada no meio ambiente, ela enferruja e volta à natureza sem agredi-la e na forma original: minério de ferro”, situa o dirigente. “O aço é o material mais reciclado do planeta, e o mercado é abundante, pois apenas 1,5% do consumo anual de aço no mundo é destinado à produção de latas e aerossóis”, emenda o dirigente da Brasilata.
Procurando destacar as qualidades de uma embalagem produzida em aço, o diretor-presidente da Cerviflan ressalta que os itens fabricados com este material suportam pressões superiores a 18BAR, sem consumir mais materiais, e permite a decoração de seus rótulos com infinitas possibilidades. “Na metalgrafia – processo semelhante ao offset nos papéis –, imprimem-se as folhas de aço de forma plana para posterior conformação. Isso permite o uso da quadricromia, processo superior de impressão”, completa.

Um ponto que ainda pode pesar contra as embalagens de aço é aquela imagem de um produto cujo o fundo da lata enferruja e cria uma desagradável marca em pias e assoalhos. “Existe a resistência ao fato de que os tubos de aço expostos nos banheiros que são ambientes quentes e úmidos estejam, com o tempo, sujeitos à oxidação do fundo”, confirma Antonio Carlos. Entretanto, ele enfatiza que a indústria do aço já solucionou este problema, ao oferecer o material (tanto o domo como o fundo) revestido com PET, justamente visando evitar a oxidação. “Vale lembrar que importantes empresas como a P&G (com a marca Gillette) já utiliza esse aço protegido em seus produtos”, exemplifica.

Vicente, da Cerviflan, reforça dizendo que o aço com PET pode ser confeccionado em várias alturas e diâmetros, e ainda conta com vantagem na decoração, por seu processo de impressão. Como esta solução apresentada vem sendo importada, os fabricantes reconhecem que ela possui um valor um pouco mais alto. “Desenvolvemos parceiros nessa área. Fomos os primeiros a trazer o aço revestido de PET da Alemanha. Hoje, temos parceiros também no Japão. Seu custo é mais alto, mas seu resultado é infinitamente superior. É o preço da inovação”, contorna. Antonio Carlos diz que esta tecnologia já está sendo utilizada pelos fabricantes brasileiros e informa que o aço já é fornecido laminado com PET, o que evita para o fabricante de aerossóis tenha a operação de envernizamento do aço comum. “Atualmente há um custo maior uma vez que o aço laminado com PET tem de ser importado. Mas lembro que não há nenhuma interferência na reciclagem, já que a micro camada de PET é absorvida no processo de fundição da embalagem para a produção de aço novo.”

Suporte da cadeia
O fato de disponibilizar ao mercado cosmético latas com diâmetro de 45 mm, é elogiado por Attila Almásy, gerente de Suprimentos da Aercamp, especializada em envase de aerossóis. “Realmente a Cerviflan tem feito um belo trabalho com a folha de flandres e se destaca como fornecedor no mercado de aerossóis cosméticos, pois não ficou na mesmice e inovou no diâmetro 45 mm, o mais usado atualmente no mercado. Sem falar na altíssima qualidade de impressão que estes novos equipamentos possuem”, sinaliza o profissional.

Para ele, o aço tem muito espaço para crescer no mercado cosméticos em aerossol, por se tratar de uma embalagem confiável, dentro das normas internacionais de qualidade, com impressão de embalagem impecável e de altíssima nitidez na imagem. “Um grande consumidor deste tipo de embalagem no nosso mercado é o hairspray, sendo quase 100% no mercado brasileiro, exceto por algumas empresas multinacionais que importam seus produtos em alumínio. Sempre que temos a oportunidade, mencionamos o aço para nossos clientes, mas como somos terceiristas, acatamos as ordens dos mesmos”, complementa Attila Almásy, que ainda recorda que o aço também é utilizado em embalagens de armazenamento não necessariamente em aerossol, como nas caixas de panetone. “O aço está em todos os mercados, basta saber explorá-lo.”

“Graças ao crescimento do mercado de aerossol, há espaço para ambas as tecnologias, uma vez que o consumidor não rejeita nenhuma delas, como aponta a pesquisa que apresentamos. Nos Estados Unidos e na Europa, embalagens de alumínio e aço ocupam a mesma prateleira. No Brasil, há potencial para ocorrer o mesmo”, finaliza Vicente.
 
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Dados colhidos na pesquisa da Cerviflan

- 64% alegam não saber de que material é feita a embalagem de seu desodorante;

- 87% declaram não ter preferência entre o aço e o alumínio;
 
- 60% notam diferença entre as peças com os distintos materiais;
 
- 70% continuam afirmando não ter preferência após terem conhecimento do material;

- 93% nunca tiveram problema com sua embalagem de aerossol. Quando acontece, está ligado à válvula;

- 86% descartam sua embalagem no lixo comum;
 
- 15% dizem que descartam no lixo reciclável;
 
- 59% consideram a marca do desodorante importante;
 
- Atributos para a escolha do desodorante em aerossol:  “durar mais tempo” (67%), “não manchar a roupa” (62%) e “ter a fragrância que eu gosto” (51%)
 
- 68% dos homens e 59% das mulheres afirmam usar sempre a mesma marca

Alguns itens citados a favor da embalagem em alumínio em relação a de aço:  mais bonita; mais leve; é maior; o metal é bonito e passa status; parece ser mais resistente / não quebram ou amassam facilmente; é mais fosca; gosto mais do acabamento no fundo da lata; e não tem a solda aparente/friso na lateral.

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