Focus Group Packing Cosmética: Longe da satisfação materna

Focus Group Packing Cosmética: Longe da satisfação materna
O Brasil é o segundo maior mercado na venda de produtos cosméticos infantis. apesar disso, talvez a indústria de embalagem devesse ouvir melhor quem mais utiliza esse tipo de produto: as mães       


Quem anda em meio às gôndolas de farmácias e supermercados na sessão de higiene pessoal infantil, se sente em uma loja de brinquedos. São shampoos, condicionadores, sabonetes e produtos dentais com os mais diferentes formatos, imitando os diversos personagens infantis.

E não é à toa que a variedade é grande. O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de produtos de higiene infantil do mundo, de acordo com dados da consultoria britânica, Euromonitor. Somente em 2014, a categoria obteve crescimento médio de 14%, alcançando faturamento de R$ 4,5 bilhões, considerando os preços de varejo.

Porém, apesar dos números que fazem saltar os olhos de todos os players dessa cadeia, constatamos que as maiores usuárias deste tipo de produto, as mães, estão longe de estarem 100% satisfeitas com as fragrâncias, formulações e, principalmente, as embalagens disponíveis no mercado.

Ou seguro o bebê ou abro a embalagem
Provavelmente uma das tarefas mais complicadas do dia a dia da mulher moderna é cuidar do filho, principalmente quando eles ainda são muito pequenos. Para a hora do banho, as mães consultadas pela Packing Cosmética reclamam da funcionalidade das embalagens disponíveis no mercado. “Acredito que as embalagens não são funcionais, porque às vezes é difícil tirar o produto enquanto segura a criança”, diz Milena Cerón, jornalista de 40 anos, mãe de Marina, 2.

Natália Gindro de Oliveira Mota, 28, bancária, mãe de Luis Guilherme, 2, concorda com Milena. “A embalagem deve ser funcional para facilitar o uso do produto principalmente quando o bebê ainda é pequeno e, muitas vezes, temos somente uma mão disponível para abrir a embalagem e aplicar o produto já que com a outra mão seguramos o bebê”, explica. Ela ainda completa: “Já tive dificuldade no banho, na hora de abrir a embalagem com uma mão só.”
 
O foco da reclamação das mães não está tão concentrado no manejo da embalagem, mas sim, em abrir as tampas, que muitas vezes são duras ou pouco práticas. A dona de casa de 30 anos, Luana Saccone, mãe de Isabella e Juan, de 12 e 05, respectivamente, relata que já teve de lidar com tampas que quebraram quando foram usadas pela primeira vez. Além disso, ela conta que “já tive que secar as mãos e pegar uma toalha para abrir a tampa por ser muito dura.”

Para evitar este tipo de problema, Aline de Oliveira Tavares, consultora independente, 35, mãe de Ísis, 4, e Cibele, 2, diz que quando suas filhas eram menores ela utilizava produtos com tampas tipo pumps. “Quando elas eram recém-nascidas, as melhores embalagens eram as que vinham com aquela tampa de sabonete líquido, porque com uma mão só você consegue apertar e tirar o sabonete. Não dava para virar o produto na mão”, relata.

Mas as embalagens de produtos infantis não afetam somente as mães com crianças pequenas. A executiva de contas, Wanessa Souza, 28, mãe de Davi de 5 anos, diz que o formato de algumas embalagens não é adequado para a hora do banho. “Atualmente estou utilizando um ‘duo’ de sabonete líquido e shampoo – a embalagem dessa marca é terrível, é redonda pequena e no formato do rosto de dois dos Vingadores, resultado: escorrega direto das mãos. Por conta da embalagem ser completamente redonda e pequena fica praticamente impossível abrir o ‘flip’ da tampa com as mãos molhadas ou ensaboadas sem deixar o produto cair”, conta.

Formatos de sabonete
Entretanto, a hora do banho não é só feita de shampoo e condicionador; e o sabonete é o tipo de produto com formatos para os mais diversos tipos de gostos.

A médica de 40 anos, Joana Comparato Meyer, mãe de Mathias, 2, e Francisco de 8 meses, prefere a versão líquida do produto, por conta da praticidade. Já a empresária Giovanna Ceccoline, 39, mãe de Lino e Caio, de 6 e 5 anos respectivamente, utiliza o produto por acreditar que ele é menos agressivo para a pele das crianças, além de ser mais econômico.

Wanessa Souza também não abre mão do sabonete líquido, pois além de achá-lo mais higiênico, ele também facilita a aplicação nas crianças que costumam ficar agitadas na hora do banho. Milena Cerón acredita que além de tudo isso existe a questão da segurança, segundo ela, depois que as crianças crescem um pouco elas colocam a mão no produto e depois nos olhos.

Enquanto isso, Luana acredita que o sabonete em barra é mais econômico, principalmente para crianças maiores, que já tomam banho sozinhas. Natalya Carnaval Kawamoto, executiva de contas de 28 anos, mãe de Apolo, 5, também prefere o sabonete em barras. Segundo ela, o filho acaba desperdiçando o sabonete líquido.

