Expansão no varejo farmacêutico: para onde ir?

Depois de alguns anos fortemente marcados por fusões, aquisições e formação de grande grupos, as redes do varejo farma devem concentrar seus esforços na expansão orgânica. Mas onde estão as melhores oportunidades para a abertura de lojas?
 

Não é preciso ser vidente ou gênio para saber que o mercado varejista de redes de farmácias no Brasil vem passando por um acelerado processo de expansão, que pode ser muito bem observado nos últimos dados colhidos pela FIA/USP, a pedido da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). Somente no primeiro quadrimestre de 2013, as vendas do setor totalizaram R$ 8,76 milhões, resultado 12% superior ao do mesmo período no ano anterior.
Números como estes fazem brilhar os olhos não somente dos executivos e grupos que há anos já atuam neste segmento – no Brasil ou no exterior – e que conhecem a fundo uma operação de varejo. Investidores do mercado financeiro, como bancos de investimentos, já se deram conta da mina de ouro que é o mercado farmacêutico brasileiro. O símbolo mais emblemático deste movimento é, provavelmente, a holding de varejo farma do grupo BTG Pactual, a Brasil Pharma, que esteve à frente de boa parte dos movimentos de aquisições de pequenas e médias redes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste nos últimos anos.
As aquisições também funcionaram como uma forma para que redes já estabelecidas em mercados consolidados, como Rio de Janeiro e São Paulo, pudessem expandir suas bandeiras para regiões que estavam praticamente dominadas por redes locais de médio e pequeno porte. Esse foi o caso da RaiaDrogasil, que adquiriu em maio do ano passado, a distribuidora de medicamentos Santa Marta e 26 pontos das farmácias King, no estado de Goiás, assim como a rede de drogarias Panda, no Mato Grosso. Tudo isso para fincar pé no novo Eldorado brasileiro para o varejo farma: o Centro-Oeste.

Porém, apesar de termos assistido a um movimento acelerado de fusões e aquisições de redes de farmácias – o que acabou transformando a cara do varejo farma – as redes se preparam agora para um período em que a expansão orgânica será prioritária. E nesse jogo, saber analisar as oportunidades e desafios de cada região é essencial para conseguir avançar. Mas para onde ira agora? Três especialistas consultados pela revista Mais Sucesso tentam responder a essa pergunta.
Enrico de Vetori, da consultoria Deloitte; Jorge Inafuco, da PWC; e Marcus Hirai, da GSM Gouveia de Souza, traçaram um panorama de onde estarão as melhores oportunidades para a expansão do varejo nos próximos anos, assim como antecipam quais serão os desafios encontrados em cada região para a abertura de lojas.
 

A riqueza que vem do mar
 O norte do Rio de Janeiro, o sul do Espiríto Santo e a Baixada Santista devem receber pesados investimentos para a exploração do pré-sal nos próximos anos, o que deve gerar deslocamentos humanos para a ocupação de postos de trabalho, renda para a população local e aumento da demanda por produtos e serviços nessas regiões.
Segundo pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, que faz uma radiografia das principais oportunidades de negócios em 558 microrregiões brasileiras, a região onde estão as cidades de Campo dos Goytacazes, Macaé e Bacia do São João, no norte do Rio de Janeiro, apresentou de 2005 a 2008 um crescimento de 73% em seu PIB (Produto Interno Bruto), ultrapassando a marca dos R$ 50 bilhões. Já o sul capixaba, principalmente os arredores da cidade de Itapirim, além de contar com os investimentos de exploração de petróleo e gás, também se destaca por atividades como a pesca e a marmoraria.
A Deloitte estima que se os investimentos em energia seguirem nesta toada, em 2015, o PIB do norte fluminense e do sul capixaba podem superar o da região de Brasília, e chegar a R$195 bilhões. Porém, nem tudo são flores nas regiões ricas em energia. Os especialistas alertam que esse rápido crescimento fez com que os preços dos pontos comerciais fossem às alturas, principalmente em cidades com mercados consolidados, como é o caso de Santos e Rio de Janeiro. Porém, deixar essa região fora do radar de investimentos de sua rede, não deve ser uma opção nos próximos anos.
 
