Focus Group Packing Cosmética: Viagem ao universo masculino

Focus Group Packing Cosmética: Viagem ao universo masculino
Vaidosos, ou nem tanto, chegou a hora de os homens falarem o que pensam dos produtos de higiene e beleza e da funcionalidade de suas embalagens

 
Em sua terceira edição, a seção Focus Group da Packing Cosmética entrevistou nove homens, de 21 a 43 anos, com o propósito de saber o que a geração masculina do século 21 pensa a respeito dos produtos de beleza e saúde. Quais produtos podem facilitar ou atrapalhar?. Os elogios, reclamações, entre outros pontos. O primeiro questionamento foi saber quais são os itens que eles utilizam em seu dia a dia e, fugindo totalmente do óbvio, foram citados protetor solar (e labial), spray fixador de cabelo, sérum, e até mesmo cremes faciais anti-idade. Deu pra perceber que já faz tempo que essa história de que homem não se cuida virou passado!

Dentre os demais produtos estão: sabonete, desodorante, shampoo, condicionador, máscara capilar, leave-in, esfoliante, loção adstringente, hidratante, itens para barba (espuma, creme, gel, loção), clareadores e até alguns itens de maquiagem, como bb cream e pó facial.

O povo brasileiro é conhecido por sua beleza e a vaidade está atrelada a essa popularidade. Costuma-se pensar que as mulheres são mais vaidosas do que os homens, mas aí pode residir um ledo engano. Nos últimos anos, surgiram os tais “metrossexuais”, homens que cuidam da sua aparência tanto quanto, ou até mais do que elas. Fizemos a mesma pergunta para os nove homens: Você se considera vaidoso? Dentre eles, somente três responderam que não. Os demais – mesmo não sendo metrossexuais necessariamente –, afirmaram que boa aparência é fundamental.

“Me considero vaidoso, mas não em excesso. Como no meu trabalho eu tenho de lidar com muita gente e também com autoridades, a boa aparência é muito importante”, afirma Rafael da Cunha, jornalista de 25 anos. “Sou vaidoso, mas não necessariamente cuidadoso. Minha vaidade está basicamente no cabelo. Gasto muito tempo pra arrumá-lo, daí nem sobra tempo pra pele”, brinca José Tácito, bancário, da mesma idade. “Me considero bem vaidoso. Não deixo de tomar três banhos por dia, uso protetor solar diariamente, cuido da barba, do cabelo”, explica Felipe Souza, 25, assistente de Marketing.

Leonardo Pereira, bancário, foi o entrevistado mais vaidoso de todos. Com 40 anos, contou que usa muitos dermocosméticos, como clareadores, anti-idade, ácido retinoico, entre outros. “Sempre compro o que a minha dermatologista ou a esteticista recomenda. Como combino muita coisa, uso produtos que podem danificar a pele, então me guio pela recomendação dos profissionais da área”, argumenta.

CUIDADOS COM A BARBA
Alguns entrevistados separam um tempo específico para cuidar da barba, e outros acham mais prático fazê-la durante o banho. Rafael declara: “Faço a barba de dois em dois dias. Sempre a fiz no banho, mas com a crise hídrica tive de me adaptar e reservar um tempo para isso. Utilizo uma loção pós-barba sempre, pois é bom para a proteção da pele contra a agressão causada pela lâmina de barbear.” Rodolfo Tomás, estudante de 21, afirma: “Faço a barba durante o banho, porque é bem mais prático. Já está tudo ali, é só pegar e pronto.”

A Packing perguntou o que eles preferem: creme ou espuma. A maioria respondeu espuma. Mas, há quem prefira o creme. “A espuma de barbear não me agrada, porque eu nunca consigo mensurar a quantidade certa que tenho de passar no rosto. Sempre pego a mais e acabo estragando. Prefiro o creme porque dá para dosar a quantidade ideal. Ele vem em tubo, então é só espremer um pouco e passar no rosto, e é fácil de fechar também”, argumenta Alexandre de Matos, assistente administrativo, 43.

“Nunca pensei sobre como as embalagens podem ajudar no meu dia a dia, mas prefiro, por exemplo, espuma para barbear por ser mais prático e por eu ter encontrado espumas que me agradam mais que cremes”, observa Rafael. “Prefiro usar espuma pela praticidade. Para mim, o creme não desliza. Você tenta esfregar e ele não espuma, daí eu não gosto. A espuma não, é só apertar e pronto”, completa José.

