Pronta para um novo ciclo

Pronta para um novo ciclo
Com investimentos de R$ 20 milhões, a Citratus inaugura um Centro Criativo e uma nova fábrica para suportar o crescimento do negócio e posicionar a casa de fragrâncias entre as grandes do setor    


No extremamente competitivo mercado brasileiro de casas de fragrâncias, a necessidade de investimento é constante. E com as históricas idas e vindas da economia tupiniquim, muitas vezes os investimentos são planejados e começam a ser executados sob um cenário e passam a operar em outro, totalmente diferente. Ainda assim, a séria crise pela qual o País passa nesse momento será revertida e aí, quem não estiver preparado tende a perder o boom do crescimento, que também costuma ser rápido e repentino.

O novo complexo industrial e criativo da casa de fragrâncias Citratus, localizado às margens da Rodovia Anhanguera, na cidade de Vinhedo, interior de São Paulo, se enquadra nesse contexto bem brasileiro. Fruto de um investimento de R$ 20 milhões em capital próprio, realizado ao longo de três anos, a nova planta triplicou a capacidade de produção instalada da casa. Embora tenha sido planejado em um momento no qual a economia ainda demonstrava certo vigor, o investimento foi necessário para suportar tudo o que a empresa já havia crescido ao longo das últimas anos e que vinha estressando a antiga estrutura da fabricante de fragrâncias, que ocupava um conjunto de galpões a poucos quilômetros da atual sede. “É importante ter uma casa maior para acomodar confortavelmente toda a equipe e permitir o crescimento futuro da empresa”, explica o presidente da Citratus, Harry Renteal. “Poderemos atender de maneira mais eficaz aos clientes e passar mais segurança para eles”, concorda o gerente Comercial, Tony Martelli.

E espaço não falta. São 10 mil metros quadrados de área e oito mil de área construída, divididos entre uma planta produtiva, um prédio administrativo, o centro criativo e uma área de treinamentos. O empreendimento subiu do zero e foi concebido para atender às demandas da empresa. A produção, que antes estava disposta em seis galpões diferentes, está toda concentrada em um único espaço colaborando para tornar todo o processo mais racional e ágil.

Ainda que não tenha certezas sobre o que pode acontecer na economia, e consequentemente nos negócios da sua empresa, no curto prazo, Harry acredita que o investimento posiciona a Citratus muito bem para alçar voos mais altos no mercado. “Estamos totalmente preparados para atender a demandas maiores. A nossa vantagem é mostrar ao mercado que estamos aqui e que estamos sólidos”, diz. E, mesmo em meio à crise, o empresário viu as vendas da empresa crescerem 17% neste ano. Para 2016, a expectativa é de um avanço de 16%. Em cinco anos, a empresa espera dobrar o faturamento. O próprio complexo foi construído pensando em suportar o crescimento da empresa para um horizonte de dez anos.

Cada vez mais, a empresa vem investindo para atender de maneira mais assertiva a clientes de maior porte. “Tudo o que envolve uma apresentação para um cliente de maior porte nós temos aqui: uma equipe de criação, desenvolvimento e marketing muito fortes. Podemos apresentar trabalhos, muitas vezes, tão bons quanto o de uma multinacional. E somos bem competitivos em preços”, exalta Harry, que lembra que hoje, a empresa já atende a clientes de grande porte do mercado de higiene doméstica, estando listada em core lists ao lado das grandes casas multinacionais.

Na nova planta, a Citratus tem capacidade de produzir cerca de 650 toneladas de fragrâncias por mês. E esse número deve aumentar em 2017, quando deve entrar em operação um Robô de produção, capaz de preparar boa parte das composições de maneira autônoma e ininterrupta. Trata-se de um investimento entre 800 mil e um milhão de euros, que deve ser definido até o início de 2016. “É um investimento pesado, mas necessário”, pontua Michael Renteal (na foto acima), gerente de Marketing da companhia. Ainda mais em um momento no qual aumentar a eficiência é fundamental para conseguir se manter competitivo em preço e com as grandes casas internacionais atacando com mais frequência os clientes de médio porte, até então um público quase cativo das casas locais.

