Muito além do desodorante

Muito além do desodorante

As embalagens em aerossol ganharam destaque e mais espaço nos últimos anos em algumas categorias. Mas, para Ida Almassy, da Aercamp, ainda existe muito espaço para avançar


A associação é quase que automática: quando se fala em embalagens de aerossol nos lembramos da categoria de desodorantes. A reação é natural e encontra explicação na realidade do mercado brasileiro. Primeiro, o País é o maior mercado de desodorantes do mundo. De cada cinco produtos vendidos ao redor do planeta, um está por aqui. E, após um esforço contínuo de muitos anos, desde a segunda metade dos anos 2000, o aerossol finalmente “bombou” na categoria de desodorantes – até então dominada pelos famigerados squeezes. Isso turbinou os volumes produzidos e ocupou a grande maioria do espaço dedicado à produção nos envasadores e, principalmente, consumindo as latas de alumínio, o material preferido para os tubos de aerossol no setor cosmético por seu acabamento estético superior, e por muitos anos, o maior gargalo na cadeia de abastecimento do mercado no Brasil

O outro aspecto que nos faz remeter aos desodorantes quando o assunto é aerossol  é justamente o desenvolvimento ainda incipiente de outras categorias nesse formato. O que é uma pena por um lado, já que o aerossol é uma embalagem extremamente moderna e prática. Ao mesmo tempo, isso representa um cenário de muitas oportunidades para aproveitar. Ida Almassy, diretora da Aercamp (na foto, ao lado de Átilla Almasy, gerente de Suprimentos da empresa), a maior empresa brasileira de envase de aerossóis, acredita nisso e tem centrado esforços no sentido de ajudar seus clientes a viabilizar novas e inovadoras aplicações para o aerossol.  É verdade que o País avançou demais nessa oferta. Hoje é possível encontrar desde categorias já estabelecidas no mercado abrindo mais e mais espaço para o aerossol, como é o caso dos produtos de proteção solar; até itens que já são desenvolvidos especialmente para esse formato, caso dos shampoos a seco e também dos itens de maquiagem para as pernas. Mas, mesmo com o avanço dos últimos anos, ainda estamos muito atrás em relação aos mercados mais desenvolvidos. “Sempre que viajo, adoro ver as coisas que estão sendo lançadas (em aerossol) no exterior e tentar viabilizá-las localmente”, conta Ida. Para ela, mesmo as empresas grandes  oferecem produtos lá fora que ainda não compõem seus portfólios no País. “Ainda temos muito pouco comparados com o que tem lá fora. Muita coisa que existe a gente olha e pensa como seria legal e prática se estivesse no aerossol.”

Tudo em aerossol
Mas como os clientes estão olhando para as essas novas oportunidades que o aerossol oferece? Ida conta que muitos clientes da Aercamp  tem a visão de colocar o máximo de produtos em aerossol. Mas porque essa intenção não chega com maior intensidade aos consumidores?

Melhoramos muito, mas ainda temos espaço para aplicar inovações. Na categoria de banho e higiene temos os sabonetes em aerossol que são muito práticos e que já estão no mercado, tanto com o uso da tecnologia bag n´valve (no qual o produto fica em uma espécie de bolsa e é expelido pela pressão do ar comprimido) como com o aerossol tradicional, com gás. Apesar da praticidade, esse tipo de produto ainda performa abaixo das expectativas (e do seu potencial). Além da questão do preço para um produto de uso diário, Ida acredita que no momento do lançamento desse item, há cerca de dez anos, a população não estava madura para entender o conceito. Somado ao timming adiantado demais, nenhuma empresa alocou um grande investimento em mídia e comunicação para o consumidor no sentido de explicar intensivamente os aspectos do produto. “É mais uma questão de visão e de apostar nesse mercado”, acredita a executiva.