Adriano Lira, jornalista, 25, pontua: “No momento, uso espuma de barbear, mas já usei creme também. Para mim, na verdade, tanto faz. Mas é um produto que preciso usar, porque para a barba que tenho, sabonete não dá conta.”

ITEM ESSENCIAL
Todos os entrevistados afirmaram usar desodorante. Item essencial na vida do brasileiro (principalmente por uma questão de higiene), ele pode se apresentar nos formatos líquido (squeeze), creme, roll on ou em aerossol. “Gosto de usar desodorante em spray, porque é mais prático. O roll on, por exemplo, deixa ‘melecado’. Com o spray não, o jato é sequinho, bem melhor, e também não mancha a roupa”, alega Rodolfo. Adriano também prefere desodorante em aerossol. “Uso desodorante masculino em aerossol. Roll on gruda, fica um nojo”, reclama. “Por conta dos pelos mesmo, acho que roll on não é muito bom. O aerossol é melhor porque você não sente ele no corpo, não incomoda. Você nem precisa espalhar, é só passar e pronto. Exatamente por isso que eu não passo nenhum creme hidratante, porque eu detesto ficar com alguma textura diferente na pele”, completa Ramon dos Santos, radialista, 22.

Em contrapartida, há quem prefira o roll on. “Uso desodorante roll on. Não gosto nem de spray, nem em creme. Já testei os de spray, e mesmo sem álcool, me dá alergia, queima minha axila. Uso um da mesma marca há muito tempo, e é ótimo porque não mancha minha roupa”, explica Alexandre.

Fábio Cibella, 27, explicou que usa bastante desodorante devido à sua profissão – é personal trainner – e que sempre tem em casa, no carro, na mochila. Então, segundo ele, a trava de segurança do item é muito importante. “Uso desodorante em aerossol e acho interessante quando vem com aquela travinha, porque evita de vazar. É ótimo, porque se acontecer alguma coisa, ela protege o produto. Até troquei o desodorante líquido (squeeze) por esse, porque a possibilidade de vazar na bolsa de trabalho é menor.”

Porém, as opiniões sobre esse complemento das embalagens se dividem. “Todos os aerossóis hoje vem com uma travinha e acho isso absolutamente desnecessário. Nada vai fazer o produto sair do frasco, então pra mim, mais atrapalha do que ajuda. Às vezes, eu estou com pressa e o desodorante está travado. Isso dificulta, porque é um produto que uso todo dia, tem de ser prático”, rechaça Adriano.
Felipe também prefere desodorante em spray, e explica: “Não gosto de nada melado, tanto que eu não uso hidratante, e o meu protetor solar é próprio para pele oleosa, por isso ele deixa a pele bem sequinha.” Além disso, ele considera ser um produto mais prático. “Você tira da bolsa, aperta, passa e guarda de novo. Não precisa ficar tampando, nem nada.”

Ainda sobre os itens essenciais para o dia a dia, um fato curioso surgiu entre os entrevistados. Quatro deles alegaram usar um sabonete próprio dentro de suas casas. Rodolfo, que mora com seus dois irmãos e divide o mesmo banheiro, diz que prefere usar um sabonete líquido ao em barra. “Acho bem mais higiênico.”
Rafael explica o hábito. “Fui educado assim desde pequeno. Acho que ele é um item muito pessoal e que cada um tem de ter o seu. Cada pessoa tem um tipo de pele, por exemplo. Fora que ele pode ser um transmissor de doenças também.” Felipe tem a mesma opinião. “Uso um sabonete só meu, porque acho anti-higiênico dividir com os outros.”

ISSO TEM CHEIRO DE QUÊ?
Alguns entrevistados preferem usar produtos sem cheiro. “Tenho dificuldade com perfume, então a maioria dos produtos que compro é sem cheiro, principalmente os de higiene básica. Deixo o perfume fazer a função dele, porque eu não gosto de misturar os cheiros, tipo creme de barbear, com a loção pós-barba, com o desodorante. Para mim, quanto menos cheiro junto melhor, senão fica muita informação”, observa Alexandre.