 
O desenvolvimento do interior
Cidades interioranas de diversos estados brasileiros têm assistido a um crescimento acelerado anos últimos anos, sendo que as previsões são de que esse movimento de consolidação continue a acontecer nos próximos anos. Em regiões como o norte e sudeste mato-grossense, o noroeste gaúcho e o sul de Goiás, o motor responsável pela arrancada do desenvolvimento local foi o fortalecimento do agronegócio. As cidades mato-grossenses de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Sorriso e Santa Rita do Trivelato assistiram, nos últimos 15 anos, à chegada da rede de energia elétrica e saneamento básico, o que atraiu investimentos do setor de agrobussiness, e possibilitou a chegada de migrantes vindos de outras regiões do País.
Ainda no Centro-Oeste, cidades do interior de Goiás, como Quirinópolis – que além de soja e grãos também virou uma grande produtora de etanol – melhoraram seus PIB’s e devem ser vistas como bons mercados para a expansão das redes de farmácias. Já as regiões do interior do Rio Grande do Sul se tornaram o polo tecnológico da agroindústria no País, uma das razões que fez com que a região tivesse entre 2005 e 2008 um aumento no PIB na ordem de 96%. Porém, apesar dos sedutores números da região Sul, a população local é extremamente regionalista, o que dificulta a entrada de grandes redes de outras regiões.
Porém, o agronegócio não deve ser a única alavanca do consumo nas cidades do interior. No mercado nordestino por exemplo, as políticas de redução de pobreza, como o Bolsa Família, aumentaram a capacidade de consumo de famílias de baixa renda e isso deve seguir estimulando o desenvolvimento do setor de serviços nessas regiões. Os especialistas também apostam que cidades que possuem populações entre 200 e 300 mil habitantes, também devem ser rotas naturais de expansão para as grandes redes de farmácias, pois além de contarem com um mercado consumidor significativo, o varejo farma ainda está muito pulverizado em pequenas redes, que nos próximos anos, devem ser engolidas pelas grandes.
 
 
A descoberta do Nordeste
 As políticas de redução de pobreza, cujo o projeto mais notório é o Bolsa Família, que assumiu um papel central tanto no governo Lula quanto no da Presidente Dilma, foi a chave que permitiu o acesso de milhares de famílias nordestinas à roda do consumo, e consequentemente transformou a região em um mercado cheio de oportunidades para os varejistas de diversas frentes, inclusive do farma.
Porém, apesar dessa melhora na renda dos nordestinos, que deve seguir crescendo nos próximos anos, as grandes oportunidades ainda estão nos grandes centros, como as capitais, e nos polos regionais, municípios caracterizados por possuírem mais de 100 mil habitantes.
Os consultores afirmam que as grandes redes de farmácias ainda encontrarão excelentes oportunidades de expansão na região Nordeste, pois além do incremento de renda e do grande mercado consumidor, os nordestinos, ao contrário dos sulistas, são muito abertos às marcas novas vindas de outras regiões.
 
 
Eixo RJ-SP: região consolidada, mas que não pode ficar de fora
Se expandir nos mercados paulistano e carioca hoje em dia não é tarefa das mais simples. Além de serem regiões totalmente tomadas por grandes redes, o que acirra a concorrência, há também um sério problema para encontrar pontos comerciais disponíveis a um preço acessível.
Porém, apesar dos percalços para a abertura de lojas nesses mercados maduros, tirar cidades como São Paulo e Rio de Janeiro dos planos de expansão, não é uma alternativa. Além do imenso mercado consumidor, os especialistas destacam que existem grandes oportunidades para a comercialização de itens de alto valor agregado, ou seja, no mercado de luxo, assim como no atendimento das classes C e D.
Ainda segundo os especialistas, nessas cidades, as regiões de periferia ainda são praticamente inexploradas por grandes redes varejistas e continuarão oferecendo boas oportunidades de expansão nos próximos anos.
 

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