Ambiente de inovação e startups da beleza

Ambiente de inovação e startups da beleza

Nos últimos anos, houve uma enorme ascensão de tecnologias e startups voltadas para o mundo da beleza. Este tipo de startups no Vale do Silício são chamadas de “BeautyTechs” e vêm movimentando anualmente um montante na casa dos USD 600 milhões. Em meio a um ambiente difícil e instável, a indústria da beleza continua prosperando e diversas explicações podem ser dadas para justificar o sucesso das “BeautyTechs” no mundo, pelo aporte de investidores e fundos de investimento.  

 Há inovações de todos os tipos e algumas startups estão usando pesquisas biotecnológicas para impulsionar novas formulações, outras estão aproveitando inovações digitais para vender maquiagem de uma forma nunca imaginada e até mesmo empresas investindo para se tornarem marcas independentes.   

 Na Europa temos um ecossistema de startups da beleza muito bem desenvolvido também, prova disso é um evento anual em Paris chamado “Cosmetics 360” onde startups tem um pavilhão especial na feira e também participam de Hackathons, que são maratonas tecnológicas, competições de startups que desenvolvem e apresentam trabalhos e com isso ganham visibilidade, prêmios e investimentos.

 No Brasil, para termos uma ideia deste ecossistema, saltamos de 4.151 startups em 2015 para 13.479 em 2020, segundo a “ABStartups” – Associação Brasileira de Startups, onde os aportes em 2020 foram na casa dos USD 2,2 bilhões.  Sobre o desejo de empreender, no primeiro dia de aula costumo perguntar a meus alunos no curso de tecnologia de cosméticos da Fatec Oswaldo Cruz: “levanta a mão quem aqui pensa em empreender” – em 2004, quando iniciamos o curso somente uns 2 ou 3 alunos levantavam a mão, hoje mais de 50% da sala levanta a mão. Isso demonstra uma mudança impactante na vontade e postura dos profissionais em investir em um negócio próprio e a startup vem deste cenário.

 Temos vários hubs de inovação, por exemplo o Inovabra Habitat do Bradesco que conta com mais de 180 startups e 78 corporações; Cubo Itaú que tem 22 mantenedoras e quase 500 startups no portfólio; incubadoras como o CIETEC USP – Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia; BiotechTown em Belo Horizonte MG; programas de incentivo do tipo PIPE FAPESP – Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas / Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de SP- que na sua fase 1 financia R$ 200 mil reais por startup.

 Nas redes sociais verificamos também um movimento interessante de criação de comunidades para o mercado da beleza, mas ainda com foco em troca de opiniões e informações entre os consumidores de cosméticos. 

 Destacamos também iniciativas como de aplicativos como o “Beautly”, considerado o Buscapé dos cosméticos, onde há recomendações sobre tecnologias e cuidados ao uso de cosméticos e o “BeutyDate” em Curitiba, considerado o Uber da beleza, porque ajuda na agenda de serviços de beleza em locais mais próximos de onde o consumidor está.

 Indústrias globais da beleza como P&G, J&J, Unilever, L´Oréal e aqui no Brasil a Natura e o Grupo Boticário veem investindo em startups já há vários anos. Como exemplo, o Boticário no final de 2020 criou um programa de aceleração de startups chamado “GB Venture” onde escolheu 13 que ficarão por 6 meses incubadas e com foco em 3 áreas estratégicas: “BeautyTech” – tecnologias sustentáveis e embalagens; “RetailTech” – soluções para os canais de venda; “Trendsetter” – novos serviços e inteligência artificial. 

Pela minha vivência desde 2015 como mentor de startups concluo este artigo com os desafios que vejo serem bem recorrentes na maioria destas empresas, o primeiro seria a dificuldade em saber “como comprar” – a importância em selecionar seus fornecedores e insumos com qualidade; o segundo seria a “escalabilidade” – como sair da bancada, do laboratório e escalar o projeto até um produto ou serviço; e o terceiro e mais importante, “como vender” – a fundamental tarefa de atingir o consumidor e convencê-lo a comprar seu produto ou serviço. Cabe a nós, com um olhar positivo, arregaçar as mangas e desafiar este ambiente de inovação que está aí, ele existe, e usufruir das suas oportunidades e com isso contribuir para o desenvolvimento ecossistema das startups da beleza no Brasil e juntos fazermos a diferença.

 

Forte abraço!!

Jadir Nunes

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