Entretanto, segundo todos os entrevistados, o cheiro pode ser um fator crucial na hora compra. E, para nossa surpresa, muitos deles se dizem insatisfeitos com os aromas dos itens masculinos. “Cheiro tudo antes de comprar. Produtos voltados para ‘estética’, como shampoo, por exemplo, tem de ter aquele cheiro de cabelo lavado. O desodorante eu uso feminino, porque eu nunca gosto do cheiro dos masculinos. Não existe um tipo suave, é sempre muito forte, marcante. Por exemplo, eu nunca vi um produto masculino com cheiro de algodão”, pontua José. Ramon afirma também não gostar dos aromas de alguns desodorantes “for man”. Depois de testar alguns, ele encontrou sua marca preferida e apenas altera as fragrâncias na hora de escolher o produto no mercado.

Adriano argumenta que o cheiro é essencial na hora da compra. Segundo ele, sabonete é possível ir testando ao longo do tempo e vendo qual melhor opção é possível se adaptar, assim como shampoo. “Mas, com desodorante, se eu encontrar um novo, com certeza vou querer experimentar. Já aconteceu de eu testar um desodorante, e deixar de usá-lo porque a fragrância era muito ruim.”
“Usava shampoo e condicionador masculinos, mas troquei para os femininos, porque acho que eles hidratam mais meu cabelo, além de o cheiro ser melhor, mais gostoso. Os masculinos têm o cheiro muito forte”, declara Rodolfo.

FOR MAN
Há algumas décadas, os produtos destinados ao publico masculino, os chamados “for men”, vêm tomando cada vez mais espaço nas gôndolas dos pontos de venda. Todavia, se comparado à variedade dos itens femininos, essa categoria está longe de ser considerada diversificada, uma vez que eles são voltados praticamente apenas para itens de higiene pessoal. Não é tão simples encontrar produtos “for man” com fins estéticos, de beleza. E, também, alguns homens que optam especificamente por esses itens. “Gosto de produtos masculinos. Quando vejo que é direcionado para mim, eu prefiro”, afirma Alexandre. “Acho que tem bastante opção sim. Tudo que busquei, encontrei. Uso até um creme depilatório próprio para homens. Então, tudo que tem para o feminino, hoje em dia você já encontra para pele masculina também”, contorna.

Na contramão, Leonardo opina: “Vejo os produtos masculinos como um subproduto da cosmetologia feminina. Não entendo muito de química, mas acho que os estudos não são tão aprofundados para pele masculina, se comparado com o da feminina. Por exemplo, para mulher, existe produto para adolescente, para meia idade, para mais de 60 anos. Para o masculino isso não existe, então a minha pele e a pele de um menino de 15 anos é igual?”, questiona Leonardo. “Acho que esse um mercado ainda é bastante embrionário, está começando a se desenvolver. Em minha opinião, a cosmetologia feminina está bem mais avançada. Acho que falta dividir em subcategorias, por idade. Isso já é um ponto gigantesco para se pensar”, completa. Felipe complementa: “Sinto falta de produtos masculinos que tenham aromas diferentes, mais suaves. Os produtos ‘for man’ têm cheiro muito específico, por exemplo, os desodorantes, que parecem álcool vencido. Falta diversificar mais. Acho que também faltam mais opções de tamanhos médios. Gosto dos itens compactos, para carregar na bolsa, e não tem tantos produtos assim no mercado”, contesta.

Ramon acredita que a oferta de itens masculinos oferecida ao consumidor é boa. O que falta é informação e divulgação. “O homem por si só já é mais relaxado, e não vejo muitas propagandas desses produtos na mídia. O que tem é sempre voltado para o público feminino. Acho que deveria ter mais informação também, porque tem muita gente que se interessa. As marcas mesmo deveriam falar mais. Tem homem que nem sabe o tipo de cabelo que tem, se é oleoso ou seco. Acredito que isso hoje em dia está mudando, mas falta essa preocupação por parte de quem fabrica.”

CRITÉRIOS DE COMPRA
Os participantes responderam quais os critérios são utilizados na hora da compra, e muitos confessaram ser fiéis a seus produtos e marcas favoritas. Rodolfo afirma: “Primeiro vem o cheiro, depois olho as informações que contêm na embalagem, o que aquilo vai me proporcionar. Isso é fundamental.” Alexandre concorda: “A frente da embalagem não conta muito não, a imagem, a propaganda dela. Gosto mesmo de ler o rótulo. Para mim, quanto mais claras estiverem as informações referentes ao produto, melhor. É o que chama minha atenção. A embalagem pode ser linda, mas eu vou virar pra ler. Se a leitura estiver desorganizada, às vezes eu até desisto de comprar”, afirma.

“Não só o preço, mas custo-benefício é muito importante. Já comprei produtos com preço mais atrativo e me arrependi porque eram ruins”, afirma Adriano. Segundo ele, o cheiro também é essencial.