Segundo ela, em termos técnicos o Brasil não fica atrás de outros mercados.  “Tem muito produto que a gente pode testar em aerossol”, diz. Para Ida, muitas vezes os clientes imaginam um produto e é preciso um ajuste, uma mudança de formulação por conta de algum insumo que não é compatível com o gás. “Nossa equipe ajuda no que puder, sem ultrapassar o princípio da ética e do sigilo e da confiabilidade”, diz a empresária. “O técnico faz os ajustes da formulação para que ela funcione do jeito que o cliente imaginou no aerossol. Pode ser que a gente não consiga fazer o produto. Mas a gente o ajuda fazer o envase para os testes. E o pessoal vê se a formulação pode dar certo ou se é melhor desistir porque não funciona. A gente tenta ajudar independente de que aquilo possa gerar ou não negócios. Um efeito colateral desses testes é que, muitas vezes, os resultados não são como o cliente imaginou. Mas a verdade é que desses testes, nascem muitas coisas legais e até novos produtos”, explica.

“Eu sou fã de aerossol. O que puder ser em aerossol é ótimo. Temos muitos projetos em andamento e é provável que neste ano tenhamos novidades no mercado. Todo mundo está na expectativa de como vai ser o mercado, mas estamos confiantes. A gente sempre confia no futuro porque o Brasil é um país maravilhoso”, afirma a empresária.

Cada vez mais acessível
Para as pequenas e médias empresas de cosméticos, a percepção é a de que desenvolver produtos em aerossol é caro e complicado, algo restritoàs grandes empresas. A cadeia de abastecimento do aerossol é peculiar e, ainda, menos desenvolvida do que a de outros formatos largamente utilizados de embalagem. O investimento é um pouco maior do que em outras categorias, especialmente porque você precisa de uma quantidade mínima de tubos de alumínio para comprar. Enquanto é possível comprar válvulas para aerossol a partir de um pedido mínimo em torno de dez mil unidades, o volume mínimo de compras está na faixa dos 30 mil tubos. É bem menor do que o pedido há alguns anos, mas ainda é um investimento grande para empresas menores. Mas mesmo nesses casos, Ida enxerga alternativas que vêm facilitando a vida de quem quer investir em aerossol. No caso das embalagens, uma alternativa cada vez mais buscada é o uso de rótulos sleeve, que permitem usar o mesmo tubo de alumínio branco ou não pintado, para lançar várias versões diferentes.

Flexibilidade é fundamental
Há mais de cinco décadas, a Aercamp vem acompanhando a evolução do segmento de aerossol no Brasil. Nesse período,  a companhia vem se adaptando às novas realidades que o mercado impõe. Talvez a mais relevante nesse sentido tenha sido a criação de um parque fabril bastante flexível, com capacidade para atender desde grandes pedidos, em linhas que envasam 120 latas por minuto; até linhas menores, que vão envasar 18 mil latas por dia. Para otimizar o tempo de setup, as maiores linhas da produção da empresa são dedicadas cada uma para atender a um diâmetro de lata. Com isso, o processo de ajuste se torna mais rápido.

Para a Aercamp, o principal benefício da flexibilidade de produção é que ele permite à empresa apostar nos clientes que estão começando. Ida reconhece que, até dez anos atrás, isso era uma situação bastante difícil, já que todo o mercado estava orientado para atender apenas aos volumes muito grandes. Mas, mesmo nessa época, a Aercamp já pensava a sua produção para que ela pudesse ser rapidamente ajustada para atender a diferentes tipos de produtos, o que deu muita agilidade para a empresa. “Isso é uma vantagem da Aercamp até hoje. Temos um parque fabril flexível. Temos dez linhas no total, seis para cosméticos de volumes diversos. Eu posso produzir 50 mil latas, 100 mil latas do mesmo produto. Essa flexibilidade é uma vantagem. Temos clientes que começaram com três mil latas por mês e, em algum tempo, estavam envasando 180 mil latas por mês”, lembra Ida. “Hoje, tem muita gente batendo na porta dele e esse cliente sempre diz que quando só tinha três mil latas, só a Aercamp que quis atendê-lo e que, se ele alcançou as 180 mil é porque alguém fez os três antes”, diz a empresária com indisfarçável orgulho. “A gente tem de dar oportunidade para o pessoal tentar. Nem os grandes começaram com um milhão de latas. Temos clientes que começaram com 30 mil e hoje fabricam milhões de latas”, conclui.

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