Performance consistente
As médias empresas do segmento de higiene pessoal e cosméticos também são um alvo cada vez mais cobiçado pela Citratus. O segmento, aliás, vem ganhando participação de forma consistente ao longo dos últimos anos nas vendas da empresa. A participação que já foi de 8%, hoje está em 18%. Para Michael, ganhar espaço nesse segmento é um trabalho muito mais demorado, em especial por conta da concorrência, que é muito grande nesse segmento. Mas muitos dos investimentos realizados pela Citratus nos últimos anos, incluindo o próprio novo centro criativo, vão na direção de tornar a empresa muito mais uma fornecedora de fragrâncias para o mercado de beleza, do que para a área de saneantes, ainda o maior mercado da companhia.
“No mercado de fragrâncias você lembra sempre da perfumaria fina e de todo o seu glamour. Não é algo para nós, é da dinâmica do próprio mercado. Por isso, muito do que construímos nesse novo prédio tem sua inspiração no universo da perfumaria fina e do mercado de beleza”, conta Michael. Ele diz que o crescimento da empresa na área de personal care tem se dado, principalmente, pela maior agregação de valor nas fragrâncias que a Citratus desenvolve para esse segmento. “Especialmente depois da chegada do Cesar (Muzzi, perfumista da Citratus). Ele trouxe a expertise dele e está atuando tanto na criação de novas fragrâncias como na releitura de outras que já tínhamos em linha. Com isso, saímos de um custo médio de criações de 40 dólares para 70 dólares.”

Ferramentas de ponta
Atender ao segmento de higiene pessoal e cosméticos também demanda muito mais das casas no que diz respeito ao trabalho – e, consequentemente, a estrutura criativa. Essa vem sendo uma das áreas mais prestigiadas pela Citratus em termos de investimentos ao longo dos últimos anos. Para o gerente da área de criação e desenvolvimento, Rodrigo Oteno (na foto abaixo, com a equipe da área), com a nova estrutura, a Citratus passa a ter mais recursos para executar o processo criativo completo. A estrutura atual compreende dois perfumistas e duas avaliadoras. “A nossa estrutura hoje é equiparada a de qualquer multinacional. Isso nos permite realizar avaliações e os testes necessários para o nosso dia a dia no processo de criação e também competir em melhores condições por briefings como as casas internacionais”, comemora.

Os perfumistas e o time de avaliação têm participado de congressos internacionais, para se manterem sempre antenados com todos os principais desenvolvimentos de tecnologias do mundo. Rodrigo lembra que o investimento em matérias-primas é constante. “Temos acesso às principais moléculas novas e uma rede muito forte com todas as casas no Brasil e lá fora. Qualquer molécula nova que acaba de ser lançada a gente tem imediatamente disponível nos nossos laboratórios criativos para aplicarmos.”

O centro conta com três cabinas de avaliação olfativa: uma seca, uma de lavanderia e uma de banho. Esses recursos facilitam e muito o trabalho das avaliadoras. O laboratório de pesagem foi pensado para que as pessoas que vão executar a pesagem façam todo o processo focado, sem ter de sair do lugar para pegar qualquer material.

Para Paulo Daher, também gerente Comercial da Citratus, a empresa vem realizando investimentos pensando bastante no longo prazo e reforçando áreas que são fundamentais em uma casa de fragrâncias como Marketing, P&D, Criação e Avaliação. “A mudança para cá é mais um passo nesse sentido. Podemos bater na porta de um cliente que tem um core list fechado e entrar como pleiteantes ou mesmo já entrar como um participante do core list. Estamos colhendo frutos interessantes”, diz. “Nos posicionamos como parceiros do cliente e queremos envolvê-los cada vez mais no processo criativo. Tem muitos clientes que querem acompanhar o desenvolvimento do projeto in loco, porque ele quer participar ativamente do projeto, e nesse novo prédio, temos todas as condições de recebê-los e apoiá-los em suas estratégias de desenvolvimento”, finaliza Michael.