Questão de pele

O consumidor brasileiro se preocupa cada vez mais com os problemas de pele. E essa é a oportunidade que faltava à indústria para explorar as potencialidades do mercado brasileiro de pele

 
O Brasil nunca foi e ainda não é um País de skincare. Porém, esse cenário tem se alterado gradativamente. Nos últimos dez anos vimos marcas consagradas de dermocosméticos chegarem ao mercado brasileiro, alcançado resultados expressivos de venda.

Existem algumas razões que podem explicar esse crescimento leve, porém constante, dos produtos de skin care. O aumento de renda da população brasileira nos últimos anos, a maior preocupação da população em relação à saúde da pele- processo impulsionado, principalmente, pelos dermatologistas- além da perfeita sintonia entre indústria e varejo farma, são os fatores que combinados, se transformaram na mola propulsora que fez com que a categoria melhorasse sua atuação no Brasil.

Nesse universo de tratamentos para pele, as marcas e produtos que trabalham com facial foram os que mais colheram resultados positivos. O mercado brasileiro de anti-acne, por exemplo, já é o terceiro maior do mundo, atrás somente de Japão e Estados Unidos. Características climáticas e de hábitos contribuem para que 80% dos jovens brasileiros tenham problemas relacionados à formação de pústulas, espinhas e cravos na pele. Entretanto, o foco atualmente não está somente do público jovem, a “Acne da Mulher Adulta” é um problema que atinge diversas mulheres com mais de 25 anos, e a indústria já entendeu que o crescimento futuro dessa categoria, pode estar ancorado no desenvolvimento de produtos eficazes para este público.

Já o mercado brasileiro de produtos que combatem o envelhecimento assistiu a uma revolução nos últimos anos, e muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. A categoria que foi desbravada por duas gigantes do porta-a-porta, Natura e Avon, empresas que ainda lideram o ranking de vendas desse tipo de produto, se viram ameaçadas pela chegada de estrangeiras poderosas ao mercado brasileiro- como Vichy, La Roche Posay, Roc e ADA TINA-e por um trabalho forte da farmácia para envolver cada vez mais consumidores no mundos dos dermocosméticos. Agora, o futuro da categoria não reside somente no desenvolvimento de tecnologias que combatam os sinais do envelhecimento, mas também que o previnam, tendo em vista que o público jovem se sente cada vez mais atraído por esses produtos.

Porém, essa revolução que viveu o mercado de produtos faciais, não foi acompanhado pelos corporais. Os produtos vendido no varejo, desenvolvidos para tratar celulite, estrias e excesso de gordura , ainda não mostraram a que vieram, sendo que a indústria está perdendo um tempo precioso, tendo em vista que a cultura do “culto ao corpo” é forte no País, fato que poderia impulsionar as vendas. Porém, nem tudo está perdido para corporal. O trabalho dos dermatologistas, que se dedicam cada vez mais a tratamentos estéticos, além do aumento da renda da população pode ajudar as empresas a desbravarem esse mercado e, consequentemente, mudar esse quadro.

Outro categoria de produtos em que a indústria deve investir em um trabalho forte com os dermatologistas, é a de hidratação profunda. Os consumidores não sabem a diferença ente hidratantes comuns e os que tratam a pele de maneira mais profunda. Prescritos muitas vezes para tratar problemas de ressecamento intenso, e para pacientes com peles sensíveis e com dermatite, os produtos de hidratação contínua são desenvolvidos com ativos que penetram na pele, hidratando-a por dentro, não somente evitando que a água saia pela superfície cutânea. Conhecer as opções que a indústria oferece para esse tipo particular de problema de pele, além de investir em treinamento de funcionários que orientem os consumidores, é fundamental para fidelizar aqueles que as vezes necessitam fazer uso desse tipo de produto constantemente.

Os avanços assistidos pelo mercado de skin care nos últimos anos foi apenas o pontapé inicial de um processo que pode ser uma oportunidade de ouro para as indústrias e varejistas do setor. O Brasil é um mercado com potencial gigantesco de crescimento, porém será necessário um trabalho intenso de educação do consumidor e desconstrução de alguns hábitos. Primeiramente, tentar ensinar o consumidor brasileiro que tratamento de pele não está relacionado somente com limpeza (banho especificamente), mas também com hidratação. Não só isso, é necessário mostrar que, tanto para produtos faciais quanto corporais, existe um ritual de tratamento, ou seja, não basta passar o creme, é necessário higienizar a pele, hidratá-la, passar protetor solar e, no caso dos corporais, fazer um acompanhamento com dermatologistas, que atuarão em várias frentes para tratar celulites e estrias.

Entretanto, para que essa categoria consiga alcançar todo o seu potencial no mercado brasileiro, é necessário que varejo, dermatologistas e indústria estejam alinhados e mantenham um diálogo constante, para que o consumidor seja estimulado a encarar os tratamentos de pele não somente como uma questão estética, mas também de saúde.

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