Quando perguntado se a embalagem era um fator relevante, muitos opinaram que sim. “Acho importante ter uma boa apresentação, pois muitas vezes você compra um produto pela marca dele, mas a embalagem é uma porcaria. Isso aconteceu isso várias vezes com creme de barbear e desodorantes”, pontua Rafael.
“A embalagem é a primeira coisa que você vê quando compra alguma coisa. Por exemplo, embalagens que têm a cor marrom são muito feias. Como vou comprar um produto que tem a cor marrom na embalagem? Marrom não é limpo”, brinca Adriano. “Você acaba fazendo essas analogias. A embalagem faz com que você deixe de comprar. Tem embalagens que você vê que são toscas, bregas. É feio usar isso. No mínimo, você fica com o pé atrás. A embalagem também mostra a qualidade do item. Se a embalagem for tosca, eu nem experimento o produto”, afirma.
Felipe também leva em conta o aspecto visual. “A embalagem conta quando vou escolher um produto. Eu gosto de tamanhos pequenos, além disso, a cor também chama atenção. Poderia ser mais variado. Se o produto for cinza, me causa a impressão de que ele é remédio, ou de que o cheiro talvez não seja bom. Eu já não compro, não me agrada. Entendo que devem ter homens que não gostam de usar coisas que chamem atenção, por isso os produtos têm sempre as mesmas cores, cinza, azul marinho, verde escuro. São cores mais neutras. Porém, hoje em dia, tem vários tipos de homens, não tem só aquele rústico que compra cinza ou preto. Tem diferentes gêneros, gostos, sentimentos. Enfim, a cor ajuda a incentivar a compra.”
Leonardo acrescenta: “A embalagem passa um pouco do investimento que a marca fez naquele item. Você não faz um baita produto de ponta, e coloca num saquinho plástico, ainda que o que valha mesmo é o conteúdo. Dentro de todo um conceito, isso passa credibilidade.”
Na correria da vida, tem de haver praticidade dos itens. “Para o meu dia a dia, gosto de usar aqueles produtos que você precisa de uma mão só pra abrir, passar. Nem sempre você está com as duas mãos livres, pode ser que esteja ocupado fazendo outra coisa junto. No banho, você pode estar com uma das mãos ensaboada, por exemplo. Não tenho muita paciência em ficar desrrosqueando não, ainda mais com essa crise hídrica. Quanto mais rápido e prático o produto for na hora do banho, melhor”, afirma Felipe.

“No rosto, prefiro sempre produtos com válvula pump. Prefiro mil vezes do que aqueles potinhos de vidro, que você abre, põe o dedo e passa. O produto do pump sai na medida mais adequada, vem até com a indicação de quanto deve ser utilizado, ‘apertado’. E também é mais higiênico”, argumenta Leonardo.
“Acho que as embalagens em aerossol são sempre mais práticas. Já testei o protetor solar nesse formato e gostei muito. Como tenho problemas com textura, essa é sempre a melhor opção, pois eu fico com a impressão de que nem passei nada”, relembra Ramon. “Só acho que esses produtos costumam ser caros, o preço poderia ser mais acessível.”

Já José questiona o tamanho das embalagens. “Acho que as embalagens poderiam ser maiores. Tem produto que costuma ficar em casa, e daí você não precisaria ficar se preocupando toda hora se está acabando, se tem de comprar de novo. Então, seria melhor.”

Alguns entrevistados reclamaram sobre a fragilidade de alguns produtos. “Sempre que meu frasco de shampoo cai no chão, a tampinha quebra imediatamente. Toda vez é assim”, pontua Alexandre. “Os frascos poderiam ser mais rígidos ou talvez de metal, não sei. As fabricantes utilizam um plástico muito ruim! Quantas vezes quebrei a tampinha do shampoo, do desodorante. E isso estraga o produto. Já quebrei vários desodorantes com válvula pump. Há pouco tempo comprei um desodorante em que o corpo da embalagem era de metal, mas tinha uma válvula pump de plástico. Na primeira vez que apertei para usá-lo, a tampa quebrou”, completa Rafael.

Fábio afirma não ter muito problema com as embalagens, mas ressalta que as tampas dos shampoos poderiam ser mais resistentes. “Se aquela tampinha quebrar, já era. Você não consegue mais fechar o produto. É minha única reclamação mesmo”, finaliza.

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