Praticidade na aplicação
Já nos dias de praia e piscina, algumas mães adotaram o aerossol, outras são adeptas do bom e velho creme; e ainda há aquelas que uniram o útil ao agradável e utilizam o aerossol no corpo e o creme no rosto.

As defensoras do aerossol argumentam que as crianças são muito agitadas, e que esse formato facilita e agiliza a aplicação. “Aerossol é a melhor opção”, afirma Natalya Kawamoto. “Crianças são agitadas e não têm paciência para passar o protetor”, completa. Já Giovanna Ceccoline, acredita que cada área do corpo demanda um tipo diferente de protetor. “Eu utilizo creme no rosto e aerossol no corpo”, diz a empresária.

Natália Gindro de Oliveira Mota não usa a versão em aerossol no filho por ter tido uma experiência ruim quando usou em si mesma. “Já utilizei o aerosol em mim e não gostei. O produto não espalha direito e ficam algumas áreas sem proteção”, reclama. Luana Saccone também não gosta da versão em aerossol. “O creme é mais fácil de aplicar, tanto no corpo como no rosto. O aerossol, caso você não use a uma certa distância, a criança reclama do jato gelado.”

A influência dos personagens

Segundo as mães consultadas pela Packing Cosmética, quando vão às compras escolher produtos de higiene para seus filhos, o que realmente orienta sua escolha é a marca. Algumas disseram também que se preocupam com a fragrância, com possíveis reações alérgicas que a criança possa apresentar, com o preço, porém, o que se pode constatar é que a estética da embalagem – ao contrário de outras categorias – é um aspecto secundário na hora da escolha.

Entretanto, as mães de crianças mais velhas, com mais de 4 anos, relatam que chega uma idade em que a embalagem importa, e muito, pois seus filhos ficam enfeitiçados pelos produtos que estejam vinculados a algum personagem.

“Não costumo comprar produtos licenciados, pois personagens encarecem o produto. Porém, algumas vezes abro exceções devido à insistência do meu filho”, conta Natalya Kawamoto. “Meu filho fica louco quando vê o personagem favorito dele nas embalagens, ele quer comprar todos. Eu já tive sim que comprar e me arrependi muito pois deu alergia no couro cabeludo dele. Acho negativo esse tipo de apelo para vendas pois muitas vezes a sua criança tem alergia à composição daquele produto e você acaba às vezes comprando só por causa da embalagem, tendo de descartar o produto”, relata Luana Saccone, mãe de Juan e Isabella.

Luana não é a única a reclamar da vantagem que o universo do licenciamento tira das crianças. Milena Cerón diz que, apesar da pouca idade da sua filha, se preocupa com a questão do consumismo, e tenta, de todas as formas, passar seus valores apesar dos apelos da publicidade. Joana e Giovanna também veem com maus olhos esse tipo de chamariz para a compra, inclusive, a empresária relata que: “já tive o pedido do meu filho para comprar o produto, mas somente compro se atende o que acho importante e se o preço for adequado quando comparado aos outros.”

Outras mães não têm uma visão tão negativa dos produtos licenciados, e acreditam que eles podem facilitar o dia a dia delas. Aline e Natálya creem que os personagens estimulam e ajudam nos hábitos diários de higiene, como tomar banho e escovar os dentes. “Acho o apelo válido para o banho se tornar mais divertido, pois muitas vezes, principalmente quando ele era menor o personagem do shampoo estimulou o banho”, conta a executiva de contas

“Com certeza o produto é apelativo”, afirma a consultora independente Aline Oliveira; “porém, você tem de usar isso a seu favor. Esse tipo de produto incentiva as crianças a tomarem banho, lavar o cabelo, escovar os dentes”, completa.

A opinião de Wanessa de Souza vai ao encontro da de Aline. “O Davi adora produtos de higiene infantil com embalagens de personagens e não vejo mal em comprá-los, ele se distrai na hora do banho, e os produtos não são tão mais caros por conta disso, e levo em conta a procedência da marca.”

Embalagens mais seguras seria bom
Quando o assunto é crianças, principalmente as menores de 5 anos, todos os objetos e produtos apresentam um determinado perigo, em especial os cosméticos. Não só, as mães apontam também a questão do desperdício, pois faltam travas e dispositivos que impeçam o vazamento do produto da embalagem.

“Acredito que seria mais seguro se existisse algum tipo de trava. Crianças pequenas costumam levar tudo a boca e é perigoso mesmo ocorrer um vazamento do produto”, opina Natália Gindro.

Natalya Carnaval aponta para outra questão importante: produtos licenciados são vistos pelas crianças como brinquedos, o que pode ser perigoso ou simplesmente levar ao desperdício. “Por parecer um brinquedo, meu filho acaba estragando a embalagem, muitas vezes já perdi o produto todo por conta disso”, conta.

Wanessa já passou por experiências semelhantes as de Natálya com seu filho, e diz que “sempre achei que esse tipo de embalagem deveria vir com uma trava, a criança geralmente brinca com o produto enquanto toma seu banho e o desperdício às vezes é certo. Já perdi uma boa quantidade de produto, várias vezes por conta dessa questão, ainda mais embalagens com formatos de bonecos que costumam ser utilizadas pelos pequenos para brincadeiras mais brutas.”

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